31 de dezembro de 2009

Até já!


Então vá, até para o ano!
E toca a entrar em 2010
com os dois pés direitos!

É assim que vou adormecer hoje...
Com um sorriso e muita paz no meu coração...
Feliz...
[Obrigada por todos os mimos e por me me aquecerem a alma...]

30 de dezembro de 2009

Em jeito de balanço...

Há precisamente um ano atrás, celebrava os meus 25 anos cheia de entusiasmo e grandes expectativas quanto aos tempos que se seguiriam...
Foi um ano longo, demasiado longo e pesado emocionalmente.
Começou muito bem... Não decorreu da melhor forma... Terminou numa espécie de apatia...

Nos últimos dias tenho-me debatido com a lembrança dos projectos que, há cerca de 10 anos atrás, aspirava ver concretizados nesta altura da minha vida...
Nada correu como um dia sonhei tão inocentemente...
A minha carreira não passa nem de perto por aquilo que nesses dias imaginava.
A minha vida emocional é um desastre comparada com a pintura cor-de-rosa do futuro que fiz então.

Estou feliz com a minha carreira, sim.
Não é o que tinha projectado, mas acho que estou a ser bem sucedida...

Estou muito, mas muito feliz com os amigos que me rodeiam, que têm sido desde sempre a minha mais-valia, a fonte dos meus sorrisos mais sinceros e sentidos, o meu apoio e o meu porto de abrigo. Só espero um dia conseguir retribuir-lhes de uma forma pelo menos próxima disso.

Com a minha vida emocional, nem tanto...
Aos 26 anos, tenho mais medo do que nunca da solidão...  
Sinto que tenho vindo a falhar na minha forma de lidar com as minhas relações, que tenho feito as escolhas menos acertadas...
E o tempo voa.
Voa demasiado depressa.
E tenho medo de o estar a desperdiçar.
E tenho, sobretudo, medo de ter consciência disso e de não ser capaz de mudar...
Há 10 anos atrás não imaginava que estaria, mais uma vez, absolutamente sozinha a cruzar o limiar da meia-noite.
Há 1 ano atrás também não o imaginava.
E no entanto foi isso mesmo que aconteceu...
E esta palavra - solidão - assusta-me... muito mais do que deveria...

E pronto!
Terminou o desabafo!
A partir de agora,
e nas próximas 24 horas,
vou fazer a mim mesma o favor
de arrumar no armário todos estes fantasmas
e tentar ser, tal como no ano passado,
uma chiquitita muito feliz!

29 de dezembro de 2009

Cumplicidades IV - Sintonias



Pergunto-me se sentiria tal sintonia se te tivesse ao estender da mão.
Pergunto-me se te encontraria no meio da multidão, se te saberia identificar no meio de tantos rostos anónimos que se cruzam diariamente sem querer saber.
Será que nos reconheceríamos ao mais simples e fugaz trocar de olhares?
Será que o subtil toque de dois desconhecidos, que chocam inadvertidamente porque vão demasiado distraídos a sonhar, seria suficiente para sentirmos que somos um só?
Será que me verias ao longe e saberias que era eu?
Será que no meio do ensurdecedor silêncio da multidões eu seria capaz de ouvir a melodia da tua voz?
Será que sentiríamos ambos esse ímpeto do beijo apaixonado, desse reencontro entre duas metades de uma só alma que alguma força superior quis um dia separar?

Robert Doisneau
Kiss by the Hotel de Ville
1950

28 de dezembro de 2009

Banda sonora lá fora

Para mim, a trovoada tem tanto de assustador como de fascinante...
E de cada vez que lá fora estoiram os trovões e o céu se ilumina, é esta que me vem à mente...



You're in my mind
all of the time
I know that's not enough...
But if the sky can crack
there must be some way back
to love and only love...

26 de dezembro de 2009

Desencontros

Faz hoje um ano que te conheci...
Precisamente um ano que irrompeste inesperadamente pelo restaurante e me salvaste daquele jantar que se afigurava estranho e pesado.
Não sei como me meto nestas coisas, mas naquela noite dei por mim num jantar a quatro que não fazia o mínimo sentido. De onde só queria fugir.
E então tu apareceste.
Inesperado, divertido, espontâneo!
Nada do que pudesse imaginar!
Chegaste com a tua boa disposição e as tuas histórias e fizeste daquele jantar um agradável e leve momento de convívio!
Foste o quinto a aparecer, mas depressa vimos que o elemento a mais não eras tu...

Foi o princípio de uma história que teve tanto de intensa como de fugaz.
Entraste na minha vida como a tábua de salvação que eu desesperava por encontrar. E de tanto querer acreditar, acabei por te criar à minha maneira, sem perceber que não era tudo como julgava ver...

Saíste da minha vida tal como entraste: sem explicações, sem avisos, sem antes nem depois...

E hoje olho para aquele jantar caricato no Casanova do dia depois do Natal e vejo que me enganei, que a minha tábua de salvação não entrou de rompante no restaurante, mas estava, sim, sentada à minha frente...
Foi essa outra pessoa que me abraçou e me ouviu chorar desesperada quando percebi que tinhas desaparecido da minha vida. Foi essa pessoa que compreendeu e não me censurou... 

Passou um ano entretanto.
As decisões tomadas não se anulam.
O tempo vivido não se apaga.
Mas talvez...
Mas talvez os desencontros se reencontrem...

24 de dezembro de 2009

Agora dentro do espírito ;)

Esta época pré-natalícia é sempre de uma correria absolutamente inacreditável!
E só na própria altura de desfrutar a Consoada e depois o dia de Natal é que pousamos as armas e paramos para respirar e pensar...
Tanta correria para quê?
Presentes, doces, planos... e afinal o que importa mesmo
é o carinho dos que amamos,
é um sorriso no rosto,
são os beijos apaixonados e sinceros,
são os mimos dos amigos que trazemos no nosso coração...

Quanto a mim, parei de correr há pouco. Vou parar e aproveitar a minha noite em paz e sossego.

Espero que todos vós que vão passando aqui pelo meu pequeno cantinho tenham um Natal absolutamente delicioso, muito aconchegado e sorridente!


23 de dezembro de 2009

Totalmente fora do espírito



Trabalho com uma pessoa
que consegue certamente bater o record de maior teor de inconveniência por kg de massa corporal!




E falta a paciência! Oh se falta!!

(Ainda bem que chegam as férias hoje!)

21 de dezembro de 2009

Um Cometa de pura inocência

Este aqui ao lado é o Cometa em pleno festim alimentício!
Chegou ontem a casa e é o presente de Natal de um bebé extraordinário para uma tia muito muito babada!

O Coelhinho andou a manhã inteira a rondar a árvore de Natal cá de casa e os presentes debaixo dela. Só lá coloquei os presentes este fim-de-semana, por isso ainda não os tinha visto! É claro que a surpresa foi enorme e, determinado, não descansou enquanto não descobriu a quem pertencia cada embrulho!

Constatou muito admirado e indignado que a tia Anna não tinha lá nenhum presente ao pé dos dele...

De tarde, passámos por uma loja de animais para comprar comida para os canários do Pai e piriquitos para oferecer à Bisa. Enquanto nos atendiam, eis que o Coelhito pára muito sério a olhar para os peixinhos.
Puxa pelo casaco da Mãe:

Olha peixinhos como o outro da tia! 
Podemos comprar um para dar à tia?
Assim ela já tem um presente!

E pronto, claro que toda a gente ficou encantada com o gesto absolutamente delicioso deste pequenino reguila mas tão doce! E claro que o Cometa veio para casa, depois de uma viagem atribulada dentro do saquito de transporte a balançar nas mãos do Coelhito!

Ah! E enquanto a funcionária lá "pescava" o Cometa do aquário, o Coelhito, sempre defensor da verdade, aproveitou para lhe dizer:

Temos de comprar um novo porque o outro peixinho da tia morreu.
Foi a tia que lhe deu comida demais!

:S Ups...
Era excusado denegrires assim a imagem da tia!!!
Uma no cravo, outra na ferradura, não é, bichinho?!

Este menino consegue ser o meu raio de luz
quando tudo o resto se afigura demasiado escuro...
Obrigado por existires, pequenino!

Chegada precoce



Consta que o Inverno só começa oficialmente hoje, dia 21 de Dezembro...

Quer-me parecer que o sacana resolveu aparecer de surpresa já na semana passada...

20 de dezembro de 2009

Peças únicas?


O que é que faz de nós diferentes, únicos, especiais?
Quais são os traços e as linhas que marcam a diferença?

Pensamos que somos uma peça exclusiva deste puzzle transcendente que é a vida, mas isso é apenas a nossa perspectiva.

Até ver, somos uma gota no oceano igual a todas as outras, absolutamente imperceptível e anónima… tão digna de captar a atenção do outro e tão facilmente substituível como qualquer outra...

17 de dezembro de 2009

Reflexos


Vagueio diariamente pela blogosfera... muitas vezes sem deixar marca...

O meu caminho é frequentemente inconsciente... cruzo-me com rostos e palavras desconhecidas... algumas cativam-me, outras caem na efemeridade... mas há um pequeno quarteirão por onde faço questão de passar todos os dias... o quarteirão com os lares que enumero aqui na margem direita...

Ao longo dessas caminhadas sorrio, largo gargalhadas, fico a reflectir, choro, revejo-me...

E revejo-me de tal forma que por vezes estaco a pensar como é que é possível encontrar os meus pensamentos ocultos tão claramente reflectidos nas palavras de alguém...

Foi isso mesmo que aconteceu hoje aqui, pelas palavras de L'Enfant Terrible!
(Melhor do que citar-te é indicar o caminho do sítio onde encontrei as tuas palavras!) 

São esses limites de que ele fala que me angustiam...
É essa mudez que me aflige e que me impede de falar, de gritar...
É esse aceno luminoso que me faz falta...

Imagem

15 de dezembro de 2009

...


Tenho frio...
Sinto-me cansada e sozinha, terrivelmente sozinha...
Só isso...

13 de dezembro de 2009

Espaço de conto

Duas palavras:
absolutamente
recomendável




«Cada espaço ao seu estilo
O Fábulas é um espaço enorme e quase labiríntico (há sempre mais um sítio para descobrir).»

Hamlet

Ontem foi dia de teatro!
Finalmente! Já tinha saudades e as oportunidades não são tantas como isso...

Depois de ter sido deixada pendurada pela minha companhia - e de ter apanhado uma neura monumental por conta disso, claro está! - eis que a minha querida Fee se oferece para ir comigo! (A Fee, que mais uma vez me provou que, quando tudo o resto começa a desmoronar, os amigos estão sempre lá… A Fee, que me conseguiu ontem pôr-me a falar e deitar para fora muitas das minhas angústias que me têm apertado o coração...)

Foi a minha primeira visita ao Estrela Hall, o ninho dos Lisbon Players, uma pequena sala de espectáculos no coração de Lisboa, um conceito e uma aura completamente diferentes do padrão a que estamos habituados.

Quanto à peça, desta vez subiu ao palco Hamlet, de Shakespeare!

Confesso-me absolutamente parcial para com o dramaturgo, que foi, afinal, um dos pontos altos do currículo do meu percurso académico, portanto, quanto ao texto, nada a apontar! Achei que estava bem adaptado e encenado, as personagens muito bem construídas e exploradas.
(Eduardo Ribeiro na pele de Hamlet, aqui à direita! Excelente, por sinal!)

Regressei com uma sensação reavivada de saudades dos tempos da faculdade! Pelo texto, pela aura do teatro inglês, por ter revisto um dos nossos grandes professores (o director da peça) e por poder ter abraçado a Ophelia, a minha antiga colega de estágio e boa amiga, que já não via há tempo demais!

Óptimo e recomendável programa para dar um pouco de cor e sorrisos a um dia que estava a ser demasiado frio e cinzento!
Venham muitos mais como estes (sem ficar pendurada, de preferência).

12 de dezembro de 2009

Vazio

Para tudo há um timing… e se o deixamos passar, quando finalmente voltamos atrás e tentamos recuperar o que pensámos que deixámos em stand by (por um bom motivo, pensávamos nós), já não está lá nada… Só um grande espaço vazio com um gigantesco «E SE» pintado no chão


E quando o percebemos, ficamos completamente desarmados, a odiarmo-nos por não termos aproveitado e arriscado no devido tempo, sem olhar a terceiros nem a susceptibilidades… porque, afinal de contas, quando tudo o resto retomou os carris e avançou, o que restou para nós foi esse lugar vazio… esse maldito vazio

E mais uma vez, sentes-te à deriva, presa aos impossíveis, os que estão junto a nós e àqueles que não vimos como possíveis quando ainda o eram...



Img: Emptiness

11 de dezembro de 2009

Ai as manias...

Circula pelas blogosfera o desafio curioso de enumerar 5 manias e reencaminhar o desafio a outros 5 bloggers.

E o Menino do Mar, mortinho por de curiosidade para saber se as minhas manias são (in)conscientes como as minhas palavras, resolveu desafiar-me a divulgá-las!

E eu, claro, não podia deixar de satisfazer a curiosidade de alguém tão querido!
Desde já, confesso que as minhas manias são bem mais conscientes do que as minhas palavras... ;)
Aqui ficam então 5 das minhas inúmeras manias, sem qualquer tipo de hierarquia.



Mania 1:
Mexer no cabelo
Estar sempre a enrolar uma madeixa do lado direito. Faço-o a toda a hora e em qualquer lugar! Tenho plena consciência disto, mas quando faço-o inconscientemente. Sei que chega a ser irritante para quem está a falar comigo, mas não consigo mesmo evitar.



Mania 2:
Livros
Não me consigo controlar. Se entro numa livraria ou em qualquer superfície que tenha livros à venda, para além de me esquecer as horas a circular pelas estantes, a pegar em livros, a ler sinopses... raramente consigo sair sem trazer um livro comigo. Nestes locais, sou como uma criança na Toys'r'Us em época de Natal! Gosto imenso de ler, é certo, portanto não considero que seja esbanjar dinheiro, mas tenho muitos mais livros do que vou conseguindo ler e se, por um lado, me dá prazer ter o livro que quero à mão, por vezes também me sinto frustrada por não os ler ao mesmo ritmo com que os compro.
Escusado será dizer que ando sempre com um livro na mala. Mesmo que saiba que não vou ter tempo sequer para o abrir.


Mania 3:
Caça ao erro
Ossos do ofício ou não (diria que não, porque esta mania já tem muitos anos), ando sempre atenta aos erros e gralhas - nos livros, nas revistas e jornais, nas legendas dos filmes, nos SMS, sei lá... em qualquer lado onde haja texto! Por norma, ando sempre com um lápis na mala para assinalar os erros que vou encontrando nos livros que leio. Já cheguei mesmo a fazer um levantamento de erros de um livro e enviá-lo depois para a respectiva editora.


Mania 4:
Sapatos
É uma mania relativamente recente e que partilho com a maioria das mulheres da minha faixa etária. Adoro sapatos! Sobretudo de saltos altos!




Mania 5:
Café
Não me considero viciada em café, porque não fico "ressacada" se passar um dia sem beber. Seja como for, já tenho este hábito tão intrincado em mim que não consigo evitar. Acho que até já bebo café inconscientemente. Não começo a trabalhar sem antes ter bebido um café. Nos tempos da faculdade, também não começava as aulas sem passar pelo bar e beber um. Não saio de casa ao fim-de-semana sem que a primeira paragem seja uma pastelaria para tomar café. Até na Alemanha insisti teimosamente em procurar um café decente - em vão, porque até nos poucos locais em que de facto havia expresso, o café era horrivelmente mau.


Imagens:
1. A menina a mexer no cabelo, apanhada pela objectiva da A. 
2. Duas prateleiras da minha estante.
3. O meu fustigado exemplar do Amor em Tempos de Cólera, o tal que mereceu envio de lista de gralhas para a editora.
4. Os meus «Happy Shoes»! Tenho por aí um post sobre eles.
5. Errr... bem... esta não faz bem parte da minha colecção... Mas não me importava que, uma vez de vez em quando, o meu café trouxesse um Clooney de brinde... ;)

.........

E pronto, já está!
Deixo o desafio em aberto a quem passar por cá e que ainda não tenha respondido!

9 de dezembro de 2009

Cumplicidades - Mar



Já me tinha esquecido do fascínio que a imponência do mar de Santa Cruz exerce sobre mim.

Bastou sair do carro e inspirar a brisa para me deixar levar novamente...

Não é um mar clemente e dócil para veraneantes,
mas sim um mar forte, potente,
um dragão cioso de proteger o seu domínio
que, ao mesmo tempo,
nos deixa vislumbrar a sua pureza quase intocável...


Imagens:
Santa Cruz a partir da Formosa,
08 de Dezembro de 2009

7 de dezembro de 2009


(to whom it may concern)

4 de dezembro de 2009

Pequena fuga

Sigo mais logo para sul…

Uma fuga tão breve que poucos notarão a minha ausência…

Bagagem?
Desta vez não levo trabalho, nem projectos, nem família, nem a máscara de todos os dias, nem preocupações ou desesperos…

Levo apenas o amor de três amigos muito especiais, o meu Moleskine e este livro… porque nunca viajo sem os meus sonhos, para onde quer que vá…

3 de dezembro de 2009

Morte reanunciada e triste

Acabo de regressar da faculdade. Falou-se hoje em audiolivros e outros suportes digitais, alternativas, complementos, concorrentes - não sei bem - dos livros em formato clássico. Falou-se nas suas vantagens, de como procuram alcançar e cativar o público...

Entro em casa e tenho à minha espera, em cima da cama, a caixa com o último livro que encomendei online. Também eu comecei a aderir a essa alternativa comercial, por questões sobretudo práticas - porque continuo a não dispensar ocupar um bom tempo em livrarias.

Li há dias um artigo no The Guardian que falava precisamente da diferença abissal que há entre encomendar um livro na Amazon, por exemplo, acto meramente mecânico, e deixar-se enfeitiçar por um livro que "chama por nós" numa estante da livraria, um livro que nem sabíamos que existia:

Contrary to popular belief (...) shopping for books is like shopping for clothes, or a husband: sometimes you don't know what you want until you see it, and this is where a good store comes in. (...) later that same day I made a trip to a new shop, Lutyens & Rubinstein in west London, and there it was, sitting in the window, calling out to me at the top of its voice.

Não ouvi as notícias de hoje. É sempre tudo a correr nos dias de aulas.
Chega-me a notícia por uma amiga, via SMS: a Buchholz entra em liquidação total de stock durante este mês.
Sabia do inevitável e triste fecho da livraria no passado mês de Abril... mas acho que a minha memória selectiva fez com que me esquecesse do facto... Até hoje...

A livraria alemã foi um ícone da minha vida académica. Encontrei lá muitos dos títulos que procurava... Deixei-me encontrar por outros tantos... Preferia o piso de baixo, era lá que se reunia o meu mundo... literatura alemã e inglesa, materiais didácticos... Era uma casa que tinha uma aura quase mística, nada comparada com os espaços comerciais e excessivamente impessoais onde muitas vezes compramos os nossos livros agora... Tinha quase ar de alfarrabista, aparentemente em desordem, mas tudo no seu lugar, afinal...
Constatar, com esta espécie de desmembramento final, a morte de um marco cultural da nossa Lisboa deixa-me desolada e a pensar no que estamos a deixar que aconteça com estes espaços...

Conversa de café I

Coffee break da manhã.
Chegamos ao café, qual de nós mais anestesiado por conta da mistura explosiva de sono+seca+frio.
Olhamos para a mesinha dos jornais e revistas.
Capa da primeira revista da pilha:
Quero fazer sexo em 2010!

Hã?!!
Despertar instantâneo! Já nem era preciso o café!
Reacção:
Olha! Eu também quero!!
(Acho que queremos todos!!)
Mas não me parece que isso seja notícia de capa de revista!

Tudo tem uma explicação lógica (pasmem vocês!!):
- a revista é a Vidas, suplemento do Correio da Manhã
- a menina a apregoar o seu desejo para o novo ano é uma tal de Margarida Menezes, um "jovem talento literário" que escreveu um livro sobre a própria virgindade e que é inclusivamente presidente do clube português de virgens!

Eu não sei por onde tenho andado que não estou a par destas notícias absolutamente essenciais sobre a sociedade portuguesa!

1 de dezembro de 2009

Hipnose



Às escuras, paro e observo.
Lentamente,
deixo-me levar
pelo ritmo hipnotizante do piscar das luzes,
pelo entrelaçado tétrico das contas e das agulhas vivas,
pelo brilho ausente desses adornos de luz...

Desisto de procurar a voz da realidade
e escondo-me
no crepúsculo dos meus sonhos…
Aí, só aí, princesa de branco com lírios nos cabelos,
sou dona e senhora dos meus desejos…

Não estou em paz...
fico por lá até a encontrar...

Ocupação: babysitter


Feriado.
Dia para descansar.
Dia para actualizar leituras.
Dia para passear um bocadito.
Não.
Hoje é mesmo dia de babysitting.
Hoje vou ser eu e o Coelhito juntos o dia todo!

Já vi três episódios do Bob o Construtor (começaram às 8.30, porque isso já não são horas de dormir para o Coelhito!), já comemos Cerelac e já arrumámos o meu quarto, etc...

Agora estou aqui escrevendo isto enquanto o pequeno está ali na estante dos livros a fazer construções com os meus dicionários!

A propósito, não sabia que o Bob e a Wendy viviam no Vale dos Girassóis! Bem giro, por sinal! ;)

27 de novembro de 2009

Everything is possible



When your heart is trying
to tell you something not that far from the truth
just do it!



Só porque esta música me deixa um sorriso nos lábios todas as manhãs e me faz voar e esquecer tudo...

26 de novembro de 2009

Marés



vêm e voltam
trazem destroços da tempestade
levam tristezas deixadas na praia
trazem garrafas com mensagens de sorrisos
levam esperanças de um encontro
trazem a espuma branca das paixões do mar
levam os efémeros castelos por mãos inocentes
trazem a água límpida que lava as lágrimas
levam para longe essas angústias mudas
trazem uma manhã aberta
levam a noite escura e sombria
trazem purificado aquilo que levaram um dia


25 de novembro de 2009

Entre os salpicos do orvalho e as caudas das estrelas

Relembro as curvas e os traços do caminho que me levou até ti... há quanto tempo foi? Já não o sei...

Relembro a descoberta de letras de sonho... bastava fechar os olhos e imaginar... e voava até esse mundo escondido no fundo da tua alma, nesses momentos de magia beijados pela brisa do vento que sopra suavemente vindo do sul... e era aí que me perdia... e vagueava sozinha e secretamente...

Como era mesmo o rasto de pedrinhas que deixaste para que chegasse até ti? Não, não eram pedras... eram salpicos do orvalho da madrugada, e cada um deles cintilava efemeramente, apanhava o meu olhar e logo desaparecia para deixar que o próximo brilhasse... Levaram-me até ti e deixaram-me à tua janela, por onde espreitei e encontrei o teu doce e meigo olhar que contemplava ausente o vazio... Não me viste... Ou assim o pensei...

Olho para trás e descubro que também tu lá tinhas estado à minha janela... tinhas seguido o rasto de uma noite de estrelas e encontrado por acaso este vale encantado onde me escondo... também tu paraste a observar enquanto debruçava o meu olhar sobre um livro... lembras-te de qual era? Sim... aquele que bem reconheceste...

Dir-se-ia talvez que os nossos caminhos se cruzaram... eu diria, porém, que fomos nós que inconscientemente traçámos esse caminho, que soubemos no nosso coração que haveríamos de nos encontrar e reconhecer... Quantas vezes ficámos à janela um do outro, apenas contemplando outro sonhador como nós mesmos? Os passos, os sorrisos, as letras, as cismas? Quantas vezes desejámos secretamente que o outro lá dentro olhasse na direcção da janela e encontrasse o nosso sorriso? E no entanto sabíamos que haveria de chegar esse momento, sem que tivessemos de o pedir...

O nosso encontro?
Algures, a meio caminho entre os salpicos do orvalho e as caudas das estrelas...

Pergunta descaradamente metafórica



Um banho de água fria é...

... um convite a uma gripe
ou
... uma estímulo à resistência
?!!

23 de novembro de 2009

Mudar de telefone

Pois que nas últimas semanas o meu telemóvel decidiu boicotar-me a comunicação e deixar de enviar e receber mensagens se não fosse desligado e ligado quase entre cada mensagem...

Ao fim de muitos stresses, neuras e falhas de comunicação - literais e alusivas - decidi que era tinha mesmo de comprar outro...

Lá fui eu toda feliz ao shopping este fim de semana e trouxe para casa este menino aqui ao lado! :)

Tarefa do serão de hoje: passar os números de telefone de um telefone para o outro (sim, porque o meu cartão SIM guarda pouquíssimos)...
Duas horas e meia e 174 contactos depois... estou aqui com uma cabeça e uma raiva visceral a números de telefone!!!

Mesmo assim, passei por aqui porque esta espécie de brainstorming de contactos me deu que pensar numas coisitas...

- 174 contactos?!! Só no telemóvel, fora os do cartão?! Mas eu lá conheço essa gente toda?!!!

- Há pessoas de quem gosto tanto e com quem já não falo há imenso tempo... e de pessoas que duvido que volte a contactar...

- Tenho aqui números de pessoas que não faço a mínima de quem sejam...

- Aparecem-me aqui números registados com nomes do tipo "Wedding" (?! - será que se ligar para este número sou pedida em casamento, ou assim?!) que eu nem me lembro de ter sido eu a gravar...

- Relembrei que as minhas orientadoras de estágio se chamavam Clementina e Serafina... What are the odds?!

- Descobri que o meu sobrinho de 3 anos me andou a gravar contactos imaginários enquanto brincava a "Pôr números", como ele constuma dizer! (Mas quem me manda a mim deixar o puto brincar com o telefone?!)

- Fiquei com uma vontade enorme de falar com uma pessoa... Porque para pessoas como esta, no nosso coração, dois ou três dias sem saber notícias já é tempo demais...

- Por último, como é típico em mim, estou com uma pena enorme de ter de deixar o velhinho... mesmo apesar dos níveis radioactivos de irritabilidade que ele tem provocado em mim!

Como vêem, isto de escrever números ad nauseam tem efeitos adversos sobre a sanidade mental...
Sobretudo se quando vais aí no contacto 120 um amigo te diz: Mas são os dois Nokia, o velho e o novo, não é?! Podes sincronizar os contactos de um para o outro através do software no PC. Não precisas de fazer isso manualmente!

Vou ali tratar-me e já volto...

22 de novembro de 2009

Viver no campo é...




... estar descansada
à secretária a traduzir,
olhar para a janela 
e ver um dos
perus
do meu pai
a debicar
o vidro...

21 de novembro de 2009

Guilty pleasure confessado

Nada a fazer... É irremediável...
Poderia tentar explicar porque gosto tanto de Robbie Williams e da sua música...
Muitos dos meus amigos olham para mim surpreendidos quando lhes digo isto... uma amiga muito querida disse-me inclusivamente com um sorriso matreiro: Mas... ele é um bad boy... e minha resposta limitou-se à devolução do sorriso matreiro...

Poderia tentar explicar...  mas não... limito-me a deixar isto... directamente do novo álbum...

20 de novembro de 2009

Ao amanhecer...

Os meus olhos abrem naturalmente, como se a noite me tivesse sussurado ao ouvido que não me queria mais inconsciente.
Não. A noite não.
A madrugada. Reina o seu silêncio ainda.
Por entre a rede densa da janela, gotas da luz ainda ténue e tímida do amanhecer salpicam o cortinado.
Sinto-me aconchegada e aninhada.
"Adormeci outra vez enrolada no roupão", penso.
As noites já não são clementes para com os ousados e fustigam-nos agora com um frio cortante.
Sinto-me feliz e acarinhada.
Que doce amanhecer!
Viro-me lentamente e é então que te vejo. És tu, afinal, quem me aconchegou dessa forma tão doce e me protegeu do frio e da solidão.
És tu que estás aqui comigo!
O roupão? Desse não preciso. Ficou na cadeira. Foste tu que o puseste lá, afinal. Eras tu quem havia de me afagar desta vez, não ele!
Sorrio.
Que forma perfeita de despertar, com a tua respiração suave contra a minha nuca e o bater do teu coração em sintonia com o meu!
Beijo-te ao de leve no rosto e digo bom dia bem baixinho.
Os teus lábios traçam um sorriso, depois as tuas pálpebreas levantam o cerco do sono e o teu olhar doce beija-me também.
Não são precisas palavras...

Enrolas-me novamente no teu regaço e prendes-me, como que dizendo para voltar a dormir...
Fecho os olhos e penso... Ainda não amanheceu, talvez feche os olhos e continue a sonhar contigo...


18 de novembro de 2009

O erro de (não) errar

«Errar é humano!»
«É com os erros que aprendemos!»
«De certeza que esse já não voltas a repetir!»
...

São tantos os clichés sobre erros em que nos apoiamos todos os dias... sobre como os evitar, como aprender com eles, como os justificar... mas... e o que se quer realmente dizer com eles?

Pergunto-me tantas vezes porque é que um medo tão grande de errar...

Diria - com pouca confiança, contudo - que tem tudo a ver com o vislumbrar do que vem depois. O mal, o problema, o medo não está em cometer o erro, mas sim em tudo aquilo que vem a seu reboque... a queda, o arrependimento, o desespero por corrigir... como se tudo isso fosse imprescindível, como se todos estivessem à espera nos ver levantar e limpar os estilhaços (e, na verdade, são raras as vezes em que nos cobram por isso... tão raras como aquelas em que alguém para além de nós próprios identificou o erro...)

A questão primordial, no entanto, é que, por conta da todas estas inseguranças e frustrações, acabamos por não viver devidamente. Porque o medo do erro paira sobre a nossa cabeça, deixamo-nos ficar para trás, encostamo-nos envergonhados ao fundo da sala, e deixamos a vida acontecer lá à frente, no palco que fomos convidados a pisar como protagonistas e que cobardemente recusámos.

E entretanto, assola-me a questão:

Porque é que errar tem de ser necessariamente um erro?!

Porque é que errar temos tanta dificuldade em assumir que errar é parte do processo?
Porque é que achamos que tem de haver solução e desculpa?
E porque é que pensamos tanto nestas coisas?...

17 de novembro de 2009

Um ano

Há precisamente um ano atrás embarquei nesta nova aventura profissional… Mais do que uma aventura, uma casa e uma família…

Por algum motivo, duas pessoas que pouco sabiam de mim além do que conto no CV decidiram apostar em mim, confiar em mim e no meu potencial, acolher-me na sua empresa e ensinar-me a sua arte…

Um ano de aprendizagem constante… de momentos de frustração, de momentos de vontade de desistir, virar as costas, mas de outros de vitória orgulhosa por ultrapassar obstáculos, progredir, mostrar que consigo, outros ainda de sorrisos, de gargalhadas…

Um ano a conhecer pessoas novas… a encontrar afinidades, amigos para a vida, ombros que me apoiam e braços que me acarinham…

Um ano a sentir o sufoco do subúrbio caminhar lado a lado com a satisfação de gostar do que faço… Este paradoxo de irritação a par da sensação de pertença…

O balanço é positivo, seja como for! Muito positivo! O meu caminho não se restringirá certamente a esta casa, mas espero pelo menos festejar mais alguns como este!

15 de novembro de 2009

Palavra do dia

em·brace /ım'breıs/ v
1 [I;T] to take and hold (someone or each other)
in the arms as a sign of love



As definições de palavras como esta aspiram meramente a dar uma vaga ideia de tudo aquilo que implicam... São simples, pouco elaboradas e, no entanto, fazem o melhor que conseguem...

Como descrever com palavras sensações que implicam tal intensidade emocional?
De uma forma apenas: sentir...

Sim, é para ti...

Códex vs. e-reader

Pouco menos de um mês de aulas a falar de questões ligadas ao universo editorial e confesso que estou absolutamente surpreendida com o estado das coisas...

Não sei se me intitule de anacronista ou de romântica, mas sinto-me assustada com a revolução digital que se está a instalar... Até há bem pouco tempo, julgava que os e-books seriam uma realidade longínqua e que, mesmo não o sendo, seria apenas um nicho de mercado pouco explorado...

A verdade é que foi entretanto lançada no mercado uma parafernália destes gadgets chamados e-readers...


Kindle (Amazon); Nook (Barnes&Noble)
Cybook  Opus (Booken); E-book Reader (Sony)*

O que é que estamos a fazer ao chamado códex, a forma de livro que conhecemos, usamos e amamos desde sempre?
Quanto a mim, não consigo imaginar-me a restringir a vivência da experiência de um livro sem folhear as suas páginas, sem sentir o cheiro do papel, sem usar eventualmente um lápis para assinalar alguma passagem que me tenha encantado...

Quero acreditar na opinião dos cépticos que continua a afirmar que este novo formato nunca suplantará a versão clássica do livro que, afinal, não sobreviveu por quase 20 séculos por acaso...
Quero acreditar que a maioria de nós consiga olhar para estas novas ferramentas e ver o mesmo que Alan Liu: "os e-books não se comportam como livros, mas como plataformas digitais controversas - e a sua adopção pode provocar distúrbios de atenção entre duas formas (ou mais) de má leitura."**

Seja como for, somos actualmente tão influenciados pelas tendências gerais do mercado global que daqui por uns anos vamos encontrar pessoas sentadas na praia, nos transportes públicos, numa esplanada, com uma coisita parecida com um telemóvel nas mãos em vez de um livro tal como o conhecemos e amamos...



*Apenas alguns exemplos... Há muitos mais...
**Citado do Editorial da LER deste mês

13 de novembro de 2009

Caminhar contigo



Caminhamos pela praia.
Os nossos pés sentem o fresco da manhã que a areia respira.
Sabe bem.

Aproxima-nos e faz-nos pedir sem palavras o calor um do outro.
O teu abraço envolve-me.
Sou pequena, caibo bem no teu regaço.

As pontas dos teus dedos brincam preguiçosamente no meu antebraço, como que querendo aí delinear o nosso caminho.

Por cima do mar, uma centelha do Sol desvia a cortina da névoa matinal e pisca-nos o olho em consentimento e cumplicidade.

Para onde caminhamos, afinal?
Em direcção a nós mesmos...

Porque as ondas da tua voz
lançam sobre mim salpicos de carinho.
Obrigada por isso....

11 de novembro de 2009

Pensamento do dia



A distância é apenas
uma proximidade que foi afastada.

Robert Schumann

10 de novembro de 2009

Balançar

E eu que nem gosto assim tanto (ou mesmo nada) desta menina.... fiquei sem palavras com esta nova música...

É tão minha...

8 de novembro de 2009

Dreammaker

I can see my own reflection mirrored in your dreams.
Distant, thorough dreammaker, your mind materializes pictures of pure perfection.
Your paintings give life to images only shyly imagined and never expressed.
You give beauty to things otherwise never noticed.
Paint me in white and flowers.
Imagine the best of me.
It's only yours.

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Vulnerável

… foi assim que me fiquei a sentir desde ontem à noite.


Noite perfeitamente pacífica. Jantar em casa da amiga. Boa companhia, boa disposição. Depois do jantar, vamos ver a vila à noite que é fantástica. E é. Um pequeno passeio à beira-rio. A vila é sossegada, no pasa nada… Ontem passou. Passou um maníaco alucinado que decidiu perseguir-nos de bicicleta enquanto passeávamos a pé…
Pegámos no carro e mudámos de local. Na outra parte da vila, há um barzinho porreiro. Ok. O idiota também conhece esse barzinho… Voltou a perseguir-nos quando regressávamos ao estacionamento… apalpou-me e fugiu…

Tudo bem, não foi grave!
Mas assim como fez esta brincadeira de adolescente, ou de parvo, como queiram, teria tido igual oportunidade de nos assaltar ou atacar a sério, o que quisesse…

Não sou menina de ter medo de andar sozinha. Nunca fui.
Mas ontem assustei-me.
Percebi que, afinal, sou vulnerável.
Não ter medo não é sinónimo de estar imune a ameaças estranhas…
Percebi que estou cansada de vaguear pelo mundo sozinha sem ter alguém que me proteja…



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7 de novembro de 2009

Pedro Paixão oferece livro


Descobri na OML deste mês que Pedro Paixão decidiu disponibilizar na íntegra o seu livro A Cidade Depois, um conjunto de textos escritos in loco no rescaldo do 11 de Setembro.
Segundo consta, disponibilizou-o gratuitamente online pois a obra, leitura recomendada para os alunos do 10º ano, esgotou nas bancas.
A OML diz "a isto chama-se intervir directamente na distribuição".
Eu pergunto: é um gesto de altruísmo puro (e sê-lo-á!), ou também uma forma de marketing?

Quanto a mim, que confesso, mea culpa, desconhecia a existência deste livro, fiquei curiosíssima e lá fui ao site fazer o download...

6 de novembro de 2009

Até sempre, Becky...

A minha Becky decidiu esta noite deixar de viver. Após 12 anos de vida, e à entrada do Outono, esta Husky doce achou que era suficiente e partiu...

Tenho um nó na garganta que me aperta faz brotar lágrimas nos olhos de cada vez que penso nisso. Por saudades, pela lembrança, mas também por que sinto que lhe dei pouca atenção nos últimos tempos...

A Becky era um bichinho lindo e misterioso, com um olho castanho e outro azul, absolutamente independente e elegante. Quando era novita, costumava deitar-se por baixo da mesinha do telefone e quando se levantava, levantava-se com ela a mesa e saltava o telefone, a jarrinha das flores e tudo o resto que lá estivesse...

De vez em quando passava-se e roía os pés das cadeiras, mas era adorável...

Quando a minha mãe considerou que ela estava demasiado grande (e peluda) para dormir em casa, mudou-se para um canil especialmente construído para ela, que dava para a janela do meu quarto...

Era extremamente forte... quando a levava a passear, era frequente ser arrastada ou mesmo cair por conta dos puxões dela...

No Outono e na Primavera, quando mudava de pêlo, lá tinha de a escovar, o que ela simplesmente detestava! Costumava sentar-se teimosamente no chão para eu não lhe escovar a cauda, fugia sempre que possível, mordia a escova, ... usava de todas as estratégias para boicotar o meu trabalho...

Tinha medo de carecas! Parece absurdo, mas é verdade! Enroscava o rabito entre as pernas e escondia-se onde pudesse quando se aproximava o meu tio careca! Adorava o meu pai, mas tinha-lhe um respeito sagrado, por conta da sua careca!

Afinal de contas, 12 anos de lembrança guardam em si muitas histórias...

Sinto que não fui grande dona e companheira nos últimos tempos... e isso aperta-me mais o tal nó na garganta... Desde que a Boobie foi lá para casa, é claro que foi ela se tornou a minha companheira... Tenho espaço no coração para as duas e para todos os outros, mas não tinha tempo para tanto...

Eu sabia que ela andava abatida e cansada já há uns dias, mas tenho chegado a casa tarde... da minha janela, a noite já não me deixava vê-la... Não ia ao pé dela já há uns dias... perdi a minha oportunidade de me despedir...


Grãos de Razão ao vento

A Razão foge-me pelos dedos...
Quero agarrá-la, mas não consigo.
Diluiu-a o instinto e o sabor doce do carinho,
transformou-a em voláteis grãos de areia.
Quero segurá-la,
trazê-la para junto de mim,
fazer dela minha aliada,
mas o vento não permite
e leva-a para longe...

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