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6 de outubro de 2014

Alma & Prudence


«She always admired you, child! Think of what you must have looked like to her, when first she came here! Think of all you knew, of your capabilities. She always tried to win your admiration. You never offered it, though. Did you ever once praise her? Did you ever once see how hard she worked, to catch up with you in her studies? Did you ever admire your talents, or did you scorn them as less worthy than your own? (…)»
«I have never understood her admirable qualities.»
«No, Alma – you have never believed in them. Concede it. You think her goodness is a posture. You believe her to be a charlatan.»


Todas as medalhas têm um reverso. Todas as histórias têm duas versões. Todas as opiniões têm duas (ou tantas!) interpretações. Tantas vezes aquilo que para uma das partes é esforço e trabalho árduo para ser mais e melhor, para conquistar apreço, é, para a parte oposta, demonstração de arrogância e altivez...


(Este livro tem sido uma frustração, pela leitura, muito mais lenta do que o esperado, e pela própria narrativa, que segue todos os caminhos que eu não quero ver seguir, mas a verdade é que tenho encontrado nele alguns heads-ups interessantes a respeito da natureza humana...)

22 de abril de 2011

Vargas Llosa e os males de amor

- Para tudo isso não há como leite de magnésio - respondeu-me, deixando-me sem ânimo sequer de rir. - Já sei, há-de parecer-lhe um materialismo exagerado. Mas, ouça-me, tenho experiência de vida. A maior parte das vezes, as chamadas penas do coração, etc., são más digestões, feijões manhosos que não se desfazem, peixe estragado, prisão de ventre. Um bom purgante fulmina a loucura de amor.
Mario Vargas Llosa, A Tia Júlia e o Escrevedor 


Anunciado na sinopse como "grande comédia", A Tia Júlia e o Escrevedor do mais recente Nobel da Literatura está repleto de passagens como esta.
O truque para inovar em temas que estão mais do que explorados e gastos passa muito por aí: ironia inesperada...

23 de novembro de 2010

Pensar e(m) escrever


Sim, é verdade.
Paramos um bocadinho para pensar e faz sentido - quantas vezes o que escrevemos não acaba por se tornar aborrecido precisamente por não deixar nada para ser sugerido?

Ser demasiadamente descritivo pode ser uma forma de segurança, mas também pode tornar-se aborrecido...

Não há duas mãos que escrevam exactamente da mesma forma. 
A escrita é como uma impressão digital. 
Mais, a escrita pode ser um reflexo, um impulso. 

Assim mesmo, quando/se escrevemos para 'sermos lidos', podemos pensar sair um pouco das nossas palavras, procurar uma visão mais panorâmica e olhar para elas como olharia quem as lê, para perceber o que poderá soar bem ou mal, o que é desagradável e o que capta a atenção. É um exercício interessante.

Um fim-de-semana a falar de escrita e de literatura foi matar saudades de qualquer coisa que me é vital, além de me dar oportunidade de pensar mais em todas essas questões relativas à escrita, ao desenvolver de ideias, dar-lhes corpo (interessante) e uma estrutura...
Bom, muito bom!
Pena que tenha sido um fim-de-semana só!

26 de outubro de 2010

Da felicidade


... a vida concede a cada um de nós
raros momentos de pura felicidade.
Às vezes são apenas dias ou semanas. Às vezes anos.
Tudo depende do nosso destino.
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Carlos Ruiz Zafón
Marina

19 de agosto de 2010

Caminhos que se bifurcam


Acreditava em infinitas séries de tempos, numa rede crescente e vertiginosa de tempos divergentes, convergentes e paralelos. Esta trama de tempos que se aproximam, que se bifurcam e se cortam ou que secularmente se ignoram, abrange todas as possibilidades.

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O Jardim dos caminhos que se bifurcam, que o seu autor defende ser um policial, é antes toda uma reflexão sobre o Tempo, a sua não-linearidade, o entrecruzar dos mesmos tempos para as mesmas pessoas que, em cada um deles, vivem decisões diferentes...
Num mesmo tempo acontecem em simultâneo todas as hipóteses - ficar e seguir, dizer sim e não, aceitar e recusar, conhecer e ignorar...

Em qual desses planos entramos nós?
E como fazer para saltar entre eles e experimentá-los, escapar à condenação da linearidade?...



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Começo a nutrir um enorme carinho pela forma como Jorge Luis Borges abre as portas a planos completamente diferentes, insólitos e impossíveis, partindo sempre do que é palpável e real. Um eremita que cria um ser a partir do seu sonho, uma sociedade pacífica cuja lei passa a ser o Acaso, o tempo que deixa de ser linear e permite todas as possibilidades, uma terra que não existe mas que está documentada numa enciclopédia...

E porque o início da viagem é sempre o nosso real, quando chegamos ao último ponto, não conseguimos fechar de imediato o plano da ficção e eliminar o seu efeito sobre nós...

2 de maio de 2010

Tango

O tango é violência.
Um homem e uma mulher procuram-se aflitivamente e,
assim que se encontram,
fogem um do outro.
Voltam a juntar-se e deixam-se de novo.
É a dança de um amor sem fim.

Lição de Tango, S.C.Modignani

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E será
o tango a dança de um amor sem fim
ou
o amor um tango não coreografado?...

7 de novembro de 2009

Pedro Paixão oferece livro


Descobri na OML deste mês que Pedro Paixão decidiu disponibilizar na íntegra o seu livro A Cidade Depois, um conjunto de textos escritos in loco no rescaldo do 11 de Setembro.
Segundo consta, disponibilizou-o gratuitamente online pois a obra, leitura recomendada para os alunos do 10º ano, esgotou nas bancas.
A OML diz "a isto chama-se intervir directamente na distribuição".
Eu pergunto: é um gesto de altruísmo puro (e sê-lo-á!), ou também uma forma de marketing?

Quanto a mim, que confesso, mea culpa, desconhecia a existência deste livro, fiquei curiosíssima e lá fui ao site fazer o download...

1 de setembro de 2009

Crónicas de dias de Sol I

- Leituras na silly season -


Terminei ontem de ler o Romance na Toscana, de Elizabeth Adler, a minha escolha para estes dias de Verão. Romancezinho com pouco por dizer… uma história de amor comum, pejada de clichés, quase a tombar para o "chick lit", ideal como leitura de praia, onde se quer reflectir pouco. Uma nota especial para o sentido de humor da autora, muito bom, que ainda me valeu umas boas gargalhadas perante o olhar desconfiado dos meus amigos. Recomendável precisamente para isso: relaxar, desanuviar e sorrir.

A propósito de leituras de Verão, dei comigo a pensar que, de facto, em altura de férias, coisas sérias são (ou deveriam ser) evitadas ao máximo.

Foram duas semanas em que, para além do dito romance, devorei tudo quanto eram revistas cor-de-rosa que me foram surgindo pela frente… muitas vezes, apenas folheando e olhando preguiçosamente "para os bonecos", como costumo dizer…


E pergunto-me:

sou só eu que, durante as férias, procuro fugir de tudo quanto é a dura realidade que a imprensa dita séria nos faz o favor de alimentar constantemente? Sou apenas eu que prefiro cingir-me às baboseiras dos VIPs e a um pequeno pedaço de ficção que me leva para um sítio bem melhor e mais bonito?...

Imagem I: foto da R., braço do G.,
Pipoca mais doce minha e mar de Sesimbra
Imagem II: Romance na Toscana
Imagem II: banca de revistas da web

7 de junho de 2009

Palavras & papel

Mesmo no caso daqueles que consideram a sua letra menos bonita - a minha não o é: sou esquerdina, a letra é irregular e inconstante e varia bastante consoante o meu estado de espírito - a vida das palavras assim criadas parece ter uma maior força...

29 de maio de 2009

Novos amigos


Queria só apresentar publicamente os meus dois novos cúmplices!
Em vez de andarem por aí à deriva, que sítio melhor para acolher as minhas palavras inconscientes do que estes "fashionable" Moleskines?!
Tinham de ser cor-de-rosa, obviamente!