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22 de agosto de 2011

Pedir chuva

«Estás a pedir chuva!»
Bem que nos avisam e bem que insistimos teimosamente.

Cuidado com os teus desejos. Eventualmente acabam por ser-te concedidos. Em doses pouco saudáveis e difíceis de gerir, algumas vezes.

O sabor de uma chuva fresca numa noite de Verão pode ser refrescante, revigorante. O efeito imediato é extraordinário. Queremos mais. Dizemos que sim, que é mesmo daquilo que precisamos. Deixamo-nos ficar até que a roupa se nos cole à pele. Dançamos com ela noite dentro, até porque , afinal, pedimos a sua companhia e agora que a temos queremos tirar todo o partido dela.

Já pedi chuva algumas vezes, achei que recebê-la era uma bênção … e acabei por apanhar sempre daquelas gripes que se arrastam por semanas e mesmo meses....

Erro.

O truque não está em pedir chuva, chamar por ela. Como qualquer fenómeno da Natureza, é livre, não é suposto ser controlada ou controlável. Ela há-de chegar quando entender. E recebê-la assim, que vem ao nosso encontro pelo próprio pé, é tão melhor e tão mais natural! E, como ela, também nós somos livres de ir ao seu encontro ou de então optar por nos protegermos e limitar-nos a admirar à distância os seus passos de dança...

Assim sendo, caro Mayer Hawthorne,
deixo-te com os teus pedidos.
Quanto a mim,
quero antes receber a chuva de braços abertos
quando ela quiser vir ao meu encontro. :)

21 de abril de 2011

"Só" um café...

Pequeno coelhito de quatro anos entra em casa e, com ares de autoridade, avisa:

- Tia, o pai diz que já podes arrumar o carro na garagem!

- Ok bichinho, mas a tia não o vai arrumar porque vai sair depois do jantar para tomar café.

Fica a olhar para mim com ar pensativo por uns instantes até que lança a sugestão:

- Tomar café? Então podes ir lá à nossa casa. Temos uma máquina de café e o café é muito bom!


- Er.... obrigada, mas a tia já tem o café combinado noutro sítio.

- Oh, mas se é só para beber café podias ir lá a casa!


"" para beber café"?!
Ok, puto, pára de tentar boicotar-me os planos!
A tia um dia explica-te a metáfora do "café"...

12 de abril de 2011

Coisas que eu já devia saber


Quem ainda precisa de canadianas para andar
não se devia aventurar a fazer
trekking...

1 de fevereiro de 2011

Snapshots


Surgiu diante de mim no sábado à tarde.
Assim mesmo.
Tão intenso que até a minha pequenina câmara o conseguiu captar.
Tão bonito que me fez travar!
São metáforas assim que nos fazem suster a respiração!

Seguir-se-ia um (re)encontro há muito prometido.
Uma tarde bonita.
Mais bonita do que fria.
Apesar do vento cortante de Santa Cruz. 

31 de janeiro de 2011

Água que brilha na água


Refugio-me sob a dança da chuva 
num esforço para fugir das lembranças que correm atrás
de mim. 
Um estacionamento. Dois lugares.
Um almoço combinado em cima do joelho. 
Banal. Fast food. Sublime. Amor.
Renasce tudo.
Já não quero estar ali. Já não quero comer.
Fujo. Tão depressa quanto posso. 

Chove. Melhor. Os pingos pintam o caminho das lágrimas.
Jardim solitário.
O velhote ao fundo que se abriga a si e ao cão 
debaixo da copa da árvore grande. 
Não me vê.

As poças de água do caminho reluzem.
Juro que se reflectem os raios de um Sol que hoje 
não existe.
É aquele efeito estranho. Água que brilha na água. Ilusão.
Neste jardim, tudo se cobre de cores de Inverno hoje. 
Não ajuda.
Mas eis que no meio da relva,  
entre mais castanhos do que verdes,
surge o branco, enfim.  
Asas claras que nascem improvavelmente no meio 
de tanta opacidade, de tanta ausência.
Desafiam as leis da gravidade e lá estão elas.
Um milagre. 
E no entanto tão simples e comuns.

E entretanto a chuva passa. 
O cinzento persiste lá em cima,
mas isso é porque o Sol está aqui em baixo,
do outro lado da objectiva. 

28 de Janeiro de 2011
Jardim de Alverca

7 de janeiro de 2011

CM - Concordance match*

Seria tão mais fácil se na vida, tal como nas ferramentas de tradução, fosse possível encontrar uma correspondência perfeita, uma resposta que preencha a 100% os requisitos que andamos à procura, assim automaticamente...

Perder-se-ia um bocadinho do efeito-desafio, mas certamente facilitaria muita coisa...



* Divagações que resultam de um
excesso de distracção
enquanto se trabalha...

27 de junho de 2010

Atravessar


O caminho é solitário, mas o destino não. Sozinha, atravesso como tantos outros aquela que personifica a união, em jeito de rebeldia contra essa distância naturalmente imposta.


Pergunto-me o que pensam todos esses rostos que vêem muito para além do que está à sua frente. Pergunto-me o que os esperará do outro lado.

Pergunto-me se eles farão as mesmas perguntas silenciosas sobre mim e o que vou fazer quando captam distraidamente o meu perfil pelo canto do olho… Conseguirão eles ver nos meus traços qual o destino para onde sigo?...

O trânsito pára. Não me surpreende nem me aborrece já… O tempo não é o que mais importa agora…

Deixo os outros rostos e olho lá para baixo.

As correntes desenham aquilo que sonho serem fios condutores de histórias sopradas por ninfas apaixonadas que assim decidem a linha da vida dos mortais que não desconfiam sequer da sua existência, quanto mais do seu poder sobre nós.

Sonho que nessas linhas instáveis e livres se desenha também o meu caminho. Sonho que algures no percurso já está desenhada esta paragem na ponte, no limbo, e que, mais à frente, depois de muitos entrecruzamentos, muitos desejos, muitas fugas, o desfecho também já lá está.

Sonho que por serem amantes do amor, também elas se decidam por fazer aportar essas linhas aparentemente sem rumo certo em portos pacíficos e abrigados da tempestade, onde possam enfim entrelaçar-se em nós perfeitos e certos.

O trânsito retoma o seu andamento. Os olhares retornam à consciência e seguem caminho… Mais à frente, o porto para as suas linhas espera-os...


sonhado a 09 de Junho de 2010

24 de junho de 2010

Uma espécie de supernova

Não nasce de outra coisa, não foi regado nem alimentado para crescer.
É uma espécie de supernova que, inesperadamente, irrompe no céu, invocando forças que ninguém sabe bem de onde vêm, e faz-se notar, bela, cheia de vida, cheia de brilho.

Tão intensa que custa olhar directamente para ela.
Tão luminosa que a sua aura emana e propaga-se pela escuridão.
Inacreditavelmente audaz, assume-se segura num céu que já é de outros, num céu que parece estar já suficientemente pontuado de luz.
E, no entanto, este mesmo céu nunca mais será o mesmo sem o seu brilho...


~ we're reaching out for the stars ~

18 de janeiro de 2010

This woman








This woman is crazy
Comes around now and then
And shouts some words at me.

She's wrong most of the times
But it's times when she's right
She really gets to me.

So I pray
Not to see her again
Everytime she comes around
******

Vejo esta mulher como uma Sra. Consciência, a quem se admite a razão ao mesmo tempo que se quer desesperadamente fugir a ter de o fazer... Uma senhora que perdidamente atraente e contudo intimidante...

Estou absolutamente encantada com o trabalho destes meninos portugueses!!!

Sean Riley & The Slowriders
"This Woman"
Only Time Will Tell



12 de janeiro de 2010

(Último*) pensamento do dia



Diz a minha professora de Revisão:
Este é um
sujeito complexo.
E acrescenta em tom resignado:
Acontece...


Podia dar-vos o contexto da frase, mas acho que perdia a piada...
Perdia, não perdia?!...
Decidam vocês quem é o sujeito...


* Último porque entrei em modo vegetativo
pouco tempo depois de ter ouvido isto...
Dia demasiado longo e cinzento...

26 de novembro de 2009

Marés



vêm e voltam
trazem destroços da tempestade
levam tristezas deixadas na praia
trazem garrafas com mensagens de sorrisos
levam esperanças de um encontro
trazem a espuma branca das paixões do mar
levam os efémeros castelos por mãos inocentes
trazem a água límpida que lava as lágrimas
levam para longe essas angústias mudas
trazem uma manhã aberta
levam a noite escura e sombria
trazem purificado aquilo que levaram um dia


25 de novembro de 2009

Pergunta descaradamente metafórica



Um banho de água fria é...

... um convite a uma gripe
ou
... uma estímulo à resistência
?!!

8 de novembro de 2009

Dreammaker

I can see my own reflection mirrored in your dreams.
Distant, thorough dreammaker, your mind materializes pictures of pure perfection.
Your paintings give life to images only shyly imagined and never expressed.
You give beauty to things otherwise never noticed.
Paint me in white and flowers.
Imagine the best of me.
It's only yours.

Imagem

7 de julho de 2009

Lua lua


Lua lua, porque me observas assim?
Porque perscrutas o meu olhar, iluminando-o dessa forma?
Procuras resposta a alguma pergunta?
Procuras desvendar o meu segredo?
O que queres tu de mim?

Porque me segues furtiva enquanto caminho?
Acaso queres descobrir para onde me dirijo, onde me escondo?
Ou será que desejas apenas proteger-me?
Iluminar o percurso, impedir que tropece nas pedras?
Despertar-me para os obstáculos?
Afugentar os seres clandestinos, predadores que se ocultam nas sombras?

Porque me acompanhas dessa forma?
Porque te devotas a ser minha companheira silenciosa?
Porque roças subtilmente a tua aura na minha pele?
Assustas-me. Encantas-me. Enfeitiças-me.
Não deixes de iluminar a minha noite.

26 de junho de 2009

Esboço

Por onde se começa um esboço?

Um qualquer traço,
uma marca,
um objecto,
uma ideia…
qualquer coisa,
pequena ou grande,
discreta ou óbvia,
não importa…
desde que capte o olhar…

E depois?
Depois pegas em emoções,
olhares,
toques,
traços da essência do ser
que nos inspira,
que se vai revelando ao sabor
do tempo,
das ideias,
da carícia do vento no seu rosto,
do sorriso despoletado pela ternura de um gesto,
do olhar indignado por algo que o revolta,
do toque na ferida que afinal ainda dói,
do mimo que o faz renascer…

Não é um esboço parado, imóvel,
uma fotografia de uma imagem imutável!
Não!
É antes um esboço vivo,
uma criação permanentemente em metamorfose,
uma imagem que se constrói a si mesma,
que deixa antever não a forma,
mas a essência…

17 de fevereiro de 2009

Uma flor entre pedras



Como é que um ser tão frágil e belo pode nascer entre pedras?!
E, mesmo aceitando esse absoluto contra-senso da Natureza, como é ela capaz de sobreviver nesse meio?!...

7 de janeiro de 2009

A Lua e o Sol

E vá-se lá saber porquê, é tudo bem mais simples do que imaginávamos!

De repente, apercebes-te de que afinal não é a Lua que brilha por causa do Sol, mas sim a Terra que é iluminada por causa dos raios da Lua!

É tudo uma questão de perspectiva! E essa luz, claro, irradia com a ajuda e a força do Sol! O que é importante é que ela continua lá, mesmo que o Sol decida não olhar para ela – escondida, oculta, mas lá! Igualmente fantástica, mas discreta e invisível!




De repente, apercebeste-te de que a Lua, sem saber, está novamente a irradiar uma luz inacreditavelmente bela, ofuscante mesmo! E o que aconteceu? Quem sabe? Quando voltam a avistá-la no horizonte, ela sorri com os seus raios, agora novos e reforçados capaz de iluminar milhões, mas inconsciente disso!

Inexplicável, mas belo!