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23 de abril de 2011

Caracóis dourados e um sorriso

Na esplanada, de costas para o Tejo, o Sol teima em toldar-me a vista. Maldigo o momento de distracção que me levou a deixar os óculos dentro do meu carro, à porta de casa da Z. Cansada de proteger os olhos com as mãos, viro-me o rosto para o lado por instantes.

A olhar atentamente para mim por cima das costas da cadeira, encontro uns pequeninos olhos verdes que sorriem, uns caracolinhos dourados a espreitar por baixo do boné do Winnie the Pooh e uma voz doce que me diz  algo que não entendo à primeira. Ao lado, os pais sorriem e 'traduzem':  "É um atrevido! Está a pedir um gelado, não lhe ligue!"

Volto a fitar o seu olhar luminoso. Sorrio para ele. Sorri de volta e atira o boné para o chão. Apanho-o e oiço, agora muito perceptivelmente, "Obrigado!" E este foi um jogo de atirar boné ao chão + "Obrigado" que se repetiu por diversas vezes até que, à despedida, recebo um muito atabalhoado "Feliz Páscoa!" (incitado pelo pai, claro!) acompanhado de um sorriso aberto e de mais um "Obrigado!"

Fiquei a pensar porque é que aquele sorriso aberto e aqueles caracóis dourados despertaram tanta empatia em mim até que, finalmente, reencontrei a imagem do pequeno Gui. e relembrei a sua voz animada ao fundo, no telefone, enquanto conversava com o seu pai...  E a recordação é tão doce que me enche de um sentimento que não sei descrever...

Fiz um amiguinho de três anos e fiquei a pensar que às vezes é tão mais fácil comunicar com pequenos do que com adultos...




Tentei encontrar aquela música que o Gui. 
gostava de ouvir no carro contigo ,
mas não consegui...
Lembras-te?

21 de dezembro de 2009

Um Cometa de pura inocência

Este aqui ao lado é o Cometa em pleno festim alimentício!
Chegou ontem a casa e é o presente de Natal de um bebé extraordinário para uma tia muito muito babada!

O Coelhinho andou a manhã inteira a rondar a árvore de Natal cá de casa e os presentes debaixo dela. Só lá coloquei os presentes este fim-de-semana, por isso ainda não os tinha visto! É claro que a surpresa foi enorme e, determinado, não descansou enquanto não descobriu a quem pertencia cada embrulho!

Constatou muito admirado e indignado que a tia Anna não tinha lá nenhum presente ao pé dos dele...

De tarde, passámos por uma loja de animais para comprar comida para os canários do Pai e piriquitos para oferecer à Bisa. Enquanto nos atendiam, eis que o Coelhito pára muito sério a olhar para os peixinhos.
Puxa pelo casaco da Mãe:

Olha peixinhos como o outro da tia! 
Podemos comprar um para dar à tia?
Assim ela já tem um presente!

E pronto, claro que toda a gente ficou encantada com o gesto absolutamente delicioso deste pequenino reguila mas tão doce! E claro que o Cometa veio para casa, depois de uma viagem atribulada dentro do saquito de transporte a balançar nas mãos do Coelhito!

Ah! E enquanto a funcionária lá "pescava" o Cometa do aquário, o Coelhito, sempre defensor da verdade, aproveitou para lhe dizer:

Temos de comprar um novo porque o outro peixinho da tia morreu.
Foi a tia que lhe deu comida demais!

:S Ups...
Era excusado denegrires assim a imagem da tia!!!
Uma no cravo, outra na ferradura, não é, bichinho?!

Este menino consegue ser o meu raio de luz
quando tudo o resto se afigura demasiado escuro...
Obrigado por existires, pequenino!

14 de outubro de 2009

Mozart escreve uma carta de amor

O livro que me tem feito companhia nos últimos dias tem-se revelado uma delícia!
E por entre as muitas cartas de amor, umas mais banais, outras no mínimo curiosas, encontrei esta que não resisto a transcrever!
Sim, Mozart, o génio musical, escreve de Dresden para a sua amada Constanze esta carta tão sui generis, que provavelmente não associaríamos nunca à figura que a escreveu! Um encanto!

(Desculpem-me pelos apartes a amarelo, mas não consigo evitar deixar comentários...)

Para Constanze (1789)
Querida mulherzinha, tenho vários pedidos a fazer. Peço-te que

1 - não estejas triste, (Doceeee!)
2 - olhes pela saúde e tenhas cuidado com as aragens primaveris, (Ah pois! Nem tudo é amor! E não há amor que resista a uma gripe! Naquele tempo, a clássica era bem mais mortal! Apaixonado, mas precavido!)
3 - não saias sozinha - de preferência não saias de todo, (Que é lá isso de andar por aí sozinha?!)
4 - tenhas a certeza absoluta do meu amor. Até agora nunca te escrevi uma única carta sem ter diante de mim o teu querido retrato, (Opah! Isto é amoroso!)
5 - peço-te para que a tua conduta seja cautelosa, não só para a tua honra e a minha, mas pelas aparências. Não te zangues por te pedir isto. Devias amar-me ainda mais por dar valor à tua honra,
6 - e, por último, peço-te que envies mais pormenores nas tuas cartas. (E pois que as aparências naquela época deviam causar mossas das grandes!)
(…)
Imagens:
Cartas de Amor de Grandes Homens, org. Ursula Doyle, Bertrand, 2009
Tom Hulce interpretando Mozart no filme Amadeus

30 de setembro de 2009

Viver no campo é...

... ver uma galinha
a atravessar uma
estrada nacional!
Não, não foi
num becozito da aldeia
nem numa estrada secundária!
Foi mesmo
em plena estrada nacional!!

21 de setembro de 2009

Let's tango!

Os testes e quizzes do Facebook têm tanto de irritante como de viciante!

E como nestes dias tenho chegado a casa em estado de dormência intelectual, pois que vou perdendo tempo com isto...


Fiz este ontem e fiquei com um sorrisinho condescendente nos lábios quando vi o resultado... Sim, tem muito a ver comigo, não apenas o estilo, mas em particular a descrição...




20 de setembro de 2009

Crónicas de dias de Sol IV

- H., o chauffeur -


Das férias, faltava ainda este pequeno relato, sem o qual as crónicas ficariam decerto com uma lacuna.

Já aqui disse que os meus dias de Sol deste ano foram de muitos sorrisos, dos que se vêem, mas também daqueles que só nós sentimos cá dentro. E muitos deles foram, pois, produto da encantadora companhia!

Nestas férias, eu e a R. contámos com um inesperado chaperon, que nos acompanhou, mimou, fez-nos as vontadinhas todas, aturou o nosso mau feitio e... SOBREVIVEU!! É um resistente ele!!

Mas digno de crónica mesmo é a sua condução!!!

Eu até sou uma menina forte e (suficientemente) equilibrada, que poucas vezes se assusta e nunca com o tipo de condução de quem me leva.

Mas o nosso chauffeur H. conseguiu efectivamente tirar-me do sério um destes dias!!

Juro que julguei não sobreviver no regresso a casa de um dos nossos dias de praia! No banco de trás, fechava os olhitos de cada vez que aquela alminha pensava em ultrapassar um carro - ou uns 5, por vezes - numa estrada pouco consistente e cheia de movimento!

E depois, como se não bastasse, cavalheiro preocupado como é, a dada altura, acha por bem virar-se para trás para perguntar se está tudo bem! Virar-se para trás?!!!! Então e olhar para a estrada, não?! É claro que mereceu o berro estridente: H., VIRA-TE PARA A FRENTE, PAHHH!!!!

Não contente, uns minutos mais à frente, não sei o que passa por aquela cabecita alucinada, mas eis que a alminha acha por bem abrir a porta em pleno andamento! WTF?!!!

O homem parecia determinado em matar-me, se não fosse pela condução, então de ataque cardíaco!
Ai que desejei tanto que aquela viagem terminasse depressinha...

Imagino o H. a ler estas palavras e, na cabeça dele, o pensamento:

Se estás aqui para contar a história e "denegrir" a minha imagem enquanto condutor, então é porque não foi assim tão mau!

Pois estou cá, mas a custo!!
Cá para mim, isto foi a vendetta por ter de nos aturar, a mim e à R. ...
Seja como for, conto aquela viagem como uma near-death experience...

E da próxima vez já sei: a R. leva os comprimidos para o enjoo, e eu levo os calmantes...


Escusado será dizer que,
depois da minha reacção histérica,
o pequeno ficou bem mais comedido (um querido) ao volante...
pelo menos connosco...
Quanto ao resto, ele não conta para não ralharmos, suponho!
;)

4 de agosto de 2009

Está beeeem! Parte II

Há uns meses atrás, fui surpreendida por uma quantidade estranha de pessoas que diziam ter-me visto num spot publicitário... (que, a propósito, já está novamente disponível no site, caro Swadharma! - É o dos 9,99 cêntimos.) Teoria essa reforçada por uma tia que já não via há um bom tempo e que insistiu igualmente que me viu na TV....

E pronto... a coisa passou... até que, há uns dias, vou eu buscar o meu PC velhote que estava em convalescença no gabinete informático do costume e, ao entrar, o técnico vira-se para mim com um olhar acusador e diz:

- Você usa óculos, não usa?
E eu:
- Sim, esporadicamente!
- Tem-nos aí? Ora ponha-os lá, se faz favor!!!
E eu, receando pela sanidade mental da alminha, e também pela minha integridade física, pois é perigoso contrariar pessoas assim, lá assenti, ainda que hesitante...
Ponho os óculos no rosto e solta-se o grito do triunfo:
- Eu sabia! Eu bem que sabia!!! Você é igualzinha a uma das protagonistas do Mental!!



E pronto, mais uma pseudo-sósia para a minha colecção!

A verdade é que eu nem conhecia a série, mas é claro que depois deste episódio, tive que fazer as minhas pesquisas... Aparentemente, sou parecida com a Annabella Sciorra... Confesso que não vejo em quê, mas enfim...

Pronto... se calhar os óculos (quando os tenho)... e a postura... e o cabelo... e os brincos...

(Se calhar estou na
profissão errada...)

2 de julho de 2009

Casar...

A Di vai casar este sábado. Depois de cerca de 8 anos de namoro e de 3 de vida em comum, ela e o seu R vão finalmente oficializar esta história de amor que me enternece de forma indescritível cada vez que penso nela.

Conheci a Di na faculdade e foi aí que nos tornámos colegas e cúmplices. Seguimos caminhos diferentes entretanto, mas o facto de nos vermos com raridade e de, mesmo assim, sentirmos a mesma empatia de sempre, é a subtil confirmação de que seremos sempre amigas, longe ou perto.

Quando a conheci, o R já fazia parte da sua vida, e era com serenidade e naturalidade que dizia, descontraidamente, que ele era o homem da sua vida. Banal na maioria dos casos, mas neste, sentia-se nitidamente a aura da autenticidade. Facto é que quem os vê não precisa sequer que nenhum dos dois o declare, pois torna-se mais do que óbvio que aqueles dois são um só!

Oficializar a relação como o vão fazer este fim-de-semana é apenas um mimo extra a uma relação já de si tão encantadora. Necessário não seria mas, no caso deles, parece-me fazer todo o sentido.

A Di e o R são com toda a certeza a prova cabal de que histórias de amor com um fio contínuo de felicidade a traçar-lhes a rota do futuro são afinal, e apesar de tudo, uma realidade! E porque tão raras de encontrar, tão mais especiais e significativas…

Aos meus dois amigos, toda a felicidade que seja possível encontrar!!

9 de junho de 2009

Sempre a aprender!

Acho que nunca o mencionei por aqui, mas tenho um coelhito espertalhão e espevitado a saltitar pela casa quase todos os dias! É impossível não sorrir quando ele anda por perto com as suas lógicas e conclusões.


Estávamos hoje os dois no sofá à espera do resto da família para jantar, perdidos nas nossas conversas altamente profundas, e o que saiu da lá foi isto:

(a conversa tinha a ver com comidas e bebidas de que gostávamos...)

- Coelhinho, gostas de ovos?
- Sim!
- E de onde vêm os ovos?
- Das galinhas!
- E o leite?
- Das cabritas!
- Boa! E das vaquinhas também! E de onde vêm os bifes, sabes?
- Sei!! Do Pingo Doce!

E pronto, com esta ficou aqui a tia sem reacção... E, acreditem ou não, isto é beeem frequente...

O V* é o meu fantástico sobrinho!
Tem 2 anos e 8 meses e uma lábia inacreditável!
Já para não falar da energia!
Para a tia, é e continuará a ser sempre
o meu Coelhinho...