19 de março de 2013

Engano de Roth... ou o desengano da Anna


Chego ao fim deste livro e concluo que a minha perspectiva da literatura é demasiado 'clássica', se é que isso se pode dizer...

Quero e preciso de saber o mais possível sobre as personagens. Andar meio às cegas, ter de deduzir (sem seguranças) quem é quem, sem nomes nem locais, ter quase só fotogramas em jeito de flashbacks, para mim, não chega para me encher as medidas enquanto leitora.

O livro só me "apanhou" no último terço, em que finalmente o narrador "põe ordem na casa" e, ainda que inadvertidamente, deixa deduzir relações e intenções.

Se a obra de Roth se define por estas linhas, então não me chegará a encantar... Problema meu quem, talvez por serem contemporâneo, esperava encontrar em Philip Roth um outro David Lodge...


17 de março de 2013

O valor do trabalho

Há dias pediram-me para fazer um orçamento para a tradução de um documento. Um documento de uma área técnica específica e que me ocuparia cerca de dois dias e meio de trabalho. Fiz o orçamento, de acordo com os parâmetros habituais, e enviei-o. Há 9 dias atrás. Não obtive qualquer resposta de quem mo pediu. Nem um "Não obrigada! É muito caro, não posso pagar!", nem tão pouco um "Que abuso, vá roubar outro!"...

Andei uns dias a pensar na possibilidade de ter feito um orçamento ridiculamente astronómico, de ter abusado, de poder estar a sobrevalorizar o meu trabalho...

E entretanto, ontem, enquanto conduzia à noite, dei por mim a fazer contas... Por dia, o meu trabalho vale apenas mais 5 euros do que o da senhora da limpeza.* A quem se paga sem discutir, tão simplesmente porque nós não o faríamos melhor.

Poderia questionar o valor do trabalho dela e o valor do meu, mas isso seria totalmente falacioso, porque cada um deles vale o que vale.

A senhora da limpeza não faria o meu trabalho, mas eu também não faço o trabalho dela tão bem como ela. Nem tenho tempo para isso, já que as 7 horas (no mínimo) que ocupo por dia a fazer o meu trabalho são horas que não posso dedicar ao trabalho que ela assume. E, até ver, os dias ainda têm 24 horas para cada ser humano.

Da mesma forma que nos indignamos por dentro quando o canalizador nos apresenta o orçamento do arranjo dos canos do lavatório da cozinha. Indignamo-nos, mas acabamos por aceitar e pagar porque nós não fazemos o trabalho dele. E precisamos que ele seja feito.

Valerá o trabalho do canalizador ou da senhora da limpeza mais do que o da tradutora? Ao ponto de nem uma resposta merecer, mesmo que negativa?!...



*Sendo que eu pago impostos sobre esse valor e ela não, 
mas isso são outros quinhentos...

28 de janeiro de 2013

Chewbacca



Sabes que a Guerra das Estrelas não é coisa para ti quando percebes que sempre pensaste que o Chewbacca era este...




12 de dezembro de 2012

Girls will be girls


A poucos dias de festejar o primeiro aniversário, a mais nova da família já dá uns passinhos, sorri muito (muito mais do que há uns meses atrás), fala pouco, pede muita atenção a toda a gente, mexe em tudo e come como gente grande!

E a poucos dias do seu primeiro aniversário, continuo a conter uma vontade imensa de reivindicar o direito de fazer dela uma princesinha de vestidos rodados, boleros de lã e sapatinhos de ballerina! Mesmo que seja uma princesinha rechonchuda que ainda tropeça nos próprios pés e muda rapidamente para o modo-gatinho quando está com pressa para chegar a algum lado.

Dizem-me que para uma bebé de colo andar de vestidos não é muito prático. Talvez um dia venha a perceber esse argumento, se algum dia for mãe duma menina. (Pelo que vejo, no Inverno, um bebé de colo anda sempre todo "enchouriçado", não importa o que tem vestido...) Neste momento, não me apetece perceber. Apetece-me comprar-lhe vestidos e saias e lacinhos para o cabelo. E a mãe diz-me que lhe fazem falta conjuntos de calças e camisolas. E o meu subconsciente torce o nariz... 

11 de dezembro de 2012

Praguejar...



Pior do que escrever uma asneira num espaço de leitura pública é escrevê-la com um erro ortográfico…
Poder-se-ia até pedir um bocadinho de zelo, mas… bem vistas as coisas, é uma asneira…

Dá-me vontade de fazer como aos miúdos e entoar a palavra:
Então diz-se "báta-se" ou "batásse"?!!

14 de novembro de 2012

A Educação Musical de Anna XXV


A ti, que me trouxeste até eles!
Parabéns!

[Mumford & Sons ~ Little Lion Man]

7 de novembro de 2012

True...


Yeap... penso nisto de cada vez que a net ou a electricidade falham e eu fico parada a olhar para o computador... 
(E nem as enciclopédias em papel me salvam...)

Palavras inconscientes II


Quando era mais nova, diziam-me que com a idade se vai perdendo a inocência e ganhando paciência. Nessa altura, ansiava pela segunda e temia a primeira… Olho para trás e percebo que quem me disse isso sabia do que falava…

Talvez não me tenha tornado assim tão mais paciente do que era há uns anos atrás, mas  aprendi seguramente a desesperar menos, a dominar a pressa, a tolerar as contrariedades…

Quanto à inocência (alguma vez a chegamos a ter?), ou antes a ingenuidade, sinto-a cada vez mais a toldar-se pelas sombras da realidade. É impossível levar abanão atrás de abanão e continuar com a mesma segurança de sempre. Cada vez mais percebo que as boas acções ficam apenas para quem as pratica. Consta que sou boazinha. Talvez. Mas não sou nenhuma Madre Teresa. Se faço as coisas por prazer, ou por amizade, ou por amor, o que for, posso não querer retribuição mas espero ao menos reconhecimento. Espero que um dia qualquer olhem para mim e pensem: Bolas, já estive no lugar dela uma vez. E como é que ela agiu nessa altura? Não é assim que funciona, no entanto. O caminho daqui para a Lua nem sempre é o mesmo que o da Lua até aqui. Então, para quê preocupar-nos? Para quê pensar nisso (como dizia alguém ainda há pouco ao meu lado no sofá)?... E assim vamos aprendendo a querer saber cada vez menos... Vamos observando com um olhar mais atento e menos inocente e vamos percebendo que cada vez vale menos a pena querer saber… E vamos eventualmente ganhando em sanidade mental…

31 de outubro de 2012

Alemão - Quê?!!


Pensando bem... nunca se sabe quando é que uma pessoa terá de se desenvencilhar a comunicar com alguém da Terra Média...

26 de outubro de 2012

Constatação

Ao arrumar  de volta na estante os dois volumes do Dicionário Houaiss que estive a consultar, apercebo-me de que provavelmente serei ser a última pessoa que ainda recorre a dicionários e enciclopédias em papel...