7 de novembro de 2012
Palavras inconscientes II
Quando era mais nova, diziam-me que com a idade se vai
perdendo a inocência e ganhando paciência. Nessa altura, ansiava pela segunda e
temia a primeira… Olho para trás e percebo que quem me disse isso sabia do que
falava…
Talvez não me tenha tornado assim tão mais paciente do que
era há uns anos atrás, mas aprendi seguramente
a desesperar menos, a dominar a pressa, a tolerar as contrariedades…
Quanto à inocência (alguma vez a chegamos a ter?), ou antes
a ingenuidade, sinto-a cada vez mais a toldar-se pelas sombras da realidade. É impossível
levar abanão atrás de abanão e continuar com a mesma segurança de sempre. Cada
vez mais percebo que as boas acções ficam apenas para quem as pratica. Consta
que sou boazinha. Talvez. Mas não sou nenhuma Madre Teresa. Se faço as coisas por
prazer, ou por amizade, ou por amor, o que for, posso não querer retribuição mas
espero ao menos reconhecimento. Espero que um dia qualquer olhem para mim e pensem:
Bolas, já estive no lugar dela uma vez. E como é que ela agiu nessa altura? Não
é assim que funciona, no entanto. O caminho daqui para a Lua nem sempre é o
mesmo que o da Lua até aqui. Então, para quê preocupar-nos? Para quê pensar
nisso (como dizia alguém ainda há pouco ao meu lado no sofá)?... E assim vamos
aprendendo a querer saber cada vez menos... Vamos observando com um olhar mais
atento e menos inocente e vamos percebendo que cada vez vale menos a pena querer saber… E vamos eventualmente ganhando em sanidade mental…
31 de outubro de 2012
Alemão - Quê?!!
Pensando bem... nunca se sabe quando é que uma pessoa terá de se desenvencilhar a comunicar com alguém da Terra Média...
26 de outubro de 2012
Constatação
Ao arrumar de volta na estante os dois volumes do Dicionário Houaiss que estive a consultar, apercebo-me de que provavelmente serei ser a última pessoa que ainda recorre a dicionários e enciclopédias em papel...
10 de outubro de 2012
2 de outubro de 2012
Snobs debaixo do braço
Suponho que também haja algo de snob nesta
mania incorrigível de andar sempre sempre com um livro, mesmo sabendo que em
determinados dias não terei sequer a oportunidade de o abrir. Será mais defeito
do que feitio, mas gosto de o encarar como um hábito, como o de quem não sai de
casa sem o relógio ou o telemóvel…
Snob ou não, nos últimos dias têm andado comigo
outro tipo de snobs… os de Thackeray.
Esta colectânea de ensaios de Thackeray é inevitavelmente datada, espelhando em tom satírico a sociedade sua contemporânea, com todas as hipocrisias e caricaturas sociais, virtudes ocas e méritos de fachada. No entanto, alguns destes snobs não deixam de ser actuais, não pelas vestes e pelos contextos, mas sim pelas atitudes e pelos princípios subjacentes aos mesmos. Podemos lê-los à luz do séc. XIX, ou podemos fazer o exercício de as imaginar como metáforas dos nossos dias… E um toque de sátira sabe sempre tão bem…
Esta colectânea de ensaios de Thackeray é inevitavelmente datada, espelhando em tom satírico a sociedade sua contemporânea, com todas as hipocrisias e caricaturas sociais, virtudes ocas e méritos de fachada. No entanto, alguns destes snobs não deixam de ser actuais, não pelas vestes e pelos contextos, mas sim pelas atitudes e pelos princípios subjacentes aos mesmos. Podemos lê-los à luz do séc. XIX, ou podemos fazer o exercício de as imaginar como metáforas dos nossos dias… E um toque de sátira sabe sempre tão bem…
Sempre admirei (...) essa exibição de graduação hierárquica que a última criaturinha aqui mencionada (que ainda há pouco levara uns bons açoites por escrever com muitos erros) vá comandar grandes guerreiros de barbas brancas (...); graças ao dinheiro que tem passa à frente de homens com mil vezes mais experiência e mérito do que ele (...) e acabará por receber todas as honrarias da profissão enquanto o soldado veterano que comanda não tem, pela sua bravura, outra recompensa que não seja uma cama de hospital (...)
"Sobre alguns snobs militares"
O Livro dos Snobs
27 de julho de 2012
Macacos e galhos
No final de cada um destes últimos dias,
o pensamento mais
recorrente na minha cabeça tem sido…
mas se os mecânicos não se metem em assuntos
de literatura, porque é que uma menina de literatura se há-de meter em assuntos
mecânicos?!
26 de junho de 2012
22 de junho de 2012
30 de maio de 2012
Pensamento do dia
All women become like their mothers.
That's their tragedy.
Oscar Wilde
Curioso como determinadas mudanças nos levam a mudar para ser aquilo que jurámos nunca vir a ser. Inconscientemente, quero crer. Até ver, todas as futuras mamãs que diziam que não viriam a assumir um discurso excessivamente "maternal" não conseguiram cumprir com a sua palavra...
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