Há momentos e pessoas na vida que nos fazem acreditar que
tivemos direito a um lugar especial na escala dos estatutos e dos tratamentos.
Pessoas que nos sentam do seu lado direito e permitem que assistamos com vista
privilegiada à forma de tratamento que merecem os demais, os comuns. E nós, não
comuns, mas sim especiais, vamos achando que aquele lugar é cativo e eventualmente
retribuimos a concessão com um lugar igual ao nosso lado.
No entanto, por vezes acabamos por perceber que esse lugar
que nos foi concedido não tem nada de cativo ou permanente. É tão efémero
quanto a vontade de quem o concede. E, aos poucos, constatamos que não somos
diferentes coisíssima nenhuma, passamos de especiais a comuns e começamos a
receber exactamente o mesmo tratamento que antes apenas observávamos…
Na verdade, são muito poucas as pessoas que realmente consideram que merecemos ser especiais. E muitas vezes essas pessoas cingem-se apenas e só ao círculo familiar directo, incluindo por vezes alguns amigos genuínos...
Sou ingénua, sei que sim. Prefiro salientar o melhor que há nas pessoas, prefiro acreditar em coincidências e acasos, mas do que intenções... E gostaria de manter-me assim...






