A olhar atentamente para mim por cima das costas da cadeira, encontro uns pequeninos olhos verdes que sorriem, uns caracolinhos dourados a espreitar por baixo do boné do Winnie the Pooh e uma voz doce que me diz algo que não entendo à primeira. Ao lado, os pais sorriem e 'traduzem': "É um atrevido! Está a pedir um gelado, não lhe ligue!"
Volto a fitar o seu olhar luminoso. Sorrio para ele. Sorri de volta e atira o boné para o chão. Apanho-o e oiço, agora muito perceptivelmente, "Obrigado!" E este foi um jogo de atirar boné ao chão + "Obrigado" que se repetiu por diversas vezes até que, à despedida, recebo um muito atabalhoado "Feliz Páscoa!" (incitado pelo pai, claro!) acompanhado de um sorriso aberto e de mais um "Obrigado!"
Fiquei a pensar porque é que aquele sorriso aberto e aqueles caracóis dourados despertaram tanta empatia em mim até que, finalmente, reencontrei a imagem do pequeno Gui. e relembrei a sua voz animada ao fundo, no telefone, enquanto conversava com o seu pai... E a recordação é tão doce que me enche de um sentimento que não sei descrever...
Fiz um amiguinho de três anos e fiquei a pensar que às vezes é tão mais fácil comunicar com pequenos do que com adultos...
Tentei encontrar aquela música que o Gui.
gostava de ouvir no carro contigo ,
mas não consegui...
Lembras-te?

