23 de abril de 2011

Caracóis dourados e um sorriso

Na esplanada, de costas para o Tejo, o Sol teima em toldar-me a vista. Maldigo o momento de distracção que me levou a deixar os óculos dentro do meu carro, à porta de casa da Z. Cansada de proteger os olhos com as mãos, viro-me o rosto para o lado por instantes.

A olhar atentamente para mim por cima das costas da cadeira, encontro uns pequeninos olhos verdes que sorriem, uns caracolinhos dourados a espreitar por baixo do boné do Winnie the Pooh e uma voz doce que me diz  algo que não entendo à primeira. Ao lado, os pais sorriem e 'traduzem':  "É um atrevido! Está a pedir um gelado, não lhe ligue!"

Volto a fitar o seu olhar luminoso. Sorrio para ele. Sorri de volta e atira o boné para o chão. Apanho-o e oiço, agora muito perceptivelmente, "Obrigado!" E este foi um jogo de atirar boné ao chão + "Obrigado" que se repetiu por diversas vezes até que, à despedida, recebo um muito atabalhoado "Feliz Páscoa!" (incitado pelo pai, claro!) acompanhado de um sorriso aberto e de mais um "Obrigado!"

Fiquei a pensar porque é que aquele sorriso aberto e aqueles caracóis dourados despertaram tanta empatia em mim até que, finalmente, reencontrei a imagem do pequeno Gui. e relembrei a sua voz animada ao fundo, no telefone, enquanto conversava com o seu pai...  E a recordação é tão doce que me enche de um sentimento que não sei descrever...

Fiz um amiguinho de três anos e fiquei a pensar que às vezes é tão mais fácil comunicar com pequenos do que com adultos...




Tentei encontrar aquela música que o Gui. 
gostava de ouvir no carro contigo ,
mas não consegui...
Lembras-te?

22 de abril de 2011

Vargas Llosa e os males de amor

- Para tudo isso não há como leite de magnésio - respondeu-me, deixando-me sem ânimo sequer de rir. - Já sei, há-de parecer-lhe um materialismo exagerado. Mas, ouça-me, tenho experiência de vida. A maior parte das vezes, as chamadas penas do coração, etc., são más digestões, feijões manhosos que não se desfazem, peixe estragado, prisão de ventre. Um bom purgante fulmina a loucura de amor.
Mario Vargas Llosa, A Tia Júlia e o Escrevedor 


Anunciado na sinopse como "grande comédia", A Tia Júlia e o Escrevedor do mais recente Nobel da Literatura está repleto de passagens como esta.
O truque para inovar em temas que estão mais do que explorados e gastos passa muito por aí: ironia inesperada...

21 de abril de 2011

"Só" um café...

Pequeno coelhito de quatro anos entra em casa e, com ares de autoridade, avisa:

- Tia, o pai diz que já podes arrumar o carro na garagem!

- Ok bichinho, mas a tia não o vai arrumar porque vai sair depois do jantar para tomar café.

Fica a olhar para mim com ar pensativo por uns instantes até que lança a sugestão:

- Tomar café? Então podes ir lá à nossa casa. Temos uma máquina de café e o café é muito bom!


- Er.... obrigada, mas a tia já tem o café combinado noutro sítio.

- Oh, mas se é só para beber café podias ir lá a casa!


"" para beber café"?!
Ok, puto, pára de tentar boicotar-me os planos!
A tia um dia explica-te a metáfora do "café"...

18 de abril de 2011

A educação musical de Anna XVIII

De uma doçura que leva a fechar os olhos e sorrir...
De um projecto multidisciplinar que dá vontade de conhecer...



Todos os domingos à noite 
deviam mostrar-nos coisas assim...

17 de abril de 2011

Isso é pra meninas!

2h da manhã.
Chego à província já a desesperar pela almofada.
Operação stop.
(Na província, bolas?!!!)
O guarda pede os documentos. Tudo ok.

- A menina já bebeu?
A primeira resposta que me ocorreu foi:
- Como assim já bebi! Quer dizer se já bebi alguma vez na vida ou se já bebi hoje?
Opto pela resposta politicamente correcta.
Uma análise semântica naquele momento era capaz de não cair muito bem...
- Sim.
- Então desligue o carro e venha comigo. Conte lá, o que é que bebeu?
- Uma cerveja de framboesa (Timmersmann's).
O guarda pára e olha para mim com ar desapontado.
- Oh menina?!! Uma cerveja de framboesa?! E isso é lá coisa que se beba?
- Tem razão, senhor guarda. Se é para beber, ao menos que seja alguma coisa que bata como deve ser, não? Olhe, vá se lá saber porquê, optei por beber de forma responsável!
- Oh! Isto assim não tem graça! E eu a pensar que a prendia hoje... 


Então, recapitulando, a ver se percebi bem:
para não ser uma desilusão aos olhos da autoridade, da próxima vez convém beber alguma coisa que efectivamente me altere os níveis de álcool no sangue...



16 de abril de 2011

For the record

Sim, estou a ressacar com a tua ausência!
Mais do que tenho conseguido admitir!

Fico feliz por terem descontinuado o Fio de Prumo e que isso me tenha obrigado a ligar-te para resolver o impasse.
Fico feliz por precisarem dos teus dados de identificação na Barata e que isso me obrigue a ligar-te novamente.
Fico feliz por confiares em mim e por poder ser útil.
Fico feliz por deixar de ser parva e racional, esquecer a coisa chata do roaming e ligar-te a meio da minha tarde, quando me apetecia mil vezes relaxar numa esplanada à conversa contigo enquanto aproveitamos o sol e um sumo natural.
E tudo isso deixa-me assim um bocadinho mais perto de ti!


A demanda pelos manuais para a sr.ª professora Cérise foi bem sucedida!
(E reavivou inesperadamente o bichinho do mundo do ensino...)
Estão cá quase todos em casa, a preparar-se para seguir para os correios.

A minha cadela é que não está lá muito satisfeita com a coisa dos manuais, já que se deitou encostada ao saco dos manuais e ele tombou para cima dela!
Manuais «peticidas»!!!

15 de abril de 2011

Hmmmm...




... estava ali a escrever um post sobre as 'comichões' que o acordo ortográfico me está a causar no trabalho mas... bolas, é occupational hazard e eu já tive a minha dose disso por hoje...

I'll think about that tomorrow...

12 de abril de 2011

Coisas que eu já devia saber


Quem ainda precisa de canadianas para andar
não se devia aventurar a fazer
trekking...

11 de abril de 2011

Pezinho a tremer por baixo da mesa

Falta de concentração e nervoso miudinho a tomarem conta.
Não saber como dominar a situação nem conseguir decidir uma forma de abordagem.
Querer relaxar e pensar noutras coisas e não conseguir.

Aaaargh!!!

O pezinho treme.
A perna treme com ele.
A secretária vibra ligeiramente, como que em extensão do meu corpo.
As mãos falham as teclas.
O olhar falha as palavras.
O ritmo da mente acompanha o do pé.
A luz do sol lá fora...
Preciso de parar para pensar.
Não. De parar para não pensar.

Verbalizar costuma ajudar...
Não está a ajudar...

Aaaargh!!!

Do presente que ainda não aconteceu

Este fim-de-semana uma senhora leu-me as cartas.


Não identifiquei nada do que ela me disse em relação ao passado.
Não reconheci o que me disse quanto ao presente.
Não consigo perspectivar o que me disse sobre o futuro.


E no entanto, 
antes de me levantar da mesa, 
pegou num papel que depois me colocou na mão com um sorriso 
e onde se lia o seguinte:


Oiça o passado pensando no presente

E nesse momento arrepiei-me porque isso, sim, fazia todo o sentido...