13 de dezembro de 2010

Pensamento do dia

    
Para desistir também é preciso
ter muita 
coragem...

10 de dezembro de 2010

A educação musical de Anna XII

Estou a fazer o trabalho de casa, S.!
Obrigada, estava a precisar de flutuar um bocadinho...



Li algures que é como "um disco para você pensar na vida, em dias chuvosos - de preferência"...
Sim, é isso...

Até os rochedos desabam um dia...

... e nesse dia perdemos a capacidade de reagir...

A minha mãe não chora.
Raramente chora.
E quando o faz, certifica-se de que ninguém se apercebe.
A minha mãe é dura na queda.
É aquela que reage com frieza quando mais ninguém o consegue.
É aquela que não perde as forças apesar da tempestade...

Mas hoje chora.
Chora de cada vez que começa a falar.
Chora e eu nem sei como ajudar quem nunca precisou de ajuda.

Essa maldita doença começou a pairar.
Primeiro a tia G. Depois a tia R.
Sobrevive-se e resiste-se.
Depois o desemprego do pai, a incerteza, o rasto da fraude que lhe retirou a estabilidade numa idade em que é cedo demais para a reforma e tarde demais para novo emprego.
Avança-se e prossegue-se.
Agora o avô.
A idade que lhe rouba as capacidades, no corpo e na mente.

E neste momento, até a rocha cede perante a sucessão de vagas.
E cede com toda a legitimidade.
Eu sei.
E eu estou aqui.
O melhor de mim pode não ser muito, neste momento, mas está aqui para ajudar...
Um passo de cada vez...

Constatação

Não, ao contrário dos gatos, os hamsters não caem de pé.
Estatelam-se mesmo no chão como se fossem uma batata.

Pois que a Josefina ontem passou-se ao meu colo e, entre os meus braços e ombros, improvisou uma manobra de diversão altamente perigosa e desafiadora das leis da gravidade e acabou por se atirar para o chão. Ora 1,5 m de queda em realidade de rato é capaz de ser o quê? Quatro andares?

Juro que gelei quando ouvi o baque do embate no chão e a vi completamente atordoada no meio do chão!

Aquilo passou-lhe, aparentemente. Ela mexer-se bem e tudo mais, mas a verdade é que a bichinha está com um comportamento estranho...

8 de dezembro de 2010

Finding the right gift is... a gift!

        
Há uns dias atrás, uma amiga extravasava no Facebook a sua frustração pela imensa dificuldade em encontrar os presentes certos para cada pessoa... Exasperada, dizia que preferia que as pessoas lhe dissessem com todas as letras o que queriam receber.

Respondeu-lhe uma outra amiga que a ideia dos presentes de Natal é precisamente encontrar algo que tenha um pouco de nós e um pouco da pessoa que o vai receber.
Responder a um mero pedido 'queima' o espírito.




Não podia estar mais de acordo!
Por toda uma série de factores (orçamentais, sobretudo), a tarefa pode tornar-se complicada, mas o desafio de encontrar algo em que convirjam traços nossos e traços da pessoa que o vai receber tem tanto de complicado como de aliciante!

No meio de toda a correria e confusão e o pensamento recorrente do "estou cansada, deixo o resto para amanhã", dá um gozo imenso encontrar finalmente o presente, que sabemos que deixará com certeza um sorriso de reconhecimento nos lábios de quem o vai desembrulhar!

A tarefa torna-se tanto mais fácil quanto mais pontos de interesse comuns tenhamos com a pessoa em causa, claro. Mas, ainda assim, são os casos em que as ideias brilhantes não são tarefa fácil que dão ainda mais gozo no final!

Andei à caça de presentes de Natal, hoje (pois...)!
Felizmente, parece que metade da população tratou dessa tarefa no feriado e no fim-de-semana passados, já que o caos do shopping era perfeitamente aceitável!
Estão ainda por surgir algumas ideias luminosas e essenciais, mas admito que boa parte dos presentes estão despachados!

7 de dezembro de 2010

Fio


O fio que me mantém à tona perdeu a sua força.
Agora basta um ligeiro toque para partir...
Os sinais da depressão começam a ser demasiado evidentes e eu já não tenho mais como os camuflar...
Faltam-me as forças...


(Por aqui, não é que falte a vontade de escrever... apenas não consigo escrever nada com um tom que me agrade deixar aqui...)

6 de dezembro de 2010

Ok, Agualusa, captaste a minha atenção

    
A realidade 
sofre com frequência 
de surtos psicóticos.

~ Milagrário Pessoal ~

3 de dezembro de 2010

A educação musical de Anna XI

Há músicas com um poder sinestésico inexplicável...
Não, não chegam apenas ao ouvido...
Não, nem sequer é aí que chegam em primeiro lugar...

follow the flame 
or fall on the floor


[Vesuvius ~ Sufjan Stevens]


2 de dezembro de 2010

«Então, nevou na tua terra?»

Perguntaram-me durante o coffee break se tinha nevado na minha terra esta noite.

Pergunto-me se andam a levar-me demasiado à letra quando digo que "moro na província" e me imaginam de imediato a viver numa aldeia recôndita na Serra da Estrela ou coisa que o valha...

É ironia, amigos! Estou só a 35 kms da capital!

E sendo que não moro em nenhum ermo no alto duma montanha (o que é do conhecimento da pessoa que perguntou) então diria que a pergunta é... hmm, deixa ver... PARVA!!!

1 de dezembro de 2010

Verdades

Saído de um tribunal onde se ouviram versões contraditórias do mesmo acontecimento, o senhor Valery disse:
 - A única hipótese de a verdade sobreviver é multiplicá-la. Se a verdade é uma única, e a mentira pode ser todos os biliões de possibilidades que restam, então, descobrir a verdade será quase impossível: um acaso milagroso; e a mentira, pelo contrário, aparecerá sempre, em todo o lado.
 E para exemplificar o que dizia, o senhor Valery fez um desenho
- O que é preciso é ter tantas verdades como mentiras - disse o senhor Valery. (E desenhou)
 - …ou então… - e o senhor Valery não conseguiu deixar de fazer um sorriso irónico, enquanto desenhava
 - …ou então - concluiu o senhor Valery - é necessário ter uma única hipótese para a mentira. 

Gonçalo M. Tavares, O Senhor Valery 
~ ~ ~ ~ ~

Há dias, as verdades afectaram uma amizade na minha vida de tal forma que ditaram o seu fim.

Porque não era uma amizade válida, portanto.
Porque admitindo então que "cada um tem a sua verdade"*, então um amigo estaria disposto a aceitar a verdade do seu par. Não a aceitá-la para si, como sua, mas simplesmente a admitir a sua existência.

Não falamos de verdades, mas sim de opiniões e aí sim, cada um tem a sua.
Não imponho a minha sobre quem me rodeia, limito-me a partilhá-la com quem o quiser, mas também não admito que a questionem e, pior, que a usem para me atacar...



*Citando-te...