7 de novembro de 2010

Chegar ao fim de um bom livro...

                        

... é como desembocar finalmente na entrada de uma clareira inundada pelo Sol, depois de uma corrida vertiginosa ao longo de páginas e páginas de personagens e locais...

Sentimos os aromas pelo caminho, partilhamos as angústias, as sensações, as descobertas das pessoas que vamos encontrando pela mão do protagonista...  Com ele andamos cautelosamente, corremos desesperados em fuga, gritamos de susto, sustemos a respitação e suspiramos por finalmente chegar a um porto de abrigo...

Seguimos ao ritmo da passagem pelos estreitos e pelas pontes que nos levam de capítulo em capítulo, saltamos obstáculos, abrandamos por momentos para reflectir...

E no final, o passo acelera, as palavras voam à nossa frente... Avançamos, corremos e, ao virar a última página, enfim, chegamos ao destino que o autor desenhou para nós... Nesse momento estacamos, curvamo-nos sobre o abdómen para recuperar o fôlego e voltamos a erguer-nos, olhamos à nossa volta enquanto revemos mentalmente todo o percurso desde o primeiro passo no caminho...

Se o livro é bom, então desejamos ardentemente encontrar um beco, uma entrada de gruta, uma aberta subtil entre as árvores da floresta, que nos leve a percorrer mais e mais, porque histórias boas deixam sempre o leitor a querer mais e mais!

~ ~ ~ ~

Zafón tem o dom de nos levar por caminhos assim. A chegada à clareira da última página de cada um dos seus romances deixa-nos sempre na expectativa de descobrir a passagem para mais e mais...

Sendo anterior aos seus dois grandes êxitos em Portugal, não perde por isso em intensidade, poder e ritmo. O imaginário, o espaço e as personagens deixam já antever o estilo do próprio autor e levam-nos para locais que, juramos, já começamos a conhecer, mesmo sem nunca lá ter estado...

Para quando mais?



4 de novembro de 2010

Bublé

Foi bom, muito bom, o concerto! Melhor do que esperava!
O menino tem uma óptima presença em palco, é extremamente natural e emana bom humor! Brincou sobre ele, sobre a banda, sobre nós até!

Sim, a sua voz ao vivo é exactamente aquilo a que estamos habituados, sem qualquer expectativa defraudada, muito pelo contrário! É tão intensa que arrepia cada pelinho do corpo! E arrepiou - especialmente no final, fechando o concerto com uma música a capella e 'sem' microfone, a chegar a um Atlântico inteiro fascinado!

Além disso, fazer-se acompanhar com uma banda assim, bem, é revestir o azul de ouro!

Quanto ao ambiente do concerto, bom, confesso que esperava uma convenção de histeria, fortemente feminina. My mistake. A audiência era muito mais heterogénea do que se imaginaria e com gente não doida (a grande maioria, vá), mas sim com bom gosto e vontade de ouvir boa música e um espectáculo agradável.



[ Me and Mrs. Jones]

E pronto, siga-se agora para outros departamentos musicais...
e tanta coisinha boa de ouvir a saltitar pela capital...

2 de novembro de 2010

Wonderful tonight


Bublé... E os bilhetes já foram comprados há tanto tempo que, há dias atrás, já nem me lembrava do concerto...
Devidamente 'rememoriada' agora, a expectativa foi retomada!

Dei por mim estes dias, no carro, a ouvir o álbum dele que estava mais ou menos perdido no porta-luvas... Parei com a música em baixo...

Poder-me-iam perguntar porque é que, a poucas horas do concerto dele, escolho uma música que nem sequer é original dele...
Porque além de adorar o arranjo feito, esta música é especial e conta uma história...

Uma história de dois adolescentes apaixonados que escolheram uma música de gente grande como a sua música. Escolha insólita, mas tão nossa, tão ao nosso jeito... Como todas as histórias de amor do tempo de escola, também esta é agora uma doce recordação, apenas, cujas imagens se projectam na mente ao som desta música...

Mas isso são só recordações*!
Por agora, venha lá uma noite grande hoje!



[Wonderful tonight ~ Michael Bublé feat. Ivan Lins]

*o que acaba por servir para dar resposta à
pergunta-desafio
à qual não consegui dar resposta no momento em que foi lançada.
A ideia era nomear
uma música que fosse especial,
de alguma forma marcante...
Não é a única,
mas é sem dúvida uma delas...

29 de outubro de 2010

Quente



Caem sobre nós gotas quentes de Sol, do calor que, ao longo dos dias estivais, foi sendo secretamente desviado para parte incerta. Ou quase...

Escondida nas nuvens áureas que adornavam esses dias, uma rainha desconhecida, senhora das gotas de orvalho e das tempestades de gelo, foi colhendo os raios sorridentes que, imprudentes como gaivotas em busca de alimento, apontavam o mergulho em direcção ao espelho do mar e depois batiam em ricochete rumo ao azul celeste...

Agora, caem os primeiros salpicos, ainda quentes, anunciando a entrada em cena do Outono, esse velho contador de histórias que, de costas para o mar, vai pintando fábulas em tons sépia sobre as clareiras e as florestas e deixando cair folhas amarelecidas com poemas sobre essa maravilhosa soberana que não se caminha senão sobre um leito de cores de fogo e, paradoxalmente, sob um manto de vento fresco em tons de cristal.

Trazem consigo o cheiro do calor, ainda, esses primeiros salpicos divinos que caem em nós. Sorrio ao senti-los acariciar-me a pele do rosto e ao vê-los pousar quase imperceptivelmente sobre as madeixas do teu cabelo, aí se detendo por instantes antes de se fundirem no nosso próprio calor, que é, afinal, a sua verdadeira essência. Pequenas fadas mensageiras de Titânia, trazem em beijos o prenúncio confiante de que o Verão acabará por regressar.






Para o desafio de Outubro,
com o tema O cheiro da chuva.



28 de outubro de 2010

Inquieta

Está qualquer coisa prestes a acontecer...

26 de outubro de 2010

Da felicidade


... a vida concede a cada um de nós
raros momentos de pura felicidade.
Às vezes são apenas dias ou semanas. Às vezes anos.
Tudo depende do nosso destino.
~~~~
Carlos Ruiz Zafón
Marina

25 de outubro de 2010

Uma semana depois

Regressada de uma semana de férias quase perfeita, eis que finalmente recomeço a pôr ordem nas coisas.
O ritmo desde que regressei tem sido vertiginoso. E ainda bem. Voltei com energias renovadas... e sem quaisquer vestígios de jet lag!

Actualizado o Through my eyes (com as fotos das férias pelo menos), ficam então as minhas impressões pós-férias...



Do México:

Apesar de algumas complicações e inesperados (a incluir a passagem do Furacão Paola, uma avaria no avião de regresso, um assalto ao quarto dos meus amigos e movimentações indevidas na minha conta bancária), o balanço é positivo!
Claro que sim!
Disseram-nos que a praia de Punta Maroma seria uma das mais belas do México e não nos enganaram!
Terei caminhado, mergulhado, conversado e sorrido junto de uma paisagem única, de um mar caribenho tão pleno de beleza que, juro, nos faz rir!

O mar é de sonhos!
Nadam peixes junto às nossas pernas, como se nós também fizessemos parte da fotografia!

A fauna e a flora é imensa e está ali à mão de semear, já que toda a costa da Riviera Maya não era mais do que floresta junto ao mar, antes que os resorts turísticos começassem a florescer, literalmente, no meio desta. Pássaros, peixes, iguanas, caranguejos, eu sei lá! Vi de tudo um pouco.

O património arqueológico é muito abrangente e, claro, numa semana, não há tempo nem dinheiro para explorar tudo. Como toda a gente, seleccionamos uma de muitas ofertas. No nosso caso, Tulum, uma cidade maia não muito grande, não a mais significativa, mas provavelmente uma das mais belas, nascida para adorar o Amanhecer à beira de um penhasco com vista privilegiada para o mar das Caraíbas!

A comida... er... inclui quantidades demasiadas de tomate, pimento e picante para que me possa agradar. Assim mesmo, houve surpresas e adoptei mesmo pequenos vícios para a semana. A notar que aquelas alminhas usam como ingrediente nos pratos cacto! Cacto, senhores?!! Isso lá é de comer?!!

Já quanto à bebida, o discurso é outro! Admito que bebi no México o primeiro shot de tequila que me soube bem em toda a minha vida. De resto, acho que não bebi nada - com ou sem álcool - que não soubesse bem!

As actividades disponíveis são, tal como os locais de interesse arqueológicos, demasiadas para que se possa fazer tudo.
A não deixar passar é, sem dúvida, o snorkeling, que experimentei pela primeira vez e que me conquistou (apesar da minha insegurança).

Decidi também, quase distraidamente, nadar com golfinhos num dos quatro delfinários espalhados pela Riviera Maya e saí de lá fascinada e com um sorriso teimosamente parvo no rosto! A experiência é única! Os bichinhos amorosos!

Para completar o leque, conto com uma noite na afamada Coco Bongo, a discoteca de que aparentemente toda a gente fala (já eu nem sabia da sua existência!!!). Muito mas muito giro. Bom ambiente, divertido, dinâmico e animado e com uma noite inteira de animação com um show longo e abrangente, com luz, música, dança, acrobacia, representação... enfim... Valeu a pena!! 

Para uma próxima (quem sabe...), terá de ficar a passagem por um dos muitos cenotes da região, a ida até à barreira de coral, Chichén Itzá, a ilha Contoy e quem sabe o que mais...


De mim:

Incrível como escapar por uma semana pode exercer tal milagre em termos emocionais!
Regresso a acreditar novamente de que não preciso de psicólogos nem retiros nem o que seja para sair de um estado depressivo.
Tenho força suficiente em mim para tornar a mostrar o melhor de mim.
O sorriso que me elogiam todos os que me amam, que despertou um amor maior do que o mundo, continua cá e é por cá que ele vai continuar.

Os sentimentos voam connosco, estão em nós e acompanham-nos para onde quer que 'fujamos'.
Aquele que disse uma vez que olhos que não vêem, coração que não sente seria mais ingénuo do que ele próprio poderia imaginar.
O coração sente. Sente sempre. Vendo ou não.
Porque o amor, o afecto, a saudade, tudo isso flui em nós, no nosso sangue, na nossa essência.
E é precisamente o fluir de todos esses sentimentos em nós que nos torna criaturas bonitas.

10 de outubro de 2010

E esta semana...

...um pouco de paraíso para mim...

8 de outubro de 2010

A ti,

todo o meu amor!



Parabéns, bebé!

O tempo parece acelerar de cada vez que olho para ti.
Cada minuto passa por nós a galope!
Lá atrás, vão ficando pequeninas as fotos dos teus primeiros dias.
Começas a ter ar de menino, embora ainda dê por mim a chamar-te bebé. E tu respondes! E eu pergunto-me até quando o farás! Pergunto-me quando chegará o já não sou um bebé!!...

Contas-me tu as histórias.
Ensinas-me uma música nova.
Determinado, corriges-me quando necessário, porque tia, isso não é um peixe palhaço, toda a gente sabe que é o Nemo!
Perguntas-me porque estou triste e porque estou a rir.
Fazes perguntas difíceis. Muito difíceis, por vezes!
Dás ares de sábio quando nos contas qualquer coisa nova que descobriste.
Pintas, desenhas, constróis.
Aventuras-te já com as letras do teu nome.
Tens a tua quinta lá em casa, como a do avô, e todos os dias dizes que tens de ir para casa dar comida e água aos teus bichinhos. Avó, tenho muitas ovelhas, mas poucas galinhas!, ouvi-te dizer há dias.

E vives! Corres, saltas, brincas, cais e retomas a brincadeira!
Emanas uma energia que parece interminável!
E no final do dia, já cansado (que isto de ser criança também cansa!) vens ter connosco, perdes o ar de menino reguila e voltas a ser o nosso bebé... e pedes um abraço...

E quando é que tudo isso aconteceu?
Começou tudo há quatro anos atrás...
E o crescimento não tem acontecido só em ti, acredita!
Também nós crescemos contigo, a cada novo passo...

6 de outubro de 2010

O amanhecer esqueceu-se de despertar hoje


Mudou a estação e agora, em vez dos vaporosos lençóis azuis, aninha-se numa suave manta cinzenta enquanto é embalado pelos contos da voz fresca da noite, que se alongam e deixam esquecer que o dia está a chegar.

Ficou assim na penumbra, ao abrigo do vento orvalhado que por estes dias vai deslizando sobre a madrugada. E no escuro, os sons fluem ao mesmo ritmo que a neblina, esse indolente urso branco que se passeia discretamente por entre as árvores, ao longo dos becos, do outro lado da vidraça da janela.

Um pingo solitário escorrega do algeroz e parte-se no mármore da janela.
A cadela solta o bocejo preguiçoso, o protesto pacífico contra mais um dia ocioso.
Os primeiros carros da manhã ecoam a conta-gotas na estrada ao fundo.
Prenúncios do acordar do dia que o amanhecer decide ignorar.

Aconchegado, sorve cada um desses sons com o mesmo prazer que sente, em tantos outros dias, com a entrada do Sol em palco. Hoje, porém, será diferente. Não sai à rua. Não despe sequer a mantinha cor de nuvem de chuva. O astro-rei cede o protagonismo e deixa reinar as cores e aos sons do orvalho da madrugada.

Regressam assim as manhãs e os tons do Outono…