12 de junho de 2010

Tempestades

As tempestades abalam realmente tudo por onde passam.
Não se prevêem, não se antecipam.
Deixam um rasto absolutamente irreversível.
Constrói-se sobre os destroços, mas por baixo,
continuam as cicatrizes da revolução que aconteceu.
Limitamo-nos a mascarar, uma vez mais,
aquilo que já não suportamos ver.

As tempestades dentro de nós são assim mesmo.
Inesperadas, violentas, irreversíveis.
Sobrevive-se, mas nunca mais se é o mesmo...

11 de junho de 2010

...

E se for mesmo isto
e eu tiver de deixar passar
e ficar apenas a ver?

10 de junho de 2010

Ilusão óptica

Ser pleno? O que é isso afinal?

Sentir que se tem uma vida preenchida, que o calor das relações nos sustém e nos guarda, como uma estufa onde crescem e vivem no auge do seu viço as plantas mais frágeis e mais belas.

Sentir que falta pouco para ser feliz, que o essencial está ali, à mão, à distância de um toque. Caminhar com um sorriso. Ou mesmo com um olhar triste, porque se sabe que, assim mesmo, num inexplicável movimento de magia, a sinergia de que a tua existência se faz valer consegue compensar, voltar a preencher, o hiato que possa ter sido criado por essa tristeza, ou por qualquer outro inadvertido passo em falso.

Julgar que é assim, que é isto o que há para aspirar. Que o teu copo está cheio, que mais do que isto apenas o faria transbordar.

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A dada altura percebes que a sensação de completude era mera ilusão óptica. A perspectiva muda, como quem vira uma clepsidra ao contrário e descobre que há espaço ainda a preencher, percebe que há vivências, sensações, que fazem, afinal, muita falta. Percebes que há muito mais, que aspiras a mais.

Já não te chega apenas aquela redoma que te guarda a ti e aos nutrientes de que precisas para sobreviver. Porque mais do que sobreviver, queres viver, sentir, ser arrebatado da linearidade do teu caminho por uma rajada de vento, apanhado de surpresa por uma vaga de chuva fria que te queime a pele.

Crescer, percorrer outras estradas…

E esse copo nunca está totalmente cheio. Num acesso de sadismo, os deuses decidiram um dia que a linha de água no teu copo nunca há-de chegar ao topo, que da mesma forma que ao aproximares-te da base do arco-íris, ela parece fugir para mais longe, também a linha do teu copo sobe um pouco mais de cada vez que te aproximas do seu limite.

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Para o desafio de Junho,
com o tema Estava vazio...

9 de junho de 2010

(Auto-)constatação

A desordem quase anárquica que impera no meu iPod não é o resultado de ecletismo (ou esquizofrenia) musical, mas sim da minha incapacidade prática e da falta de paciência para organizar o iTunes como uma pessoa normal…
:$


6 de junho de 2010

Santini

Depois do inesquecível gelado de rosas do Jacinto,
encontrei hoje o meu número 2!
Provei hoje o mais sublime gelado de canela!!!
No Santini!




(Pois é, vivi até aos 26 sem conhecer o Santini... lacuna oficialmente colmatada!)

Sex and the City 2

Ontem foi dia de regresso às salas de cinema.
Com a Cérise e o Racker, esperei pacientemente pela sessão das 00.30, aquela que ainda tinha lugares vagos, para rever as quatro famosas heroínas nova iorquinas.

Para quem gosta do humor típico da série, sim, mantém-se a nota positiva em termos da boa disposição, das piadas witty, do cómico de situação recorrente ao longo de todo o filme.
Mantém-se igualmente o registo da exploração da temática das relações em geral e, nestas, dos pontos passíveis de crise. 
Quanto a tudo o resto, admito que ficou aquém das minhas expectativas... ou melhor, não me surpreendeu (nem sei bem que expectativas tinha quanto a isto)... Não tinha a mínima ideia do que mais se poderia desenvolver a partir do argumento e acho que essa é a sensação da maioria. Diria que acabou por sair o que poderia ser apenas e só mais um episódio da série.

De resto, confesso que o guarda-roupa (pelo qual tinha, sim, algumas expectativas) não me fascinou particularmente - continuo a preferir o do filme anterior.

A notar ainda que, apesar de estranho - tal como também o notaram a Cérise e o Racker - gosto muito de ver estas amigas com um visual mais maduro, a envelhecer juntamente com o argumento que as fez nascer.

2 de junho de 2010

Da solidão

Percebi hoje que o problema
não será tanto o estar sozinho
no meio de outros,
mas mais o caminhar sozinho,
o não ter ninguém à nossa espera...

Just wondering...

31 de maio de 2010

Coisas bonitas

E um vídeo partilhado pelo facebook fez-me lembrar desta foto...

Num dia sorridente, algures no Cartaxo, encontrei este enorme cálice de vinho que dava de beber a um bouquet de rosas...
Achei perfeito, ouro sobre azul... e a foto ficou...

Não me lembrava desta música da banda sonora do Lost in Translation... encontrá-la foi um encanto... e ela encontrou a foto algures perdida na minha memória...

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30 de maio de 2010

Farta!

Estou farta, farta, FARTA de computadores e de máquinas em geral!
Farta!
Cansada de precisar destas porcarias de segunda a domingo. De precisar delas para o trabalho, para a faculdade, para comunicar, para ler...
Farta!!
Todos os dias à procura de soluções que não conheço, que não percebo...
Farta de não poder fugir disto...

29 de maio de 2010

Sobre a saudade

O desejo é a parte sensual da Saudade, e a lembrança representa a sua face espiritual e dolorida, porque a lembrança inclui a ausência de uma coisa ou de um ser amado que adquire presença espiritual em nós.

A dor espiritualiza o desejo, e o desejo, por sua vez, materializa a dor. Lembrança e desejo confundem-se mutuamente, e precipitam-se depois num sentimento novo que é a Saudade.

Teixeira de Pascoaes
A Arte de Ser Português

Tenho percorrido as páginas deste livro, a passo lento, com alguma dificuldade em empenhar-me verdadeiramente nele (não é o meu tipo de livro, não é o meu tipo de discurso...).
Já ri, sorri, estaquei indignada e adormeci ao longo do livro, mas confesso que foi aqui que parei e fiquei a pensar...
E não é que o senhor tem razão?!
Muita razão mesmo!

Imagem daqui