Ria-me que sempre que fazias as tuas piadas, mesmo que as estivesse a ouvir pela milésima vez...
Quando vias a fileira de pombos pousada na empena da tia, brincavas com o apelido do meu pai e dizias que aqueles eram
pombos torcatos e não
torcazes, porque o dono era o sr. António.
Meteste-te comigo até à exaustão com a minha
gaffe do
rebanho de perdizes. Riamos todos juntos, com vontade...
Tudo era motivo para fazeres mais uma gracinha e, curiosamente, às vezes eras tu ficavas a processar as nossas piadas. E depois ainda riamos mais com a tua reacção em diferido.
Levavas a vida com naturalidade, fazias o que tinhas vontade, dizias o que achavas que devia ser dito... Não adiavas prazeres nem obrigações, porque, dizias, nunca se sabe quando é que tudo acaba...
Não vou a cemitério... não é lá que te vejo...
Vejo-te, sim, aqui, nos momentos e lugares inesperados. Viro-me e de repente lá está uma memória tua à espreita. Depois de tanto tempo, ainda é assim... inexplicável...
Saudades...
Saudades dos teus pombos torcatos e dos rebanhos de perdizes...