6 de maio de 2010

Amanhecer em ti


gosto de sentir o orvalho fresco da rua
a receber o nascer do sol


gosto que me surpreendas pela manhã
com torrentes de maravilhosas palavras.
assim como depois da tempestade,
o sol volta a enviar os seus raios para nós
depois do silêncio,
as palavras enviam sorrisos
e, no meu espelho,
os sorrisos reflectem sorrisos...


Bom dia
Tua
A.

5 de maio de 2010

Livros que me pedem para ser lidos

De cada vez que me aproximo da estante, alguns livros que olham para mim com um olhar reprovador e despeitado. Arrumados ali desde que foram comprados, ressentem-se por nunca terem sido abertos, por nunca terem sido levados a passear, por nunca terem passado da estante para a mesa-de-cabeceira.

E de cada vez que eles me olham assim, prometo-lhes discretamente “Em breve”…

Depois da primeira visita deste ano à Feira do Livro, ao entrar na salinha da estante, aquele olhou para mim de forma especialmente acutilante… Decorridos exactamente dois anos desde que, na feira daquele ano, este sóbrio livro me foi oferecido e recebido na minhas mãos com a promessa de uma leitura para breve, ele ali continua, à espera… e eis que me redimo finalmente e o levo comigo para o quarto.

À partida, diria que não será o meu tipo de livro… mas já me enganei tantas outras vezes com estes juízos a quente… Veremos…

2 de maio de 2010

Anna e o Reader

É oficial!
Não consigo dar conta do recado e acompanhar todos os blogs que gostaria...

No final da semana, os números costumam ser estes... e já excluem todos os posts que vou abrindo quando caem na caixinha do Reader...

Eu sei que quero sempre mais do que consigo suportar... mas fico triste por não o conseguir...

Tango

O tango é violência.
Um homem e uma mulher procuram-se aflitivamente e,
assim que se encontram,
fogem um do outro.
Voltam a juntar-se e deixam-se de novo.
É a dança de um amor sem fim.

Lição de Tango, S.C.Modignani

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E será
o tango a dança de um amor sem fim
ou
o amor um tango não coreografado?...

26 de abril de 2010

Pombos "torcatos"

Ria-me que sempre que fazias as tuas piadas, mesmo que as estivesse a ouvir pela milésima vez...

Quando vias a fileira de pombos pousada na empena da tia, brincavas com o apelido do meu pai e dizias que aqueles eram pombos torcatos e não torcazes, porque o dono era o sr. António.
Meteste-te comigo até à exaustão com a minha gaffe do rebanho de perdizes. Riamos todos juntos, com vontade...

Tudo era motivo para fazeres mais uma gracinha e, curiosamente, às vezes eras tu ficavas a processar as nossas piadas. E depois ainda riamos mais com a tua reacção em diferido.

Levavas a vida com naturalidade, fazias o que tinhas vontade, dizias o que achavas que devia ser dito... Não adiavas prazeres nem obrigações, porque, dizias, nunca se sabe quando é que tudo acaba...

Não vou a cemitério... não é lá que te vejo...
Vejo-te, sim, aqui, nos momentos e lugares inesperados. Viro-me e de repente lá está uma memória tua à espreita. Depois de tanto tempo, ainda é assim... inexplicável...

Saudades...
Saudades dos teus pombos torcatos e dos rebanhos de perdizes...

23 de abril de 2010

Preciso de...

em king size,
de preferência...

22 de abril de 2010

Palavras imortais

- Trago-te aqui uma flor da terra - disse -; chama-se rosa.
(...)
- É um perfume maravilhoso. No mar não há nenhum perfume assim. Mas estou tonta e um bocadinho triste. As coisas da terra são esquisitas. São diferentes das coisas do mar. No mar há monstros e perigos, mas as coisas bonitas são alegres. Na terra há tristeza dentro das coisas bonitas.
- Isso é por causa da saudade - disse o rapaz.
- Mas o que é a saudade? - perguntou a Menina do Mar.
- A saudade é a tristeza que fica em nós quando as coisas de que gostamos vão embora.

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Sem ti o mar, apesar de todas as suas anémonas, parecia triste e vazio. E eu passava os dias inteiros a suspirar.

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Vergonhosamente, nunca tinha lido este pequeno grande livrinho.
Lembro-me de ter lido a Menina dos Fósforos do Hans Christian Andresen no ano escolar em que a maioria das crianças lê/lia este conto da Sophia.
Surgiu entretanto o pretexto ideal para pegar nele... e só o lamento não o ter feito há muito tempo atrás...
Foi tão bom fugir para esta beira-mar e conhecer este menino e esta menina cujos limites traçados pela realidade não os impedem de derrubar barreiras para combater a saudade para ficarem juntos...





20 de abril de 2010

Serei eu a única...

...que entende que a capacidade auditiva dos seres humanos não é directamente proporcional ao seu tamanho fisiológico?!!



Gritar com as crianças não implica que elas percebam, oiçam ou cumpram com mais sucesso o que lhes é pedido...

Farta de ouvir gritar com os pequeninos na creche aqui ao lado do escritório...

18 de abril de 2010

Just wandering*...



É difícil trazer uma utopia para a realidade.
Mas só o vislumbrar dessa hipótese
é já suficiente para fazer esboçar um sorriso
nos rostos de alguns de nós…
especialmente daqueles que têm escrúpulos em confessar que
ainda acreditam...

Pequena nuvem

Cansados de mensagens pendentes e de sentidos perdidos, exasperados com o defraudar das expectativas semeadas pelas infames maravilhas da tecnologia, decidiram enfim confiar as suas missivas a um Hermes mais fiel.

Numa noite de Abril, então, uma nuvem pequena mas determinada deslizou para cá e para lá, solicitamente trazendo e levando, penduradas e presas com doçura nas suas cordas de água, mensagens, sorrisos, palavras, silêncios…

E enquanto de um dos lados todas essas entregas permaneceram em eco até muito depois de dispensada a prestável nuvenzinha, essa cúmplice fiel regressou, pé ante pé, até ao outro lado e ali ficou, à janela, ainda durante um bom tempo, acariciando a persiana com os seus dedos suaves, repetindo sons e tons, espelhando o melhor que soube o eco das palavras do outro lado…


Porque me apeteceu dar vida
a essa companheira de ambos
 neste fim de noite.
E porque ela foi
a mais sortuda de nós os três.