Lianas translúcidas por onde desceram secretamente até nós esses seres que nos acompanham e seguram sem que o sintamos.A olho nu, não passam de meros reflexos de luz. Tenho de parar e esquecer-me de tudo para as conseguir discernir. Parecem pequenas e no entanto não alcançamos com o olhar os seus limites. Frágeis, quase inexistentes, e mesmo assim tão fortes.
Não as sentimos, não as conseguimos tocar, mas estão em redor dos nossos pulsos. São elas que nos impedem de esmurrar o que nos desorienta e enfurece.
Não as vemos, mas são elas que formam a rede que nos ampara sempre que não evitamos o precipício. São elas também que, muitas vezes, contêm o salto que afinal queremos realmente dar, para ir ao encontro desse cântico mágico e iluminado que faz do real um espaço cinzento e sem graça.
Cordas de segurança que clamam, pretensiosas, proteger-nos do pior.
Cordas opressoras que não nos deixam ser loucos quando assim o decidimos.
Cordas inexistentes, que se esfumam ao mais ténue movimento nosso… e no entanto raramente as conseguimos destruir e esquecer…





