12 de janeiro de 2010

(Último*) pensamento do dia



Diz a minha professora de Revisão:
Este é um
sujeito complexo.
E acrescenta em tom resignado:
Acontece...


Podia dar-vos o contexto da frase, mas acho que perdia a piada...
Perdia, não perdia?!...
Decidam vocês quem é o sujeito...


* Último porque entrei em modo vegetativo
pouco tempo depois de ter ouvido isto...
Dia demasiado longo e cinzento...

10 de janeiro de 2010

Deep peace



Deep peace of the running waves to you,
Deep peace of the flowing air to you,
Deep peace of the smiling stars to you,
Deep peace of the quiet earth to you,
Deep peace of the watching shepherds to you,
Deep peace of the Son of Peace to you.
  - Bênção celta -
 
Lembrei-me deste poema esta tarde, nem sei porquê...
Ouvi-o pela primeira vez num filme há demasiados anos para que me lembre do seu nome...
Mas o poema ficou... ficou porque a força dos elementos  em palavras tão simples me impressionou...

9 de janeiro de 2010

Avatar


E se criássemos um reflexo de nós mesmos e entrássemos numa vida paralela?

Apesar de esta Anna que assina o blog ter muito do que sou, Ana Isabel, não deixa de ser uma persona - um avatar - de mim, que vive e se movimenta numa realidade paralela, dissociada do quotidiano palpável e desconhecida das pessoas que o partilham comigo.

Mesmo assim, vivo neste mundo com a mesma intensidade e de forma quase tão real como o outro mundo...

E se um dia percebesse que, na verdade, prefiro viver nesta vida paralela?
E se constatasse que, afinal, aqui posso ser muito mais eu?
E se sentisse que aqui as barreiras físicas e sociais deixam de existir e posso ser quem quero, agir e falar como quero, estar com quem quero, quebrar as barreiras do tempo e do espaço e viver de forma mais pura?
E se um dia isso realmente acontecesse e eu me começasse a sentir espartilhada, sufocada, na vida real?

A verdade é que, muitas vezes, nos últimos tempos sobretudo, tenho querido estar mais aqui, neste lugar inexistente, onde afinal eu sou só uma ideia, uma personagem sem essência corpórea... porque aqui encontrei algo que me faz feliz e que não posso ter na realidade...

E como enfrentar isso mesmo?...
..........................................................................

Fui ontem ver o Avatar...
Não é, à partida, o meu género de filme, e talvez tenha sido esse um dos factores que contribuiram para a minha surpresa...
Um filme que ouvi algures descrever como sendo "pobre em termos de argumento" e que me surpreendeu de forma avassaladora, por todas as mensagens intrínsecas sobre nós, humanidade, e sobre a nossa forma de vida...
E também, obviamente, pela beleza desse mundo paralelo brilhantemente criado pela equipa de James Cameron.
Seja como for, foi daí que nasceu esta, como algumas outras reflexões em que me perdi entretanto...


Img 1 (Reflection)
Img 2 (Avatar's poster)

6 de janeiro de 2010

Mensagens


Enches a tua ausência
com suaves
mas intensos toques de luz.
Pequenos telegramas de sentimentos épicos,
demasiado grandes
para caberem
em toda a sua dimensão
num tão pequenino e mundano embrulho.

Mas cabem.
Não atenuam a tua ausência,
mas trazem-te para perto de mim.
Não são o teu toque,
mas aquecem-me o coração,
Adocicam-me a alma porque me dizem que,
sendo impossível mais,
recebo palavras embebidas no néctar do teu amor
dentro deste pequeno envelope imaterial…

4 de janeiro de 2010

Trivialismos I

It's raining cats and dogs outside*...



*As expressões idiomáticas inglesas ainda
conseguem ser mais estranhas do que as nossas...

3 de janeiro de 2010

2010 - Press play!

Cruzar o limiar de um ano, de uma década, é um excelente momento para olhar em retrospectiva para essa curta-metragem que se foi desenrolando entretanto.
É também o momento certo para tomar decisões.
Ou deixar que as decisões nos tomem a nós.

Há momentos em que, sem o perceber, saímos de nós e conseguimos ver-nos na tela.
E é nesses momentos que conseguimos finalmente ser racionais.

Se os raios de Sol estão lá fora, então porque raio é que não abrimos as cortinas?!!
Se dos quatro actos da peça, três são trágicos, mas último deles tem um final feliz, então porque choramos  no fim?!!
Se temos à nossa frente o caminho para o campo de flores, então o que fazemos parados sem avançar?!!

Quando nos deparamos com estas cenas, tornamo-nos aquele expectador que se irrita com a personagem na tela e, do seu sofá, grita exasperado em jeito de incentivo para a personagem, como se esta, do outro lado, nos pudesse ouvir e entender.

A diferença é que nesta curta-metragem, a personagem consegue de facto ouvir o seu expectador e, do outro lado da tela, procura atento a fonte dessa voz encorajadora e, como que a encontrando, abre o seu rosto num sorriso de cumplicidade e, finalmente, decide abrir a cortina e deixar o Sol entrar!

2009 começou em êxtase e depois entrou em queda livre, quase terminando num beco demasiado sombrio.
Não terminou porque, a poucos dias do fim, uma expectadora deu por si a olhar para essa personagem de si mesma e decidiu gritar a plenos pulmões. E não é que a personagem ouviu?!!
2010 começa com muita calma e com a convicção de que a curva, desta vez, será ascendente!

31 de dezembro de 2009

Até já!


Então vá, até para o ano!
E toca a entrar em 2010
com os dois pés direitos!

É assim que vou adormecer hoje...
Com um sorriso e muita paz no meu coração...
Feliz...
[Obrigada por todos os mimos e por me me aquecerem a alma...]

30 de dezembro de 2009

Em jeito de balanço...

Há precisamente um ano atrás, celebrava os meus 25 anos cheia de entusiasmo e grandes expectativas quanto aos tempos que se seguiriam...
Foi um ano longo, demasiado longo e pesado emocionalmente.
Começou muito bem... Não decorreu da melhor forma... Terminou numa espécie de apatia...

Nos últimos dias tenho-me debatido com a lembrança dos projectos que, há cerca de 10 anos atrás, aspirava ver concretizados nesta altura da minha vida...
Nada correu como um dia sonhei tão inocentemente...
A minha carreira não passa nem de perto por aquilo que nesses dias imaginava.
A minha vida emocional é um desastre comparada com a pintura cor-de-rosa do futuro que fiz então.

Estou feliz com a minha carreira, sim.
Não é o que tinha projectado, mas acho que estou a ser bem sucedida...

Estou muito, mas muito feliz com os amigos que me rodeiam, que têm sido desde sempre a minha mais-valia, a fonte dos meus sorrisos mais sinceros e sentidos, o meu apoio e o meu porto de abrigo. Só espero um dia conseguir retribuir-lhes de uma forma pelo menos próxima disso.

Com a minha vida emocional, nem tanto...
Aos 26 anos, tenho mais medo do que nunca da solidão...  
Sinto que tenho vindo a falhar na minha forma de lidar com as minhas relações, que tenho feito as escolhas menos acertadas...
E o tempo voa.
Voa demasiado depressa.
E tenho medo de o estar a desperdiçar.
E tenho, sobretudo, medo de ter consciência disso e de não ser capaz de mudar...
Há 10 anos atrás não imaginava que estaria, mais uma vez, absolutamente sozinha a cruzar o limiar da meia-noite.
Há 1 ano atrás também não o imaginava.
E no entanto foi isso mesmo que aconteceu...
E esta palavra - solidão - assusta-me... muito mais do que deveria...

E pronto!
Terminou o desabafo!
A partir de agora,
e nas próximas 24 horas,
vou fazer a mim mesma o favor
de arrumar no armário todos estes fantasmas
e tentar ser, tal como no ano passado,
uma chiquitita muito feliz!

29 de dezembro de 2009

Cumplicidades IV - Sintonias



Pergunto-me se sentiria tal sintonia se te tivesse ao estender da mão.
Pergunto-me se te encontraria no meio da multidão, se te saberia identificar no meio de tantos rostos anónimos que se cruzam diariamente sem querer saber.
Será que nos reconheceríamos ao mais simples e fugaz trocar de olhares?
Será que o subtil toque de dois desconhecidos, que chocam inadvertidamente porque vão demasiado distraídos a sonhar, seria suficiente para sentirmos que somos um só?
Será que me verias ao longe e saberias que era eu?
Será que no meio do ensurdecedor silêncio da multidões eu seria capaz de ouvir a melodia da tua voz?
Será que sentiríamos ambos esse ímpeto do beijo apaixonado, desse reencontro entre duas metades de uma só alma que alguma força superior quis um dia separar?

Robert Doisneau
Kiss by the Hotel de Ville
1950