Os meus olhos abrem naturalmente, como se a noite me tivesse sussurado ao ouvido que não me queria mais inconsciente.
Não. A noite não.
A madrugada. Reina o seu silêncio ainda.
Por entre a rede densa da janela, gotas da luz ainda ténue e tímida do amanhecer salpicam o cortinado.
Sinto-me aconchegada e aninhada.
"Adormeci outra vez enrolada no roupão", penso.
As noites já não são clementes para com os ousados e fustigam-nos agora com um frio cortante.
Sinto-me feliz e acarinhada.
Que doce amanhecer!
Viro-me lentamente e é então que te vejo. És tu, afinal, quem me aconchegou dessa forma tão doce e me protegeu do frio e da solidão.
És tu que estás aqui comigo!
O roupão? Desse não preciso. Ficou na cadeira. Foste tu que o puseste lá, afinal. Eras tu quem havia de me afagar desta vez, não ele!
Sorrio.
Que forma perfeita de despertar, com a tua respiração suave contra a minha nuca e o bater do teu coração em sintonia com o meu!
Beijo-te ao de leve no rosto e digo bom dia bem baixinho.
Os teus lábios traçam um sorriso, depois as tuas pálpebreas levantam o cerco do sono e o teu olhar doce beija-me também.
Não são precisas palavras...
Enrolas-me novamente no teu regaço e prendes-me, como que dizendo para voltar a dormir...
Fecho os olhos e penso... Ainda não amanheceu, talvez feche os olhos e continue a sonhar contigo...
20 de novembro de 2009
18 de novembro de 2009
O erro de (não) errar
«Errar é humano!»
«É com os erros que aprendemos!»
«De certeza que esse já não voltas a repetir!»
...
Pergunto-me tantas vezes porque é que um medo tão grande de errar...
Diria - com pouca confiança, contudo - que tem tudo a ver com o vislumbrar do que vem depois. O mal, o problema, o medo não está em cometer o erro, mas sim em tudo aquilo que vem a seu reboque... a queda, o arrependimento, o desespero por corrigir... como se tudo isso fosse imprescindível, como se todos estivessem à espera nos ver levantar e limpar os estilhaços (e, na verdade, são raras as vezes em que nos cobram por isso... tão raras como aquelas em que alguém para além de nós próprios identificou o erro...)
A questão primordial, no entanto, é que, por conta da todas estas inseguranças e frustrações, acabamos por não viver devidamente. Porque o medo do erro paira sobre a nossa cabeça, deixamo-nos ficar para trás, encostamo-nos envergonhados ao fundo da sala, e deixamos a vida acontecer lá à frente, no palco que fomos convidados a pisar como protagonistas e que cobardemente recusámos.
E entretanto, assola-me a questão:
Porque é que errar tem de ser necessariamente um erro?!
Porque é que errar temos tanta dificuldade em assumir que errar é parte do processo?
Porque é que achamos que tem de haver solução e desculpa?
E porque é que pensamos tanto nestas coisas?...
17 de novembro de 2009
Um ano
Há precisamente um ano atrás embarquei nesta nova aventura profissional… Mais do que uma aventura, uma casa e uma família… Por algum motivo, duas pessoas que pouco sabiam de mim além do que conto no CV decidiram apostar em mim, confiar em mim e no meu potencial, acolher-me na sua empresa e ensinar-me a sua arte…
Um ano de aprendizagem constante… de momentos de frustração, de momentos de vontade de desistir, virar as costas, mas de outros de vitória orgulhosa por ultrapassar obstáculos, progredir, mostrar que consigo, outros ainda de sorrisos, de gargalhadas…
Um ano a conhecer pessoas novas… a encontrar afinidades, amigos para a vida, ombros que me apoiam e braços que me acarinham…
Um ano a sentir o sufoco do subúrbio caminhar lado a lado com a satisfação de gostar do que faço… Este paradoxo de irritação a par da sensação de pertença…
O balanço é positivo, seja como for! Muito positivo! O meu caminho não se restringirá certamente a esta casa, mas espero pelo menos festejar mais alguns como este!
15 de novembro de 2009
Palavra do dia
em·brace /ım'breıs/ v
1 [I;T] to take and hold (someone or each other)
in the arms as a sign of love
As definições de palavras como esta aspiram meramente a dar uma vaga ideia de tudo aquilo que implicam... São simples, pouco elaboradas e, no entanto, fazem o melhor que conseguem...
Como descrever com palavras sensações que implicam tal intensidade emocional?
De uma forma apenas: sentir...
Sim, é para ti...
Códex vs. e-reader
Pouco menos de um mês de aulas a falar de questões ligadas ao universo editorial e confesso que estou absolutamente surpreendida com o estado das coisas...
Não sei se me intitule de anacronista ou de romântica, mas sinto-me assustada com a revolução digital que se está a instalar... Até há bem pouco tempo, julgava que os e-books seriam uma realidade longínqua e que, mesmo não o sendo, seria apenas um nicho de mercado pouco explorado...
A verdade é que foi entretanto lançada no mercado uma parafernália destes gadgets chamados e-readers...
O que é que estamos a fazer ao chamado códex, a forma de livro que conhecemos, usamos e amamos desde sempre?
Quanto a mim, não consigo imaginar-me a restringir a vivência da experiência de um livro sem folhear as suas páginas, sem sentir o cheiro do papel, sem usar eventualmente um lápis para assinalar alguma passagem que me tenha encantado...
Quero acreditar na opinião dos cépticos que continua a afirmar que este novo formato nunca suplantará a versão clássica do livro que, afinal, não sobreviveu por quase 20 séculos por acaso...
Quero acreditar que a maioria de nós consiga olhar para estas novas ferramentas e ver o mesmo que Alan Liu: "os e-books não se comportam como livros, mas como plataformas digitais controversas - e a sua adopção pode provocar distúrbios de atenção entre duas formas (ou mais) de má leitura."**
Seja como for, somos actualmente tão influenciados pelas tendências gerais do mercado global que daqui por uns anos vamos encontrar pessoas sentadas na praia, nos transportes públicos, numa esplanada, com uma coisita parecida com um telemóvel nas mãos em vez de um livro tal como o conhecemos e amamos...
Não sei se me intitule de anacronista ou de romântica, mas sinto-me assustada com a revolução digital que se está a instalar... Até há bem pouco tempo, julgava que os e-books seriam uma realidade longínqua e que, mesmo não o sendo, seria apenas um nicho de mercado pouco explorado...
A verdade é que foi entretanto lançada no mercado uma parafernália destes gadgets chamados e-readers...
Kindle (Amazon); Nook (Barnes&Noble)
Cybook Opus (Booken); E-book Reader (Sony)*
Quanto a mim, não consigo imaginar-me a restringir a vivência da experiência de um livro sem folhear as suas páginas, sem sentir o cheiro do papel, sem usar eventualmente um lápis para assinalar alguma passagem que me tenha encantado...
Quero acreditar na opinião dos cépticos que continua a afirmar que este novo formato nunca suplantará a versão clássica do livro que, afinal, não sobreviveu por quase 20 séculos por acaso...
Quero acreditar que a maioria de nós consiga olhar para estas novas ferramentas e ver o mesmo que Alan Liu: "os e-books não se comportam como livros, mas como plataformas digitais controversas - e a sua adopção pode provocar distúrbios de atenção entre duas formas (ou mais) de má leitura."**
Seja como for, somos actualmente tão influenciados pelas tendências gerais do mercado global que daqui por uns anos vamos encontrar pessoas sentadas na praia, nos transportes públicos, numa esplanada, com uma coisita parecida com um telemóvel nas mãos em vez de um livro tal como o conhecemos e amamos...
*Apenas alguns exemplos... Há muitos mais...
**Citado do Editorial da LER deste mês
13 de novembro de 2009
Caminhar contigo
Caminhamos pela praia.
Os nossos pés sentem o fresco da manhã que a areia respira.
Sabe bem.
Aproxima-nos e faz-nos pedir sem palavras o calor um do outro.
O teu abraço envolve-me.
Sou pequena, caibo bem no teu regaço.
As pontas dos teus dedos brincam preguiçosamente no meu antebraço, como que querendo aí delinear o nosso caminho.
Por cima do mar, uma centelha do Sol desvia a cortina da névoa matinal e pisca-nos o olho em consentimento e cumplicidade.
Para onde caminhamos, afinal?
Em direcção a nós mesmos...
Porque as ondas da tua voz
lançam sobre mim salpicos de carinho.
Obrigada por isso....
11 de novembro de 2009
10 de novembro de 2009
Balançar
E eu que nem gosto assim tanto (ou mesmo nada) desta menina.... fiquei sem palavras com esta nova música...
É tão minha...
É tão minha...
8 de novembro de 2009
Dreammaker
Distant, thorough dreammaker, your mind materializes pictures of pure perfection.
Your paintings give life to images only shyly imagined and never expressed.
You give beauty to things otherwise never noticed.
Paint me in white and flowers.
Imagine the best of me.
Vulnerável
Noite perfeitamente pacífica. Jantar em casa da amiga. Boa companhia, boa disposição. Depois do jantar, vamos ver a vila à noite que é fantástica. E é. Um pequeno passeio à beira-rio. A vila é sossegada, no pasa nada… Ontem passou. Passou um maníaco alucinado que decidiu perseguir-nos de bicicleta enquanto passeávamos a pé…
Pegámos no carro e mudámos de local. Na outra parte da vila, há um barzinho porreiro. Ok. O idiota também conhece esse barzinho… Voltou a perseguir-nos quando regressávamos ao estacionamento… apalpou-me e fugiu…
Tudo bem, não foi grave!
Mas assim como fez esta brincadeira de adolescente, ou de parvo, como queiram, teria tido igual oportunidade de nos assaltar ou atacar a sério, o que quisesse…
Não sou menina de ter medo de andar sozinha. Nunca fui.
Mas ontem assustei-me.
Percebi que, afinal, sou vulnerável.
Não ter medo não é sinónimo de estar imune a ameaças estranhas…
Percebi que estou cansada de vaguear pelo mundo sozinha sem ter alguém que me proteja…
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