13 de novembro de 2009

Caminhar contigo



Caminhamos pela praia.
Os nossos pés sentem o fresco da manhã que a areia respira.
Sabe bem.

Aproxima-nos e faz-nos pedir sem palavras o calor um do outro.
O teu abraço envolve-me.
Sou pequena, caibo bem no teu regaço.

As pontas dos teus dedos brincam preguiçosamente no meu antebraço, como que querendo aí delinear o nosso caminho.

Por cima do mar, uma centelha do Sol desvia a cortina da névoa matinal e pisca-nos o olho em consentimento e cumplicidade.

Para onde caminhamos, afinal?
Em direcção a nós mesmos...

Porque as ondas da tua voz
lançam sobre mim salpicos de carinho.
Obrigada por isso....

11 de novembro de 2009

Pensamento do dia



A distância é apenas
uma proximidade que foi afastada.

Robert Schumann

10 de novembro de 2009

Balançar

E eu que nem gosto assim tanto (ou mesmo nada) desta menina.... fiquei sem palavras com esta nova música...

É tão minha...

8 de novembro de 2009

Dreammaker

I can see my own reflection mirrored in your dreams.
Distant, thorough dreammaker, your mind materializes pictures of pure perfection.
Your paintings give life to images only shyly imagined and never expressed.
You give beauty to things otherwise never noticed.
Paint me in white and flowers.
Imagine the best of me.
It's only yours.

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Vulnerável

… foi assim que me fiquei a sentir desde ontem à noite.


Noite perfeitamente pacífica. Jantar em casa da amiga. Boa companhia, boa disposição. Depois do jantar, vamos ver a vila à noite que é fantástica. E é. Um pequeno passeio à beira-rio. A vila é sossegada, no pasa nada… Ontem passou. Passou um maníaco alucinado que decidiu perseguir-nos de bicicleta enquanto passeávamos a pé…
Pegámos no carro e mudámos de local. Na outra parte da vila, há um barzinho porreiro. Ok. O idiota também conhece esse barzinho… Voltou a perseguir-nos quando regressávamos ao estacionamento… apalpou-me e fugiu…

Tudo bem, não foi grave!
Mas assim como fez esta brincadeira de adolescente, ou de parvo, como queiram, teria tido igual oportunidade de nos assaltar ou atacar a sério, o que quisesse…

Não sou menina de ter medo de andar sozinha. Nunca fui.
Mas ontem assustei-me.
Percebi que, afinal, sou vulnerável.
Não ter medo não é sinónimo de estar imune a ameaças estranhas…
Percebi que estou cansada de vaguear pelo mundo sozinha sem ter alguém que me proteja…



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7 de novembro de 2009

Pedro Paixão oferece livro


Descobri na OML deste mês que Pedro Paixão decidiu disponibilizar na íntegra o seu livro A Cidade Depois, um conjunto de textos escritos in loco no rescaldo do 11 de Setembro.
Segundo consta, disponibilizou-o gratuitamente online pois a obra, leitura recomendada para os alunos do 10º ano, esgotou nas bancas.
A OML diz "a isto chama-se intervir directamente na distribuição".
Eu pergunto: é um gesto de altruísmo puro (e sê-lo-á!), ou também uma forma de marketing?

Quanto a mim, que confesso, mea culpa, desconhecia a existência deste livro, fiquei curiosíssima e lá fui ao site fazer o download...

6 de novembro de 2009

Até sempre, Becky...

A minha Becky decidiu esta noite deixar de viver. Após 12 anos de vida, e à entrada do Outono, esta Husky doce achou que era suficiente e partiu...

Tenho um nó na garganta que me aperta faz brotar lágrimas nos olhos de cada vez que penso nisso. Por saudades, pela lembrança, mas também por que sinto que lhe dei pouca atenção nos últimos tempos...

A Becky era um bichinho lindo e misterioso, com um olho castanho e outro azul, absolutamente independente e elegante. Quando era novita, costumava deitar-se por baixo da mesinha do telefone e quando se levantava, levantava-se com ela a mesa e saltava o telefone, a jarrinha das flores e tudo o resto que lá estivesse...

De vez em quando passava-se e roía os pés das cadeiras, mas era adorável...

Quando a minha mãe considerou que ela estava demasiado grande (e peluda) para dormir em casa, mudou-se para um canil especialmente construído para ela, que dava para a janela do meu quarto...

Era extremamente forte... quando a levava a passear, era frequente ser arrastada ou mesmo cair por conta dos puxões dela...

No Outono e na Primavera, quando mudava de pêlo, lá tinha de a escovar, o que ela simplesmente detestava! Costumava sentar-se teimosamente no chão para eu não lhe escovar a cauda, fugia sempre que possível, mordia a escova, ... usava de todas as estratégias para boicotar o meu trabalho...

Tinha medo de carecas! Parece absurdo, mas é verdade! Enroscava o rabito entre as pernas e escondia-se onde pudesse quando se aproximava o meu tio careca! Adorava o meu pai, mas tinha-lhe um respeito sagrado, por conta da sua careca!

Afinal de contas, 12 anos de lembrança guardam em si muitas histórias...

Sinto que não fui grande dona e companheira nos últimos tempos... e isso aperta-me mais o tal nó na garganta... Desde que a Boobie foi lá para casa, é claro que foi ela se tornou a minha companheira... Tenho espaço no coração para as duas e para todos os outros, mas não tinha tempo para tanto...

Eu sabia que ela andava abatida e cansada já há uns dias, mas tenho chegado a casa tarde... da minha janela, a noite já não me deixava vê-la... Não ia ao pé dela já há uns dias... perdi a minha oportunidade de me despedir...


Grãos de Razão ao vento

A Razão foge-me pelos dedos...
Quero agarrá-la, mas não consigo.
Diluiu-a o instinto e o sabor doce do carinho,
transformou-a em voláteis grãos de areia.
Quero segurá-la,
trazê-la para junto de mim,
fazer dela minha aliada,
mas o vento não permite
e leva-a para longe...

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2 de novembro de 2009

Cidade de conto

Inspirada por um exercício que encontrei muito perto,
dei por mim a pincelar esta cidade do meu coração
num pequeno pedaço de papel que entretanto se perdeu...
e deixou-se encontrar hoje...
.............................................

Debruçada na varanda do Caminho do Filósofo, contemplo a tela que se estende perante mim.

Acariciada pelo beijo suave e pacífico do Neckar, a outra margem abre caminho para uma cidade de conto.

Na ténue linha de relva e plátanos, dois casais solitários passeiam indolentemente, alheios ao rebuliço da globalização que parece não ter chegado ainda aqui.

A malha é cerrada. Manchas entrecruzadas de telhados seculares parecem içar-se ansiosos para tentar alcançar os raios de Sol do fim da tarde que ainda reflectem nas vidraças das suas águas furtadas.

Aqui e além sobressaem atentos guardas: a torre da capela, as cúpulas da Velha Aula da faculdade, o campanário da igreja evangélica. Protegem nesta cidade de Amor e de Saber todos os seres que por ela circulam, que nela se aninham, que esperam o seu respeito e protecção, que aguardam beber dela e nela o tão ambicionado crescimento.

Ao fundo, tranquilo mas imponente, o castelo ergue-se sobre a cidade, observador atento, mas sem interferir. O seu tempo já passou. Sabe que agora se deve limitar a adornar respeitosamente o sopé da montanha, relembrando tempos de glória passados. E assim mesmo a sua presença inspira o respeito e a vénia de quem se surpreende por ver ainda viva esta cidadela orgulhosa de conto de fadas.

Atrás, aliada do castelo, a floresta trepa pela serra acima. Toalha uniforme apenas na aparência, pois esconde em si inúmeros pequenos pontos de vida, salpicos quase imperceptíveis de telhados e caminhos. Esta é a imbatível barreira de abrigo que protege o manto mágico que se estende aos seus próprios pés.

Só à distância consigo descrever esta visão extraordinária que também eu, sedenta de Amor e de Saber, fui descobrir tão longe e de repente tão perto de mim. Tal como o fez o filósofo um dia, também eu parei para contemplar apenas… e apenas muito tempo e palavras depois consigo pintar a verbo e nome a cidade que me deixou queda e encantada.


Heidelberg

1 de novembro de 2009

Serei eu a única pessoa que...



...acha que
se pensasse menos
e agisse mais
poderia ser
muito mais
feliz?...