A noite e a cidade são nossas cúmplices. Abraçam-nos num véu de anonimato e dão-nos liberdade para vivermos este sentimento.Debaixo deste manto, somos seres desconhecidos, indiferentes e pequeninos perante o ardor fervilhante das ruas, das casas, dessa gente apressada que nada vê... e, no entanto, rei e rainha desta história de amor, intemporal e imensurável.
Essas duas feiticeiras que nos abrigam brindam-nos ainda com a sua poção, que sorvemos agradavelmente e nos faz subir à flor da pele o indizível que nos aquece a alma.
O sorriso. O toque. O beijo sob a abóbada estrelada da cidade. O vinho que nos abre a passagem para esta dimensão luminosa e infinita.
A noite que abafa o grito expansivo do prazer... banal para os outros, comuns mortais, que não sabem de onde vem nem o que significa este sussurro sibilado de harmonia. É só nosso. Daqueles que o sentem com toda a sua força e impacto. Daqueles que emanam o brilho invisível do amor.
Comparsas fiéis dos amantes da noite, quantos de nós são vossos protegidos? Quantos de nós repousam ao abrigo do vosso seio sem vos valorizar devidamente, silenciosas guardiãs?...






