10 de maio de 2009

Conto de fadas em 3 minutos

Estreou há poucos dias o novo anúncio do perfume Chanel Nº5, desta vez com Audrey Tatou como protagonista e sob a batuta de Jean Pierre Jeunet.

Encantador, mais uma vez! Perfeita a transmissão da aura de mistério, da intemporalidade, da imponência e primazia dos sentidos, bem como o hipnotizante poder da atracção entre dois desconhecidos que se enfeitiçam mutuamente sem saber bem porquê...

Em conversa com uma boa amiga, acabei por concordar com ela que, por fantástico que este seja, não consegue suplantar o seu antecessor, com Nicole Kidman e Rodrigo Santoro nos papéis principais, dirigido por Baz Luhrmann, sem dúvida ainda mais cativante, em todos os aspectos! O tom, o espaço, a história, as personagens, tudo...



Importa frisar, no entanto que apesar de todo o glamour que o envolve, não posso com o aroma deste perfume...

(Para ti, amiga! Não o perfume, claro, mas sim o filme!)

Pensamento do dia...


All the good ones are taken...

8 de maio de 2009

Intertextualidade


«Todo o texto se constrói como mosaico de citações,
todo o texto é absorção e transformação de um outro texto.»
Julia Kristeva


Eu costumo chamar a isto uma espécie de "occupational hazard", se bem que o trabalho com a literatura já não é parte activa do meu quotidiano... mas sim, de vez em quando vêm-me à mente (acho que é suposto isto acontecer!) notas daquilo que fui aprendendo nos últimos anos...

Intertextualidade
Um termo que, na minha inocência inicial, cheguei a atacar nas aulas de Introdução aos Estudos Literários como um eufemismo para plágio ou, quando muito, para acusação de plágio!

Ainda mal tinha começado as minhas caminhadas pela literatura e foi-me difícil aceitar o conceito de que as obras vivem constantemente de referências a outras... Depois da indignação da ideia do plágio, seguiu-se-lhe outra: a injustiça para com os autores em geral! Identificar traços de intertextualidade seria, a meu ver, atacar as suas qualidades criativas!

À medida que se vai começando a identificar o dito intertexto, percebe-se finalmente que este é um processo tão ou mais criativo do que a criação pura - é a capacidade de adaptar, reconstruir, remodelar algo para enriquecer a criação.

Para o leitor, por sua vez, quando toma consciência do facto, começa mesmo a ser divertido entrar no jogo das identificações, dos reconhecimentos... é como desconstruir um puzzle e perceber, a páginas tantas, que já se deu uns bons mergulhos na literatura!

Eu descobri este conceito na literatura, mas, obviamente, ele está espalhada e prontinho a ser encontrado por todo o lado na nossa sociedade, na publicidade, na arte e no design, sei lá...

Aqui fica um dos inúmeros exemplos que se podem encontrar, e dos mais claramente identificáveis (e fofinhos!), implicando as personagens de banda desenhada do americano Bill Watterson, Calvin & Hobbes, muito bem ilustrado pela Joana Raposo :


Calvin & Hobbes ou Italo Calvino & Thomas Hobbes

Em todo o caso, não consigo deixar de associar este processo à própria construção da nossa personalidade! Não é o nosso carácter, o nosso comportamento, a nossa vida, uma série de entrecruzar de textos, de posteriores readaptações e reconstruções? O nosso percurso é uma linha contínua, mas fluida, que se enrola e se sobrepõe frequentemente e nós vamos, inconscientemente, criando o nosso próprio intertexto...

5 de maio de 2009

Fuck it!

A revista Happy de Maio traz um artigo com o título Fuck it - Não leve a vida tão a sério!
Ainda não li o dito cujo, mas só o Editorial (pelo punho da directora, Carla Ramos) já me valeu uns bons sorrisos de reconhecimento!

John C. Parkin, autor do livro «Fuck it» defende que devemos começar a usar a expressão em voz alta e acredita que ela funcionará como um catalizador para mudarmos a nossa vida. Para melhor. Se somarmos, durante uma semana, todos os «sim» que na realidade deveriam ter sido «não», vamos ficar exaustos com a soma. E com o estrago que fizemos na mossa qualidade de vida. Quantas vezes já lhe apeteceu? Quantas vezes engoliu em seco e não foi capaz de o dizer? Experimente fazê-lo, uma vez. Esqueça o que os outros vão pensar ou que considerações vão tecer. Diga «fuck it». Diga-o, em voz alta. Às vezes, é terapêutico.

Ora, pois!
E não é que me parece que que isto é bem verdade! Sobretudo a estatística dos «sim» e «não»! Quantas vezes engolimos mesmo em seco e acabamos por soltar um «sim» vergonhosamente hipócrita em vez de gritar bem alto a nossa verdadeira vontade?!

Já em relação ao «fuck it»... bom... Por muito catártico e tentador que isso me soe, assim de repente, não me parece muito viável (ou mesmo civilizado) que andemos por aí a mandar tudo e todos para o tal sítio...

Em todo o caso, que é tentador... lá isso é...

4 de maio de 2009

Bem feita pra mim!

Comprei na semana passada o novo álbum dos Depeche Mode, com as expectativas em alta e muita curiosidade...



Confesso... fiquei muito desiludida... não esperava tanto experimentalismo e electrónica... acho que aquela imagem não encaixa minimamente com o som dos Depeche, mas enfim...

Ironia das ironias... tanto maldisse o CD que hoje me apercebei de que ele já não estava no comparimento da porta do carro onde o tinha deixado... deve ter caído em algum lugar ao abrir ou fechar a porta...

Raios! Está bem que eu fiquei desiludida, mas também não era preciso deitar fora um CD novinho em folha e que eu, apesar de tudo, ainda tencionava ouvir algumas vezes...
:S

25 de abril de 2009

Shoes (II)


Os meus meninos mais novinhos!
Mais uns "spring shoes", desta vez sem saltos!

Bella Luna

Porque esta música é absolutamente doce...

22 de abril de 2009

Faz-nos pensar...

Don't wonder why people go crazy.
Wonder why they don't.


Grey's Anatomy

20 de abril de 2009

Paixão pelas letras

Quem me conhece bem sabe que eu sempre idealizei de alguma forma a profissão docente e que, teimosa e persistente, percorri o caminho necessário para chegar a ser um dia professora... Caminho que foi fácil e claro até... entrar no ensino propriamente dito...

Quem saiu do Ramo de Formação Educacional foi uma professora no papel, mas desmotivada e descrente relativamente ao que encontrou no ensino público e na prática real de ensino nas escolas, onde por vezes me pareceu que era preocupação maior o duelo pela titularidade, a contagem decrescente para a reforma e para "se livrarem das pestes" e as amarguras para com a ministra e o ministério, do que propriamente ENSINAR.

Por outro lado, enfrentar a desmotivação, o desinteresse e ausência de sentido para aprender que se sentia nos pequenos de 12/13 anos com quem trabalhei é como ter de aguentar serenamente baldes sucessivos de água gelada na cara...

Tudo isto é, obviamente, uma generalização! Não invalido - muito pelo contrário, antes comprovo - a existência de pessoas motivadas, altruístas e interessadas, tanto do lado dos alunos como dos professores! Mas infelizmente, a sensação que ficou foi a de que os primeiros tendem a abafar estes últimos... Pena...

Em todo o caso, encontrei esta semana no Expresso algo que me fez sorrir e recuperar de certa forma aquilo que me fez sonhar e querer, do fundo do coração, tornar-me professora e dar tudo de mim para o ser...

Aqui ficam então as palavras de Henrique Levy, escritor e professor, que até agora me era desconhecido, mas que, pelo que li, pode bem vir a tornar-se um must!

Quero ser sempre professor. Não sei ser outra coisa. Comecei a sê-lo tinha uns nove anos e foi no dia em que um jardineiro da casa me pediu para o ensinar a ler e a escrever. Dois anos depois o José fez o exame da 4ª classe e passou. O ensino é, de algum modo, uma forma de religião. É algo a que eu estou disposto e atento 24 horas por dia: deito-me e levanto-me a pensar nos meus alunos.

É este o espírito...

in Revista Única, Edição 1903 de 18 de Abril de 2009

14 de abril de 2009

Catarse

Há momentos em que chegamos a um tal ponto de saturação que nada nos soa bem, nada está correcto, em que parece que o mundo está combinado em fazer-nos sentir tão miseráveis quanto possível... E depois entramos numa espiral descendente em que o negro parece maior e mais intenso a cada instante...

E de repente, quando percebemos, a tempestade pára, a luz começa a irradiar novamente, sem que nos aprecebamos verdadeiramente do que moveu esta mudança...

Na maior parte das vezes, o truque está nas coisas aparentemente mais banais do mundo... tão banais como uma aula de step! Sem te aperceberes, aquilo que te irrita visceralmente em circunstâncias normais acaba por motivar grandes gargalhadas quando te sentes assim tão negra... a volta que nunca consegues dar, a esquerda que é sempre a esquerda errada, o passo de que te esqueces por sistema... irritante? Sim! Mas nestas circunstâncias, o efeito é definitivamente catártico!

Pena que tenha descoberto tantos pequenos e banais prazeres da vida como estes só agora!

São gotinhas destas que nos fazem pessoas mais leves!