13 de abril de 2009

Desiludida

Às vezes fico com a sensação de que as pessoas não têm realmente vontade de se mexerem para estar comigo... Sou eu que tenho de me moldar e sujeitar à sua disponibilidade, nunca o contrário...

Eu sei, isto soa provavelmente a grito de egoísmo, mas em todo o caso é o que sinto.

Viver fora da metrópole complica obviamente as coisas, mas não me parece que eu viva assim tão desterrada, nem que a minha "província" seja assim tão longe... nem me parece que seja de todo justo que seja sempre eu a fazer os kilómetros para chegar até alguém...

Sinto-me cansada, só isso...

11 de abril de 2009

Pequeno toque de civismo



É a segunda vez que encontro uma destas pequenas maravilhas e, honestamente, não esperava encontrar uma aqui pela "província"!!

Da primeira vez que vi este cartaz, numa praceta residencial pertinho da Fundação Calouste Gulbenkian, confesso que a primeira coisa que me chamou a atenção foi a própria imagem e nem tanto aquilo que ela estava a sinalizar.

Convenhamos que o artista que desenhou o "esforço" do cãozito teve, no mínimo, sentido de humor! Do género, já que estou a desenhar uma placa de sinalização de um WC, ao menos que me divirta com isso! E foi muito bem conseguido!

Dessa primeira vez que encontrei o tal de WC canino, achei que era uma fantástica e rara demonstração de civismo! Parece-me que ninguém gosta de estar continuamente a encontrar os pequenos presentes aliviantes dos nossos amiguitos de quatro patas... nem mesmo nós que os temos e que sabemos o tamanho da náusea de ter que limpar... Fiquei de tal forma encantada pela iniciativa que tirei uma foto e andei a mostrar ao pessoal na faculdade e aos amigos, como se fosse uma pequena pérola! (Da mesma forma que fotografei há anos em Heidelberg o ecoponto em que se separa vidro por cores e os ecopontos de jardim que todas as casas tinham - cá colocarei as ditas fotos em tempo oportuno).

Acho que não sou alucinada por achar interessantes estas coisas! A questão é que fico bem impressionada cada vez que encontro este tipo de demonstrações!

Bom, mas voltando atrás... Na passada sexta-feira de manhã, lá me convenceram a acordar cedinho para uma saudável caminhada à beira Tejo! Céptica, como sempre, lá assenti, aceitei o desafio e, por sinal, adorei! (A repetir, sem dúvida!)

E qual não é o meu espanto, caminhando por aquele percurso recentemente - e excelentemente - requalificado, encontro uma destas pequenas maravilhas do civismo! E, obviamente, o momento teve que ser documentado, com o devido sorriso aprovador já familiar para os que me conhecem, sob os olhares dos meus amigos que, ao ver-me a fotografar um WC canino, pensaram com certeza que o meu estado mental estava novamente a dar claros indícios de deterioração!

8 de abril de 2009

Desire is a homeostatic system

Escape from one set of circumstances brings confinement in another.
The fated love turns out to be a human fantasy.
Desire is a homeostatic system.
Push it down in one place and it rises in another.


Jeffrey Eugenides (Introduction to My Mistress's Sparrow is Dead)

Deparei-me com estas palavras na introdução de um livro que comecei a ler recentemente…

O autor deixou-me curiosa desde logo pela escolha dos contos para esta doce colectânea - não as histórias de amor bonitinhas que , depois de superadas as adversidades, acabam bem para os heróis, mas aquelas que mais se aproximam da realidade, aquelas que nem sempre nascem da melhor forma, que não são necessariamente cor de rosa, que ganham em complexidade dramática e perdem em floreados romanticos…

E depois encontro esta declaração… Nunca tinha pensado nisto deste prisma, mas acabo de me dar conta de que já o senti… Parece que o tal equilíbrio que - dizem - domina o universo, também se aplica aos sentimentos humanos. O ricochete quando a bola bate na parede, o boomerang, os pratos da balança…

Talvez seja mesmo muitas vezes por aí … é precisamente quando sentimos o impacto e somos projectados para trás por uma relação ou qualquer outra situação que acabamos por encontrar, por contraste, aquilo que nos parece completar… Mas então… será que muitas vezes o amor (ou só o desejo, se o preferirem) é resultado de rejeição?! É porque foi retirado o peso de um dos pratos da balança que o outro assume o seu próprio peso e valor?!

Poderá não ser assim tão linear (nada é puramente linear), mas acredito que uma parte das relações floresça a partir de sentimentos destes… não apenas rejeição duma outra relação, mas uma forma de compensação por qualquer outra coisa…

Hmm, dá que pensar…

4 de abril de 2009

Pegadas efémeras

Olhas para ti de fora, recusas a tua própria materialidade, refugias-te na do teu alter-ego e olhas. Sem entrar. Sem deixar entrar. Mero espírito observador, preso no limbo, sem cair nem subir. Maldito espírito crítico que te condena a observar sem te deixar sentir!!

E assim és um mero caminhante que se cruza no caminho dos outros timidamente mas que não deixa marca. As suaves pegadas vão-se com a brisa do vento da ampulheta cruel do tempo. E os caminhos lá continuam, livres e prontos a receber mais pegadas de experiência, de vida, de luz. E os que passaram antes, ou deixaram o brilho de uma marca cravada nas pedras, nas árvores, nas casas… ou então limitam-se a ser meros aromas, sombras de algo que ali esteve, não se sabe bem quem nem quando…

E os caminhos ficam, mas essas pegadas, tornadas pó, somem-se com o vento, vão, esquecem-se, deixam de fazer parte daquele todo onde se julgaram essenciais um dia… Só elas o recordam, como um precioso tesouro, a prova de que pousaram algures, que tiveram corpo e glória, ainda que por efémeros momentos…

28 de março de 2009

Hoje...

E o esperado dia da nostalgia chegou…

Faz hoje um ano… O entusiasmo era grande, a curiosidade subia-me pelo corpo como uma onda… Curiosidade, cepticismo, entusiasmo… uma torrente de sentimentos inexplicável, mas camuflada por uma máscara de altivez, desconfiança e espírito crítico! Era só para ver o que dali sairia!

O dia estava muito parecido com o de hoje… se bem que o Sol foi um pouquinho menos tímido… Também ele tinha curiosidade para saber o que aconteceria e, como tal, achou por bem ficar à espreita!

Looking goood!!! Apesar da mão enrolada, admitamos que o menino brilhava com estilo! Mas… was it just the looks?!... Era isso que eu queria descobrir!
Acho que pela primeira vez na vida fiz o que o instinto me sugeriu sem antes pesar prós e contras! O tom, a música, o vinho, a mão na perna, os sorrisos, as velas, o preto e o branco, "estás bem?", o irmão, a noite, o vinho, a noite, "estás bem?", o sorriso, as "não-relações", o perfume, a noite, "gostaste?"… o turbilhão de pequenos toques, estímulos, susurros para a mente de qualquer coisa que ninguém saberia desenhar… Porque tudo acontece lá dentro, bem fundo, a sobreposição de luzes e reflexos… "Estás bem?"´

Pela primeira vez, não olhei ao antes nem ao depois, nem ao amanhã, nem ao "e depois, como é que me desenvencilho? Como é que me liberto? E se corre mal? E se não vale a pena?"… Tudo isso eram meras mundanidades que não cabiam naquele pequeno pedaço etéreo de fuga à realidade e ao que já não queria continuar a viver… Era o toque de mudança… o sinal de libertação para finalmente nascer uma coisa diferente, melhor, mais intensa, com mais vida… E foi tudo isso…
E o que quer que seja que eu esteja a fazer esta noite, será sempre cinzento… porque em vez de tudo o resto, deveria estar a celebrar essa noite, esse momento de mudança, essa sensação indizível de quebra e de crescimento…

contigo…

24 de março de 2009

Parabéns Paul!

Porque hoje fazes anos, hoje é dia de pensar em ti, de recordar e relembrar como és uma pessoa doce e como marcaste um momento da minha vida! E porque o teu olhar e o teu sorriso hoje me fizeram acordar tudo isso!

Porque ficaram muitas coisas boas daqueles tempos, importa, claro, relembrar um deles... Uma das músicas que marcaram a nossa história e que, com o passar do tempo, ficou como marca de ti, daquilo que és, da imagem que tenho na mente de ti...

O videoclip não é minimamente feliz, o artista também não me agrada particularmente... mas a música?! Bom, a música é maior que o mundo, é daquelas que te faz parar tudo e simplesmente ouvir... E sobretudo, era a música que tu tão excelentemente cantavas... uma daquelas que me faziam olhar embevecida para ti quando vocês tocavam...

Bons tempos, doces memórias!
Parabéns!

13 de março de 2009

"Mira la esencia, no las aparencias"

Só porque hoje, mais uma vez, me foi dito que a minha imagem deixa transparecer algo que eu não sou...

Sim, gosto de sapatos, malas e perfumes! Sim, tenho ar de betinha! Sim, tenho ar de quem não precisa de ninguém e de "não se metam comigo senão apanham"!

E depois?! Tenho que ser catalogada como "menina da mamã" e como arrogante por isso?! Isso faz de mim meramente superficial e materialista?!

Pois de facto a nossa essência nem sempre é transparente! E raramente a aparência resume aquilo que somos! Olhar para uma pessoa não é conhecê-la! E quem se limita a fazê-lo é porque está demasiado preso ao senso-comum e à tacanhice e não se dá ao trabalho de pensar!

Vivemos mesmo num mundo implacável!

Então aqui ficam mais palavras imortais cantadas, desta vez de uma banda colombiana, que vale a pena conhecer, pelo menos...

El cuerpo es sólo un estuche y los ojos la ventana,
De nuestra alma aprisionada
Mira la esencia, no las apariencias

Que todo entra por los ojos dicen lo superficiales,
Lo que hay adentro es lo que vale


Aterciopelados, El Estuche

9 de março de 2009

No dia da mulher...

... o único homem que me mimou como tal é o namorado de uma amiga...
Isn't it ironic?...

8 de março de 2009

Aprender

«You'll come to see that a man learns nothing from winning. The act of losing, however, can elicit great wisdom. Not least of which is, uh... how much more enjoyable it is to win. It's inevitable to lose now and again. The trick is not to make a habit of it.»


A Good Year, Ridley Scott, 2006

Case study II

Data: 06 Março 2009
Local: Santos

Relatório:
Antes de mais, há que salientar que estes "case studies" são verdadeiras experiências esclarecedoras!
Bom, depois de um jantar simpático, com um grupo simpático, aceita-se a sugestão de "ir beber um copo". Onde? Isso agora... Vamos lá então explorar mais uma faceta da noite de Lisboa...

Santos!
Faixa etária: hmmm, pois, mais uma vez, pouco mais do que adolescentes. Atrevo-me a dizer que vi um grupo de rapazes que não podia ter mais do que 12 anos!

Ambiente: boa disposição, é um facto! Mas paralelamente a isso, diria que há mais álcool e outras substâncias (que eu, menina, não reconheço) de aroma duvidoso... Bem, aquilo é a catedral da cerveja! Aquilo parecia uma verdadeira concentração de amigos da cevada!
Escusado será dizer que, com este espírito, vêm-se coisas difíceis de acreditar! Fomos abordados por um pequeno que andava a distribuir flyers de promoção de um barzito! Nada contra! O problema surge quando o dito rapidamente passa de mero "promoter" e começa a atacar-nos com uma conversa muito estranha de que não está com os copos e que não está a ganhar nada com o negócio e blá blá blá... Ninguém lhe deu conversa, mas o pequeno continuou alegremente. Foi buscar uma cerveja e deu-nos o elucidante espectáculo de a beber de um só trago para nos provar de que era muito valente... Mas o que é isto?!!! Não conhecemos de lado nenhum, ele aborda-nos, ataca-nos e provoca-nos verbalmente, sem nenhum motivo aparente!! E por aí fora... O rapaz disse tanta baboseira que nem consigo recuperar agora...

De resto, pouco a dizer. Ali ao menos pode-se conversar com as pessoas que estão connosco... O problema é que, com tamanha dose de álcool a circular pelo sangue, a conversa também não é propriamente produtiva...

Bom, que saudades que eu tenho de asistir a um bom espectáculo ou estar num sítio agradável e elegante, com música ambiente e a ter uma conversa sóbria... E chega que isto já é entrar dentro dos limites "proibidos"...

Reforço a maior conclusão do case study anterior: o essencial é a companhia, é ela que determina o sucesso ou fracasso de uma noite. Em todo o caso, o ambiente é também uma peça chave e se esse não nos agrada, pois a noite fica necessariamente aquém do desejável...