8 de novembro de 2008

A Good Year

"Once you find something good, Max, you have to take care of it, you have to let it grow!"


Muito à semelhança dos livros, também os filmes funcionam para muitos como uma fuga à realidade, uma forma de imaginar a realidade como gostariamos que ela fosse...

Por vezes, o que acontece é que acabamos por metaforizar alguém ou alguma coisa nesses filmes e, intimamente, desejar que as coisas assim fossem na vida real, que o herói real, tal como o herói da história, possa ter um momento de catarse e com ele "acorde para a vida" e para o que está a deixar passar...

Filme doce e encantador!

Revejo neste Max Skinner alguém muito importante para mim. E espero sinceramente que também ele venha a acordar eventualmente do seu transe mercenário e venha a despertar verdadeiramente para os prazeres puros que fazem da vida um lugar mais bonito!

Sobre o filme, duas ou três palavras: pacífico e bem desenvolvido! Se para muitos parece ser mais um filme lamechas e pejado de clichés, bom, para mim, é uma história de crescimento pessoal, quase uma parábola. E claro, uma doce história de amor - não apenas amor entre duas pessoas, mas amor por um passado, por recordações vitais, por lugares que fizeram de nós quem somos, que nos fazem relembrar que a vida é um lugar bonito!
Cinco estrelas em especial para a fotografia - se a Provença já é um cenário idílico no imaginário de muitos, aqui fica a confirmação!

6 de novembro de 2008

Suspiro

Esta manhã, logo ao acordar, ocorreu-me que já há um bom tempo que não solto um suspiro sincero e sentido de prazer...

Nesse momento, tomei também consciência do quanto isso me faz falta...

3 de novembro de 2008

Mamma mia!



À partida, seria de pensar: mais um blockbuster que vai vender por conta dos nomes que inclui e do intertexto que levou à sua criação... Sem excluir ou desmentir estes pontos, confesso que o filme foi uma surpresa agradabilíssima para mim!!!

Convidada para ver o filme pela pessoa mais improvável, pela última pessoa no mundo que eu imaginaria ouvir cantarolar músicas dos Abba, foi simplesmente à procura de entretenimento, de desanuviar, mas sobretudo de passar um bocadinho com essa pessoa especial, que aceitei o convite, e mesmo assim de narizito torcido em relação ao que viria a ter pela frente...

Surpresa das surpresas!!!

Um argumento muitíssimo criativo, se pensarmos como foi possível articular músicas já existentes num mesmo enredo, criado posteriormente! Cinco estrelas para o génio de Catherine Johnson!

Meryll Streep! Mais uma vez, mostra-nos a sua genialidade e profissionalismo! É no mínimo inesperado vê-la neste registo! De toda a equipa, talvez aquela que mais aplaudo, muito embora não a única - confirma-se a qualidade de Colin Firth e salienta-se mais uma revelação, Amanda Seyfried, a pequena, determinada e de voz invejável protagonista!

Pena ter descoberto que Pierce Brosnan não esteve à altura do que se desejaria... De facto, o dom da música não não se contabiliza no conjunto dos seus... Valeu a tentativa, com certeza...

Em geral, diria que fiquei encantada! A tal ponto que fui para casa a cantarolar Abba (inacreditável, não?!)! E a tal ponto que, por momentos, a minha aura iluminou-se, apesar de tudo o resto que acontecia à volta...

Obrigada, meu caro, por me teres levado para mais uma experiência surpreendente! E obrigada por me fazeres sorrir!

2 de novembro de 2008

Water to air, you're on your feet again...


E aos poucos, a mente vai recuperando, relativizando e reagindo...

Quando alguma rajada no abala, por vezes é bem difícil voltar ao nosso caminho... esperneia-se, grita-se, mas eventualmente acaba-se por retomar a linha...

É uma boa forma de crescer, suponho... Aprende-se, é-se feliz, sentimo-nos plenos e capazes de enfrentar este mundo e o outro! Depois acordamos do sonho e infelizmente, parece-nos tudo ainda mais negro do que era antes...

A vontade de mudar, de esquecer, de seguir em frente, muitas vezes não chega... Até que a dada altura, sentimo-nos renascer, emergir novamente das águas negras e gélidas... Lentamente, tentamos reagir... e não é que eventualmente conseguimos?!!!

Tanto melhor...

A mente e o coração registou tudo, o bom e o menos bom. Criou mais um compartimento com todas essas preciosidades inesquecíveis. E guarda-as precisamente como tesouros que são... tango, a lua cheia, um beijo cheio de força perdido no meio da rua... noites brilhantes e memoráveis... um refúgio pincelado de negro e vermelho, escuro mas cheio de luz, luz que brota de corpos apaixonados... lágrimas e sorrisos...

Nesse compartimento, ficam em branco os espaços para os momentos que não se viveram... e a esperança de poder um dia vir a enchê-los de mais momentos memoráveis...

6 de outubro de 2008

Missing you...

Sentir a tua falta é qualquer coisa que me arde por dentro, que me impede de respirar, que me faz ver o mundo a cinzento, sem luz nem brilho...

Não consigo acreditar, embora as evidências assim o mostrem, que eu seja a única de nós os dois que realmente sinta a falta de tudo o que partilhámos e de tudo o que ainda poderiamos (poderemos) partilhar...

Sinto a falta dos teus mimos, das nossas conversas, do teu cachorrinho preto e branco... sinto falta do percurso até tua casa e das cores do teu quarto... Sinto falta das noites em branco que passei para estar contigo... noites essas que agora passo em branco, de qualquer forma, porque não consigo suportar a tua ausência!

Queria tanto poder continuar ao teu lado!

Dói o facto de não teres mais para me dar... mas dói de forma igualmente intensa que não possa libertar tudo isto que tenho para te dar e que não queres receber... E o meu desiquilíbrio passa em grande parte por isso mesmo: na balança dos meus sentimentos, começa a ser insuportável o peso daquilo que cá está e não tem para onde ir... e tão pequenino é o prato do outro lado que se torna ainda mais óbvia esta discrepância...

Queria tanto ter-te ao meu lado...

Muitas saudades, pequenino!
Desculpa...

30 de agosto de 2008

No air




É assim mesmo que nos sentimos muitas vezes... quando nos falta alguém especial, falta-nos também ar para respirar...
Difícil é depois encontrar (e querer encontrar) fontes para voltar à vida...

23 de agosto de 2008

Literatura e realidade


Há dias, perguntaram-me por que razão eu me pareço interessar e cativar por ficção em detrimento de crónicas, ensaios, ou tudo o que quer que seja que esteja mais vinculado à realidade...

Pois bem, prefiro a ficção precisamente porque é ela que me permite de alguma forma FUGIR à realidade! Ainda que esteja profundamente intrincada nesta, é na ficção que podemos fugir da crueldade e desilusão desta. É aqui que, mesmo com o mesmo contexto e os mesmos problemas, as personagens conseguem (quase) sempre superar para melhor e ter um final suficientemente feliz.

Estou neste momento a ler crónicas de Lobo Antunes, numa tentativa de desenvolver a minha capacidade de acompanhar o pensamento deste Senhor da literatura portuguesa...

Com a sua sagacidade e perspicácia de observar e transmitir os sentimentos que afectam os seres humanos, Lobo Antunes consegue, em breves pinceladas de ficção, fazer-nos olhar para nós mesmos e, não só à semelhança de Wilde, que o fazia para nos fazer rir de nós mesmos, acaba também por fazer-nos sentir mais incomodados e inquietos, pois desperta em nós a consciência das nossas fraquezas e das inseguranças que tanto queremos camuflar... Veja-se por exemplo "O Fim do Mundo"
http://www.citi.pt/cultura/literatura/romance/lobo_antunes/ala96.html.

Sr. Lobo Antunes, neste momento receio abrir a próxima crónica com medo de descobrir que nova ferida vai abrir em mim... Raros foram os escritores que até hoje tiveram este efeito sobre mim...

22 de agosto de 2008

As



Existem músicas, aparentemente insignificantes, que ouvimos indiferentemente vezes sem conta, sem nos darmos ao trabalho de as OUVIR verdadeiramente...

E quando efectivamente o fazemos, apercebemo-nos da sua força, da intensidade da sua mensagem e de como ela de alguma forma tem a ver connosco...

Além disso, todos nós vamos construindo a nossa própria banda ao longo da nossa vida...
De tantas que fazem parte de mim, começo por vos mostrar esta.

Fechem os olhos, oiçam bem e depois digam-me...


15 de agosto de 2008

Mal ou bem?!

Não me fazes mal. Fazes de mim um ser mais rico, um ser que convive com o tumulto das emoções, que desespera, que se sente desgarrado e, logo em seguida, sente em si o poder de desbravar o desconhecido, que reúne em si o paradoxo e o turbilhão de ser e não ser, de querer exigir céu e terra... e ao mesmo tempo, uma ânsia de dar tudo, de fazer emergir em jorros potentes e espalhafatosos o poder das emoções que despertaste em mim!

Emoções frágeis e intensas como cristal, brilhantes e raras. Emoções que nunca o ser humano comum poderia imaginar sequer que o âmago do seu ser poderia trazer para a vida. E é precisamente isso que é tão surpreendente e mágico e agradavelmente assustador, que no meio de um quotidiano de pedra que nos gela e faz de nós meros autómatos dirigidos por um mundo predador que nos consome a vida em troca de migalhas de vida, no meio desse ambiente mecanizante, um ser tenha a capacidade de fazer brilhar raios de luz perante um outro ser que se julgava irremediavelmente imerso!!

E são esses raios de luz que iluminam o mundo e deixam transparecer que, afinal, servos do quotidiano são também almas vivas que amam, que estão dispostas a quebrar barreiras, a gritar e a combater para fazer viver esses sentimentos!!

E mesmo que seja em vão, nunca o será, porque faz parte da essência do ser humano sofrer, sorrir, sofrer, ser contrariado, cair, voltar a erguer-se... enfim, crescer...

Não é fazer mal, é simplesmente a inacreditável orgânica do que é ser-se humano. Não é fazer mal, é fazer infinitamente bem, é dares-me a mão e ajudares-me a crescer!

12 de junho de 2008

Blake

To see a world in a grain of sand,
And a heaven in a wild flower,
Hold infinity in the palm of your hand,
And eternity in an hour.

William Blake, Auguries of Innocence


É fantástica a capacidade que algumas pessoas têm de incluir tal intensidade e grandiosidade de ideias em palavras tão simples, aparentemente tão prosaicas... Dá para sentir na pele a amplitude das alusões destas palavras!!
No meu discreto mas delicioso percurso académico, estes foram talvez os versos que mais me marcaram... percebe-se porquê!...