Sentir a tua falta é qualquer coisa que me arde por dentro, que me impede de respirar, que me faz ver o mundo a cinzento, sem luz nem brilho...
Não consigo acreditar, embora as evidências assim o mostrem, que eu seja a única de nós os dois que realmente sinta a falta de tudo o que partilhámos e de tudo o que ainda poderiamos (poderemos) partilhar...
Sinto a falta dos teus mimos, das nossas conversas, do teu cachorrinho preto e branco... sinto falta do percurso até tua casa e das cores do teu quarto... Sinto falta das noites em branco que passei para estar contigo... noites essas que agora passo em branco, de qualquer forma, porque não consigo suportar a tua ausência!
Queria tanto poder continuar ao teu lado!
Dói o facto de não teres mais para me dar... mas dói de forma igualmente intensa que não possa libertar tudo isto que tenho para te dar e que não queres receber... E o meu desiquilíbrio passa em grande parte por isso mesmo: na balança dos meus sentimentos, começa a ser insuportável o peso daquilo que cá está e não tem para onde ir... e tão pequenino é o prato do outro lado que se torna ainda mais óbvia esta discrepância...
Queria tanto ter-te ao meu lado...
Muitas saudades, pequenino!
Desculpa...
6 de outubro de 2008
30 de agosto de 2008
No air
É assim mesmo que nos sentimos muitas vezes... quando nos falta alguém especial, falta-nos também ar para respirar...
Difícil é depois encontrar (e querer encontrar) fontes para voltar à vida...
23 de agosto de 2008
Literatura e realidade

Há dias, perguntaram-me por que razão eu me pareço interessar e cativar por ficção em detrimento de crónicas, ensaios, ou tudo o que quer que seja que esteja mais vinculado à realidade...
Pois bem, prefiro a ficção precisamente porque é ela que me permite de alguma forma FUGIR à realidade! Ainda que esteja profundamente intrincada nesta, é na ficção que podemos fugir da crueldade e desilusão desta. É aqui que, mesmo com o mesmo contexto e os mesmos problemas, as personagens conseguem (quase) sempre superar para melhor e ter um final suficientemente feliz.
Estou neste momento a ler crónicas de Lobo Antunes, numa tentativa de desenvolver a minha capacidade de acompanhar o pensamento deste Senhor da literatura portuguesa...
Com a sua sagacidade e perspicácia de observar e transmitir os sentimentos que afectam os seres humanos, Lobo Antunes consegue, em breves pinceladas de ficção, fazer-nos olhar para nós mesmos e, não só à semelhança de Wilde, que o fazia para nos fazer rir de nós mesmos, acaba também por fazer-nos sentir mais incomodados e inquietos, pois desperta em nós a consciência das nossas fraquezas e das inseguranças que tanto queremos camuflar... Veja-se por exemplo "O Fim do Mundo"
http://www.citi.pt/cultura/literatura/romance/lobo_antunes/ala96.html.
Sr. Lobo Antunes, neste momento receio abrir a próxima crónica com medo de descobrir que nova ferida vai abrir em mim... Raros foram os escritores que até hoje tiveram este efeito sobre mim...
22 de agosto de 2008
As
Existem músicas, aparentemente insignificantes, que ouvimos indiferentemente vezes sem conta, sem nos darmos ao trabalho de as OUVIR verdadeiramente...
E quando efectivamente o fazemos, apercebemo-nos da sua força, da intensidade da sua mensagem e de como ela de alguma forma tem a ver connosco...
Além disso, todos nós vamos construindo a nossa própria banda ao longo da nossa vida...
De tantas que fazem parte de mim, começo por vos mostrar esta.
Fechem os olhos, oiçam bem e depois digam-me...
15 de agosto de 2008
Mal ou bem?!
Não me fazes mal. Fazes de mim um ser mais rico, um ser que convive com o tumulto das emoções, que desespera, que se sente desgarrado e, logo em seguida, sente em si o poder de desbravar o desconhecido, que reúne em si o paradoxo e o turbilhão de ser e não ser, de querer exigir céu e terra... e ao mesmo tempo, uma ânsia de dar tudo, de fazer emergir em jorros potentes e espalhafatosos o poder das emoções que despertaste em mim!
Emoções frágeis e intensas como cristal, brilhantes e raras. Emoções que nunca o ser humano comum poderia imaginar sequer que o âmago do seu ser poderia trazer para a vida. E é precisamente isso que é tão surpreendente e mágico e agradavelmente assustador, que no meio de um quotidiano de pedra que nos gela e faz de nós meros autómatos dirigidos por um mundo predador que nos consome a vida em troca de migalhas de vida, no meio desse ambiente mecanizante, um ser tenha a capacidade de fazer brilhar raios de luz perante um outro ser que se julgava irremediavelmente imerso!!
E são esses raios de luz que iluminam o mundo e deixam transparecer que, afinal, servos do quotidiano são também almas vivas que amam, que estão dispostas a quebrar barreiras, a gritar e a combater para fazer viver esses sentimentos!!
E mesmo que seja em vão, nunca o será, porque faz parte da essência do ser humano sofrer, sorrir, sofrer, ser contrariado, cair, voltar a erguer-se... enfim, crescer...
Não é fazer mal, é simplesmente a inacreditável orgânica do que é ser-se humano. Não é fazer mal, é fazer infinitamente bem, é dares-me a mão e ajudares-me a crescer!
Emoções frágeis e intensas como cristal, brilhantes e raras. Emoções que nunca o ser humano comum poderia imaginar sequer que o âmago do seu ser poderia trazer para a vida. E é precisamente isso que é tão surpreendente e mágico e agradavelmente assustador, que no meio de um quotidiano de pedra que nos gela e faz de nós meros autómatos dirigidos por um mundo predador que nos consome a vida em troca de migalhas de vida, no meio desse ambiente mecanizante, um ser tenha a capacidade de fazer brilhar raios de luz perante um outro ser que se julgava irremediavelmente imerso!!
E são esses raios de luz que iluminam o mundo e deixam transparecer que, afinal, servos do quotidiano são também almas vivas que amam, que estão dispostas a quebrar barreiras, a gritar e a combater para fazer viver esses sentimentos!!
E mesmo que seja em vão, nunca o será, porque faz parte da essência do ser humano sofrer, sorrir, sofrer, ser contrariado, cair, voltar a erguer-se... enfim, crescer...
Não é fazer mal, é simplesmente a inacreditável orgânica do que é ser-se humano. Não é fazer mal, é fazer infinitamente bem, é dares-me a mão e ajudares-me a crescer!
12 de junho de 2008
Blake
To see a world in a grain of sand,
And a heaven in a wild flower,
Hold infinity in the palm of your hand,
And eternity in an hour.
William Blake, Auguries of Innocence
É fantástica a capacidade que algumas pessoas têm de incluir tal intensidade e grandiosidade de ideias em palavras tão simples, aparentemente tão prosaicas... Dá para sentir na pele a amplitude das alusões destas palavras!!
No meu discreto mas delicioso percurso académico, estes foram talvez os versos que mais me marcaram... percebe-se porquê!...
25 de maio de 2008
Almas desterradas
Num mundo calmo e simples, deram à luz pequenos seres e ambicionaram fazer deles alguém maior, alguém que tivesse força e destreza para alcançar patamares mais altos do que eles próprios conseguiram.
Nesse pequeno microcosmos, criaram-nos com carinho e simplicidade, depositaram neles grandes expectativas e, com grande esforço, mas também um infinito orgulho, mandaram-nos para longe, para a modernidade, para um mundo que eles próprios não conheciam, mas que fizeram questão de dar a conhecer...
Durante esse tempo, deixaram-nos conhecer, crescer, viver... Dotaram-nos da vontade e intenção de nos tornarmos seres iluminados, de provar o que há de bom e mau por aí... de experienciar grandes complexidades e de desenvolver a capacidade de nos desenvencilharmos delas.
E enquanto nós cresciamos, enquanto inconscientemente nos íamos tornando demasiado grandes para voltar a caber naquele mundo, eles, por lá, incubávam novas expectativas, entrançavam os vimes de um ninho para onde esperavam, seguros, que regressássemos, dócil e obedientemente...
O que não podiam adivinhar era que, entretanto, aqueles pequenos espíritos sedentos de saber e de vida, iam crescendo e complexificando aos poucos, e que dificilmente poderiam voltar a compreender e a caber naquele mundo que os esperava ansiosamente de volta, que queria abracá-los como se de filhos pródigos se tratassem, que regressavam finalmente, desiludidos com o que experienciaram lá fora e dando finalmente o valor devido ao que ficara para trás...
Não. Estes novos seres deixaram de ter um espaço neste pequeno mundo que os originou, este mundo que os impulsionou para o infinito e agora espera que regressem e que façam sentido de tudo o que ficou parado à sua espera.
Fizeram de nós seres maiores, seres mais complexos, mais sofisticados, seres com espírito crítico e horizontes longínquos. Almas que deixaram de caber nesse mundo. Almas desterradas que não têm já um espaço no passado, mas que não têm também a força para se destrinçar deste sem remorsos e para partir em busca desses horizontes... Seres que já não se reconhecem na sua pátria, que ficaram à deriva num lingo com tentáculos que ora os puxam para o passado, ora os seduzem para o futuro...
Nesse pequeno microcosmos, criaram-nos com carinho e simplicidade, depositaram neles grandes expectativas e, com grande esforço, mas também um infinito orgulho, mandaram-nos para longe, para a modernidade, para um mundo que eles próprios não conheciam, mas que fizeram questão de dar a conhecer...
Durante esse tempo, deixaram-nos conhecer, crescer, viver... Dotaram-nos da vontade e intenção de nos tornarmos seres iluminados, de provar o que há de bom e mau por aí... de experienciar grandes complexidades e de desenvolver a capacidade de nos desenvencilharmos delas.
E enquanto nós cresciamos, enquanto inconscientemente nos íamos tornando demasiado grandes para voltar a caber naquele mundo, eles, por lá, incubávam novas expectativas, entrançavam os vimes de um ninho para onde esperavam, seguros, que regressássemos, dócil e obedientemente...
O que não podiam adivinhar era que, entretanto, aqueles pequenos espíritos sedentos de saber e de vida, iam crescendo e complexificando aos poucos, e que dificilmente poderiam voltar a compreender e a caber naquele mundo que os esperava ansiosamente de volta, que queria abracá-los como se de filhos pródigos se tratassem, que regressavam finalmente, desiludidos com o que experienciaram lá fora e dando finalmente o valor devido ao que ficara para trás...
Não. Estes novos seres deixaram de ter um espaço neste pequeno mundo que os originou, este mundo que os impulsionou para o infinito e agora espera que regressem e que façam sentido de tudo o que ficou parado à sua espera.
Fizeram de nós seres maiores, seres mais complexos, mais sofisticados, seres com espírito crítico e horizontes longínquos. Almas que deixaram de caber nesse mundo. Almas desterradas que não têm já um espaço no passado, mas que não têm também a força para se destrinçar deste sem remorsos e para partir em busca desses horizontes... Seres que já não se reconhecem na sua pátria, que ficaram à deriva num lingo com tentáculos que ora os puxam para o passado, ora os seduzem para o futuro...
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