22 de agosto de 2008
As
Existem músicas, aparentemente insignificantes, que ouvimos indiferentemente vezes sem conta, sem nos darmos ao trabalho de as OUVIR verdadeiramente...
E quando efectivamente o fazemos, apercebemo-nos da sua força, da intensidade da sua mensagem e de como ela de alguma forma tem a ver connosco...
Além disso, todos nós vamos construindo a nossa própria banda ao longo da nossa vida...
De tantas que fazem parte de mim, começo por vos mostrar esta.
Fechem os olhos, oiçam bem e depois digam-me...
15 de agosto de 2008
Mal ou bem?!
Não me fazes mal. Fazes de mim um ser mais rico, um ser que convive com o tumulto das emoções, que desespera, que se sente desgarrado e, logo em seguida, sente em si o poder de desbravar o desconhecido, que reúne em si o paradoxo e o turbilhão de ser e não ser, de querer exigir céu e terra... e ao mesmo tempo, uma ânsia de dar tudo, de fazer emergir em jorros potentes e espalhafatosos o poder das emoções que despertaste em mim!
Emoções frágeis e intensas como cristal, brilhantes e raras. Emoções que nunca o ser humano comum poderia imaginar sequer que o âmago do seu ser poderia trazer para a vida. E é precisamente isso que é tão surpreendente e mágico e agradavelmente assustador, que no meio de um quotidiano de pedra que nos gela e faz de nós meros autómatos dirigidos por um mundo predador que nos consome a vida em troca de migalhas de vida, no meio desse ambiente mecanizante, um ser tenha a capacidade de fazer brilhar raios de luz perante um outro ser que se julgava irremediavelmente imerso!!
E são esses raios de luz que iluminam o mundo e deixam transparecer que, afinal, servos do quotidiano são também almas vivas que amam, que estão dispostas a quebrar barreiras, a gritar e a combater para fazer viver esses sentimentos!!
E mesmo que seja em vão, nunca o será, porque faz parte da essência do ser humano sofrer, sorrir, sofrer, ser contrariado, cair, voltar a erguer-se... enfim, crescer...
Não é fazer mal, é simplesmente a inacreditável orgânica do que é ser-se humano. Não é fazer mal, é fazer infinitamente bem, é dares-me a mão e ajudares-me a crescer!
Emoções frágeis e intensas como cristal, brilhantes e raras. Emoções que nunca o ser humano comum poderia imaginar sequer que o âmago do seu ser poderia trazer para a vida. E é precisamente isso que é tão surpreendente e mágico e agradavelmente assustador, que no meio de um quotidiano de pedra que nos gela e faz de nós meros autómatos dirigidos por um mundo predador que nos consome a vida em troca de migalhas de vida, no meio desse ambiente mecanizante, um ser tenha a capacidade de fazer brilhar raios de luz perante um outro ser que se julgava irremediavelmente imerso!!
E são esses raios de luz que iluminam o mundo e deixam transparecer que, afinal, servos do quotidiano são também almas vivas que amam, que estão dispostas a quebrar barreiras, a gritar e a combater para fazer viver esses sentimentos!!
E mesmo que seja em vão, nunca o será, porque faz parte da essência do ser humano sofrer, sorrir, sofrer, ser contrariado, cair, voltar a erguer-se... enfim, crescer...
Não é fazer mal, é simplesmente a inacreditável orgânica do que é ser-se humano. Não é fazer mal, é fazer infinitamente bem, é dares-me a mão e ajudares-me a crescer!
12 de junho de 2008
Blake
To see a world in a grain of sand,
And a heaven in a wild flower,
Hold infinity in the palm of your hand,
And eternity in an hour.
William Blake, Auguries of Innocence
É fantástica a capacidade que algumas pessoas têm de incluir tal intensidade e grandiosidade de ideias em palavras tão simples, aparentemente tão prosaicas... Dá para sentir na pele a amplitude das alusões destas palavras!!
No meu discreto mas delicioso percurso académico, estes foram talvez os versos que mais me marcaram... percebe-se porquê!...
25 de maio de 2008
Almas desterradas
Num mundo calmo e simples, deram à luz pequenos seres e ambicionaram fazer deles alguém maior, alguém que tivesse força e destreza para alcançar patamares mais altos do que eles próprios conseguiram.
Nesse pequeno microcosmos, criaram-nos com carinho e simplicidade, depositaram neles grandes expectativas e, com grande esforço, mas também um infinito orgulho, mandaram-nos para longe, para a modernidade, para um mundo que eles próprios não conheciam, mas que fizeram questão de dar a conhecer...
Durante esse tempo, deixaram-nos conhecer, crescer, viver... Dotaram-nos da vontade e intenção de nos tornarmos seres iluminados, de provar o que há de bom e mau por aí... de experienciar grandes complexidades e de desenvolver a capacidade de nos desenvencilharmos delas.
E enquanto nós cresciamos, enquanto inconscientemente nos íamos tornando demasiado grandes para voltar a caber naquele mundo, eles, por lá, incubávam novas expectativas, entrançavam os vimes de um ninho para onde esperavam, seguros, que regressássemos, dócil e obedientemente...
O que não podiam adivinhar era que, entretanto, aqueles pequenos espíritos sedentos de saber e de vida, iam crescendo e complexificando aos poucos, e que dificilmente poderiam voltar a compreender e a caber naquele mundo que os esperava ansiosamente de volta, que queria abracá-los como se de filhos pródigos se tratassem, que regressavam finalmente, desiludidos com o que experienciaram lá fora e dando finalmente o valor devido ao que ficara para trás...
Não. Estes novos seres deixaram de ter um espaço neste pequeno mundo que os originou, este mundo que os impulsionou para o infinito e agora espera que regressem e que façam sentido de tudo o que ficou parado à sua espera.
Fizeram de nós seres maiores, seres mais complexos, mais sofisticados, seres com espírito crítico e horizontes longínquos. Almas que deixaram de caber nesse mundo. Almas desterradas que não têm já um espaço no passado, mas que não têm também a força para se destrinçar deste sem remorsos e para partir em busca desses horizontes... Seres que já não se reconhecem na sua pátria, que ficaram à deriva num lingo com tentáculos que ora os puxam para o passado, ora os seduzem para o futuro...
Nesse pequeno microcosmos, criaram-nos com carinho e simplicidade, depositaram neles grandes expectativas e, com grande esforço, mas também um infinito orgulho, mandaram-nos para longe, para a modernidade, para um mundo que eles próprios não conheciam, mas que fizeram questão de dar a conhecer...
Durante esse tempo, deixaram-nos conhecer, crescer, viver... Dotaram-nos da vontade e intenção de nos tornarmos seres iluminados, de provar o que há de bom e mau por aí... de experienciar grandes complexidades e de desenvolver a capacidade de nos desenvencilharmos delas.
E enquanto nós cresciamos, enquanto inconscientemente nos íamos tornando demasiado grandes para voltar a caber naquele mundo, eles, por lá, incubávam novas expectativas, entrançavam os vimes de um ninho para onde esperavam, seguros, que regressássemos, dócil e obedientemente...
O que não podiam adivinhar era que, entretanto, aqueles pequenos espíritos sedentos de saber e de vida, iam crescendo e complexificando aos poucos, e que dificilmente poderiam voltar a compreender e a caber naquele mundo que os esperava ansiosamente de volta, que queria abracá-los como se de filhos pródigos se tratassem, que regressavam finalmente, desiludidos com o que experienciaram lá fora e dando finalmente o valor devido ao que ficara para trás...
Não. Estes novos seres deixaram de ter um espaço neste pequeno mundo que os originou, este mundo que os impulsionou para o infinito e agora espera que regressem e que façam sentido de tudo o que ficou parado à sua espera.
Fizeram de nós seres maiores, seres mais complexos, mais sofisticados, seres com espírito crítico e horizontes longínquos. Almas que deixaram de caber nesse mundo. Almas desterradas que não têm já um espaço no passado, mas que não têm também a força para se destrinçar deste sem remorsos e para partir em busca desses horizontes... Seres que já não se reconhecem na sua pátria, que ficaram à deriva num lingo com tentáculos que ora os puxam para o passado, ora os seduzem para o futuro...
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